Author:
Jerónimo de Sousa
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Date Posted: 3/04/05 12:56:54
In reply to:
Público
's message, "Ingerência, fuga em frente, incoerência e batida em retirada" on 3/04/05 9:18:04
Apresentação dos Candidatos CDU do Porto
Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP
Porto, 29 de Março de 2005
(...)
O fim da eleição directa das câmaras municipais como pretendem PS e PSD consagrando em definitivo a lógica de “parlamentarização” do poder local”, para além de pôr em causa a legitimação da vontade directa das populações, transformariam também o poder local numa arena de confrontação e oposição cega entre vencedores e vencidos, de mero espaço de polémica e confrontação verbal e formal, em prejuízo da capacidade de realização e da procura da confluência de vontades na solução dos problemas concretos das populações.
Num momento em que o PS e agora também o Bloco que propositadamente deturpam e confundem, por puro cálculo eleitoralista e mesquinhez partidária, esta forma de estar que sempre norteou os eleitos da CDU no poder local, sempre contrária com qualquer prática de submissão, frete ou cumplicidade às forças maioritárias em cada autarquia, daqui queremos reafirmar que não abdicaremos, afirmando naturalmente o nosso projecto alternativo, de contribuir com a nossa presença, trabalho e obra concreta para a solução dos problemas das populações.
Não são, por isso, também inocentes as afirmações de Teixeira Lopes do Bloco de “recusa de qualquer aliança com a CDU no Porto” com o estafado e falso argumento da cumplicidade com a direita ”.
Elas são objectivamente uma cedência às concepções e pretensões de hegemonia das duas principais forças políticas que maioritariamente dominam as autarquias locais e revelam também a hipocrisia e a palavra vã dos seus tão propalados propósitos de promover um poder local participado, bem como quanto falsos e instrumentais são, também, os seus cíclicos apelos a soluções de unidade das forças de esquerda.
A arrogância desmedida que revelam as afirmações do Bloco, certamente deslumbrados com os seus resultados eleitorais, deveria ser mais contida.
Primeiro, porque cometem um erro de palmatória, fazer o transporte mecânico de resultados das legislativas para as autárquicas.
Em segundo, porque esquece a prática e contributo, esse sim, de completo frete à direita na Câmara de Lisboa com a sua saída e divisão da coligação “Amar Lisboa” da qual se transformaram em inimiga principal, dando de bandeja a vitória a Santana Lopes.
Não contem connosco para enterrar uma prática que deu frutos na sociedade portuguesa e que permitiu potenciar a capacidade realizadora do poder local.
Os eleitos da CDU, quando em minoria, se, por um lado, denunciam e combatem tudo o que lhes parece negativo, por outro lado, não abdicaram de apoiar todas as propostas que lhe parecem justas, venham de onde vierem, e cooperam com todos os que prossigam o objectivo da sua concretização.
Uma postura e uma intervenção que recusa o poder absoluto, a estrita lógica do combate político do poder pelo poder, acima dos problemas, anseios e aspirações das pessoas, que não enjeita assumir responsabilidades em autarquias de minoria com inteira independência.
Temos um passado de realização nas autarquias e um projecto alternativo de esquerda no poder local que não deixam dúvidas quanto ao sentido e rumo da nossa intervenção na defesa do interesse público e das populações.
Vamos para estas eleições propondo-nos confirmar e prosseguir no próximo mandato nas autarquias locais o reconhecido valor do trabalho realizado.
Trabalho alicerçado num projecto assente na assunção da participação como um factor essencial de uma gestão democrática.
Vamos para estas eleições com o firme propósito de continuar a ancorar o projecto da CDU no envolvimento efectivo das populações na definição das principais opções da política autárquica.
Vamos para estas eleições propondo a concretização de uma gestão integrada e de um planeamento de forma a assegurar a construção de espaços urbanos humanizados, ambientalmente equilibrados e dotados dos equipamentos indispensáveis a uma vida social e colectiva.
Vamos para este combate eleitoral com o firme propósito de defender a promoção de uma gestão do território que, garantindo um desenvolvimento equilibrado sustentável, salvaguarde a defesa do interesse público e colectivo face a pressões especulativas.
Assumiremos com determinação o fomento de uma política local que assegure a valorização cultural e desportiva das populações, estimule o associativismo popular e adopte uma orientação marcada por uma particular sensibilidade aos sectores mais frágeis e desfavorecidos da população.
Defenderemos o carácter público da prestação dos serviços básicos essenciais pela autarquia como um instrumento essencial de salvaguarda dos interesses das populações e do direito à prestação de um serviço com qualidade e acessível a todos os cidadãos.
Vamos bater-nos para que o poder local democrático continue a ser expressão de Abril.
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