Author:
observador curioso
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Date Posted: 31/03/05 17:39:13
In reply to:
Henrique Custódio
's message, "A Base" on 31/03/05 11:17:11
ou então é ainda pior. Isto faz-me lembrar os métodos dos nazis em relação aos judeus. Irra, assim começa muito mal este governo.
>A Base
>
>Henrique Custódio, Avante, 31/03/05
>
>Segundo os jornais, o novo ministro da Justiça,
>Alberto Costa, teve uma ideia cintilante.
>
>Decidiu que o seu ministério vai criar uma base de
>dados genética de identificação civil, que abrangerá
>toda a população portuguesa, tarefa que se propõe
>executar ao longo desta legislatura de quatro anos de
>maioria absoluta do PS.
>
>Para se aferir a originalidade da ideia convém
>acrescentar, deste já, que nunca nenhum Estado, em
>todo o planeta, se atreveu a tão radical feito, ou
>seja, nenhum Estado tomou a iniciativa de recolher
>sangue ou outras amostras biológicas a todos os
>cidadãos, com o objectivo de criar uma base de dados
>com o perfil genético de toda a gente.
>
>As razões são duas, e óbvias: a primeira, porque tal
>base de dados levanta gigantescas reservas no que toca
>às liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos, a
>segunda (embora mais «torneável» que a primeira, mas
>mesmo assim de peso), é que tal operação seria
>astronomicamente dispendiosa.
>
>Nada disso inibiu o ministro Costa, cujo gabinete fez
>saber - provavelmente na sorrelfa de quem lança umas
>biscas para ver o que dá – que tal base de dados visa
>«fins de identificação civil, que servirá igualmente
>fins de investigação criminal», especificando, quando
>confrontado com o facto de nenhum sistema semelhante
>existir nos 25 países da União Europeia, que o
>principal objectivo deste «projecto» é «facilitar a
>identificação de criminosos a partir de amostras
>recolhidas no local de um crime e compará-las depois
>com a base de dados nacional», a par de outras
>«utilidades», como «por exemplo, a identificação de
>vítimas em situações problemáticas».
>
>Está o ministro Costa carregado de razão: o que não
>falta por aí, em cada esquina do País, é criminosos a
>espalhar impunemente o seu ADN por tudo o que é sítio,
>num desaforo a que urge pôr cobro com uma valente base
>de dados genética que os identifique na hora, isto
>para não falar da possibilidade, sempre à espreita, da
>eclosão de catástrofes a semear cadáveres por todo o
>lado e a pedir identificação genética urgente.
>
>Perante isto, calem-se os velhos do Restelo do
>costume, silenciem-se os refilões de todas as cores a
>reclamar contra o estado da Justiça em Portugal:
>Vive-se uma crise nos tribunais? Há morosidade nos
>julgamentos? Acumulam-se os processos por
>insuficiência de funcionários judiciais, de
>magistrados e de instalações judiciárias? Prescrevem
>processos aos milhares por simples falta de
>julgamentos? O Estado perde diariamente milhões pela
>linear prescrição de processos? Amontoam-se presos em
>condições degradantes devido à insuficiência e ruptura
>das instalações prisionais? Abusa-se da prisão
>preventiva, porque os tribunais não dão vazão aos
>processos que se acumulam, às montanhas? A
>administração da Justiça está, cada vez mais, apenas
>ao alcance dos ricos, dado os incomportáveis custos
>que acarretam as acções judiciais?
>
>Tudo tretas. Nada disso importa, hoje.
>
>Na Justiça, o fundamental, o prioritário, o urgente
>até, consiste em se construir uma base de dados
>genética de toda a população portuguesa - feito,
>aliás, bem à feição da alma lusitana, sempre pronta a
>«dar novos mundos ao mundo». E este «mundo» do
>controle genético de toda a gente é, efectivamente,
>uma novidade absoluta no mundo, propriamente dito.
>
>É ponto assente: em matéria de Justiça ,o ministro
>Costa afirmou-se já um protagonista. E apenas em meia
>dúzia de dias de função...
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