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Mª José Oliveira, Público, 16/06/05
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Date Posted: 16/06/05 20:59:57
In reply to:
Secretariado do Comité Central do PCP
's message, "Faleceu Álvaro Cunhal" on 14/06/05 13:39:29
Choveram cravos e rosas sobre o cortejo fúnebre do líder histórico
Mª José Oliveira, Público, 16/06/05
Eram 18h00. O carro funerário que transportava a urna de Álvaro Cunhal contornou a Praça do Chile, virou devagar para a Rua Morais Soares, e o choro, as palmas e os gritos de “Cunhal amigo, o povo está contigo” rebentaram em catadupa.
Os funcionários do PCP, os seguranças e os agentes da PSP não conseguiram controlar a multidão: as pessoas atropelavam-se na tentativa de tocar com a mão as janelas da carrinha funerária, mulheres e homens em pranto desobedeciam aos pedidos para não barrar a estrada e muitos foram quase esmagados pela multidão que se ergueu em polvorosa quando descortinou o veículo. Choveram cravos e rosas sobre o tejadilho do carro ao longo de todo o trajecto, desde a Avenida Almirante Reis até ao Cemitério do Alto de São João, onde o corpo de Cunhal foi cremado.
Milhares de pessoas, 250 mil segundo a PSP, empunhando bandeiras do PCP e de punho erguido, seguiram o veículo, resistindo estoicamente a um sol e um calor impiedosos.
Entoaram o hino do PCP, gritaram palavras de ordem (“25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, “A luta continua” ou “Assim se vê a força do PC”) e acenavam, com cravos vermelhos, para as pessoas que assomaram às varandas e janelas dos edifícios da Morais Soares. Foi sempre esta a imagem, coroada a vermelho, sempre as mesmas palavras de despedida que se mantiveram num percurso que demorou cerca de uma hora.
Alguns milhares de pessoas que ontem à tarde quiseram assistir ao último adeus a Álvaro Cunhal já perseguiam a urna desde o Centro de Trabalho Vitória, onde decorreu o velório. O cortejo fúnebre obrigou a PSP a cortar o trânsito na Avenida Almirante Reis e foi na Praça do Chile, onde confluíram camionetas oriundas de todo o país, que o funeral adquiriu uma dimensão verdadeiramente impressionante. As emoções, até então mais contidas, irromperam vigorosamente, as ovações pareciam ecoar em toda a cidade e drapejaram as bandeiras vermelhas. (…)
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