| Subject: Dos malfadados 7% do défice e do que mais adiante se verá... |
Author:
Ferraz Pereira
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Date Posted: 23/05/05 19:04:50
Chiça que agora só falam dos 7% do défice... E dos cortes nas despesas públicas e no aumento dos impostos.
Então é assim:
Pelo que nos diz João Bastos (ver aqui noutro "post" deste mesmo forum) "s processos em execução fiscal e em diferendo judicial deverão representar mais de quatro mil milhões de euros, quase 3,0% do PIB".
Vamos lá imaginar (não custa nada, né?...) que os nossos governantes e os seus funcionários públicos (em particular as máquinas judicial e fiscal) conseguem resolver a contento um terço daqueles 4.000.000.000 de euros.
Mas isso é só os "chicos espertos da legalidade" (aqueles que declaram receitas mas procuram reduzir os impostos a pagar).
Depois temos os "vigaristas de primeira ordem" (aqueles que vivem à sombra de actividades legítimas mas que se escondem do fisco com a complacência de todos nós - "quer o recibo com IVA ou sem IVA"...)
Em seguida temos os "vigaristas de segunda ordem" (aqueles que vivem à sombra de actividades legítimas mas que se escondem do fisco, sem mais. Nem recibos, nem declarações...)
Temos por fim (nesta categoria geral dos "vigaristas") os "vigaristas de terceira ordem" (aqueles que vivem à conta de actividades ilegítimas e ilegais...)
Estes três grupos constituem a chamada "economia paralela", sendo que Portugal é campeão europeu na matéria. Estima-se em 30% do PIB.
Vamos lá imaginar (não custa nada, né?...) que os nossos governantes e os seus funcionários públicos (em particular as máquinas policial, judicial e fiscal) conseguem reduzir a economia "informal" para níveis mais aceitáveis (a Dinamarca, por exemplo, terá 15%...).
Vamos imaginar que aquilo se reduzia para 20% (já não era mau...). Isto quer dizer que se juntavam mais 10% do PIB à massa colectável (se estiver a pensar mal, digam-me...).
Se o fisco fosse lá buscar àqueles 10% uns 30% de IRC+IVA+IRS..., tinhamos mais uns 3% do PIB em dinheiro de impostos a passar pelo Estado.
Depois (e por fim) temos os benefícios fiscais da "Banca"
Em 2003, os 42 bancos a operar em Portugal lucraram 1648 milhões de euros, ou seja 1,5% do PIB. Se em vez de pagarem o que pagam, pagassem "mais um bocadinho" (mais um terço..) tinhamos mais 0,5% do PIB a passar pelos cofres do Estado. Assinale-se que a esse respeito alguns comentaristas acham que o Estado é fraco e não sabe mandar. O sr. Paulo Ferreira (Jornal de Negócios) por exemplo, não está com meias medidas – a culpa é dos políticos. Os banqueiros limitam-se a aproveitar as benesses fiscais... Tadinhos, tão inocentes que eles são.
Recapitulando:
O Estado podia ir buscar 1% ao "contencioso", mais 3% à "economia paralela", mais 0,5% aos "bancos". Ao todo já tínhamos aqui não os 7%, mas apenas 2,5% de défice.
Depois há a Lei das Rendas (estão para aí umas 100.000 rendas susceptíveis de actualização que podem dar ao Estado mais uns 120 milhões de euros por ano... E toda a actividade de construção civil de recuperação e restauro de edifícios e bairros com interesse histórico e turístico.
Depois há...
Ou seja aquela estória do défice de 7% resolvia-se "com uma perna às costas". Sem tocar no maralhal que já paga os impostos!!!
Mas isto sou eu a sonhar alto.
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