| Subject: Bombardier: Retirada de máquinas gera protestos e surpreende Governo |
Author:
Lusa
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Date Posted: 19/03/05 19:59:48
Bombardier: Retirada de máquinas gera protestos e surpreende Governo
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O início da retirada de material da Bombardier gerou hoje os protestos dos ex-trabalhadores da unidade fabril, na Amadora, e surpreendeu o Governo, que já tinha agendado uma reunião com a administração da multinacional canadiana.
Hoje de manhã, um grupo de trabalhadores entrou nas instalações da Bombardier para começar a desmantelar a secção de robótica, perante a indignação dos ex-trabalhadores que mantêm uma vigília junto da fábrica há mais de duas semanas para evitar a saída de material.
No entanto, os ex-trabalhadores não conseguiram impedir a entrada dos funcionários que vão desmontar a secção de robótica devido à intervenção da Polícia de Intervenção, que permanece no local, mas garantem que tudo vão fazer para evitar a saída do material.
"Vamos tentar fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que o equipamento saia das instalações", disse António Tremoço, do Sindicato dos Metalúrgicos.
A decisão da Bombardier surpreendeu igualmente o Governo, visto já estar agendada uma reunião com a administração da multinacional canadiana para quarta-feira.
Sublinhando que a situação "não pode deixar de afectar a credibilidade e a boa fé da empresa no âmbito do processo negocial", o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) indicou, em comunicado, que a Bombardier não apresentou propostas concretas e aceitáveis de aluguer ou venda do complexo.
Fonte da Bombardier, contactada pela agência Lusa, garantiu que o material será reposto, se a CP assim o entender.
Reafirmando a disponibilidade da Bombardier para alugar ou vender a unidade fabril à CP, a mesma fonte realçou que a multinacional aguarda com "expectativa" o resultado da reunião no MOPTC, dado o arrastamento das negociações com a CP.
O líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares, que se solidarizou com os ex-trabalhadores, garantiu que vai aproveitar a apresentação do Programa do Governo, segunda-feira, no Parlamento para questionar o primeiro-ministro, José Sócrates, sobre a situação da Bombardier.
Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, alertou que o envio da Polícia de Intervenção para a fábrica da Bombardier "pode marcar o início do mandato" do Governo.
"Não é um sinal positivo o que está a acontecer na Bombardier. Assume um carácter muito grave e que pode marcar o início do mandato deste Governo a ida da polícia de choque para a empresa", afirmou Jerónimo de Sousa, no final de uma reunião do Comité Central do PCP.
A acção de protesto dos ex-trabalhadores da Bombardier, que se mantém junto à fábrica, conta já com a adesão de centenas de pessoas, nomeadamente habitantes do concelho da Amadora, como explicou à agência Lusa o coordenador das União dos Sindicatos de Lisboa, Arménio Carlos.
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