| Subject: Contra os referendos |
Author:
LUÍS OSÓRIO
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Date Posted: 19/05/05 18:43:38
Contra os referendos
LUÍS OSÓRIO, A Capital, 19-05-05
A insistência do PS em marcar o mais rapidamente possível o referendo à lei da interrupção voluntária de gravidez, não faz qualquer sentido.
(...)
No entanto, a questão central não é a do timing do referendo, mas a da existência do próprio referendo. A minha posição sobre o aborto é contrária à maioria dos que me estão mais próximos, é até contrária à larga maioria dos jornalistas com quem trabalho, mas, ao mesmo tempo que questiono a ausência de limites para a interrupção da gravidez, também questiono a existência de referendos para legislar sobre matérias cujo poder de decisão deveria pertencer, única e exclusivamente, aos políticos na Assembleia da República.
Nas eleições legislativas escolhemos com o nosso voto, e mediante programas eleitorais disponíveis para quem queira ler, representantes que deveriam assumir as suas responsabilidades. Os referendos, na maioria dos casos, servem como instrumento para outros combates e cenários.
Que o aborto, e a terrível dor de todas as mulheres que os fazem, não seja mais uma vez utilizado para verdadeiras manifestações de radicalidade entre histéricos de um lado e do outro. Se o PS tem maioria absoluta que assuma as responsabilidades e aprove a lei no Parlamento. A democracia representativa tem de ser respeitada, mesmo que, por vezes, defendamos opções contrárias aos que escolhemos. Deveriam ser estas as regras do jogo.
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