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Para que nunca mais aconteça o fascismo
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Date Posted: 8/05/05 19:24:26
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Para que nunca mais aconteça o fascismo
's message, "A Revolução de Outubro, o Tratado de Brest-Litovsk e a intervenção (...) contra o poder soviético" on 8/05/05 19:13:33
Para que nunca mais aconteça o fascismo, Editorial Avante, 1996 (páginas 49-57)
A guerra podia ter sido evitada (2)
A posição da União Soviética
Perante a manifesta violação da “não intervenção” pelos fascistas alemães e italianos e pelos monopólios dos países capitalistas, e depois de reiterados avisos, a URSS declara oficialmente a 28 de Outubro que “não pode considerar-se afectada pelo acordo em maior grau que qualquer dos outros signatários”, e de facto, durante toda a guerra, só a URSS cumpriu o seu dever de ajuda política, económica e militar à defesa da República. Quando a 7 de Novembro de 1936 os fascistas começaram a ofensiva contra Madrid, o legítimo governo espanhol já dispunha dos primeiros aviões e tanques de fabrico soviético.
Em 7 de Janeiro de 1937 é estendida pelos EUA a Espanha a legislação sobre “neutralidade” da qual mais tarde Franco diria: “A legislação sobre a neutralidade e a rapidez com que foi promulgada e posta em prática constitui um gesto que os nacionalistas não esquecerão nunca”.
A “política de apaziguamento” e a capitulação de Munique
A “política de apaziguamento” da França e da Inglaterra em relação à Alemanha nazi, consistiu numa série de cedências e falta de resposta militar às escaladas de sucessivas agressões e provocações expansionistas do nazismo alemão nos anos imediatamente anteriores ao desencadeamento da II Guerra Mundial (1936-1939).
- Em 7 de Março de 1936 a Alemanha de Hitler invadiu, com um exército de 30.000, a zona desmilitarizada do Reno, sem qualquer resposta das potências ocidentais, apesar da sua enorme superioridade militar.
- Entre 1936 e 1939, a Alemanha nazi e a Itália fascista intervêm directamente ao lado dos fascistas espanhóis na Guerra Civil de Espanha, sob o silêncio cúmplice das potências ocidentais, que definem uma “política de não intervenção”.
- De 11 a 13 de Março de 1938, a Alemanha nazi dá mais um passo na agressão: faz a anexação da Áustria (Anschluss). A resposta a Ocidente foi a mesma de sempre: silêncio, cumplicidade, deixar andar…Em Portugal, Salazar apoia.
Por exemplo, em 27 de Maio de 1938 – já depois da anexação da Áustria – Bonnet, ministro dos Negócios Estrangeiros francês declara ao embaixador alemão em Paris que “o governo francês aprecia os esforços sinceros empreendidos pelo governo alemão a bem da paz”.
- Em 29 e 30 de Setembro de 1938 tem lugar a Conferência e o Pacto de Munique entre Hitler, Mussolini, Chamberlain (primeiro-ministro inglês) e Daladier (primeiro-ministro francês) donde o governo checoslovaco bem como a URSS são excluídos. A região dos Sudetas – pertencente à Checoslováquia – é cedida à Alemanha nazi que alguns meses depois (14-16 de Março de 1939) invade e ocupa a Boémia e a Morávia perante, uma vez mais, a passividade das potências ocidentais.
O objectivo dos governantes ocidentais era claro: virar contra a URSS a agressão nazi que procuravam “acalmar” a ocidente à custa de cedências e abdicações sucessivas.
Os antecedentes de Munique
A região dos Sudetas, parte integrante da Checoslováquia, foi desde sempre reivindicada por Hitler a pretexto de nela residir uma importante colónia alemã.
Com o apoio dos nazis, os alemães dos Sudetas organizaram-se e começam a exigir a autonomia desse território.
O presidente Benes, da Checoslováquia, convoca a 6 de Setembro os líderes alemães dos Sudetas e cede a todas as suas reivindicações, de acordo com as pressões de Londres e de Paris.
Pouco tempo antes, um editorial do Times aconselhava o governo checo a ceder os Sudetas à Alemanha, pois fazendo-o ficariam um “Estado mais homogéneo”. Esquecia esse editorial que cedendo a Checoslováquia os Sudetas perderia não só as defesas naturais das montanhas da Boémia, mas também a sua linha de fortificações militares ficando assim completamente indefesa perante a Alemanha.
Os líderes Sudetas recusam o acordo com Benes, por terem recebido instruções de Berlim nesse sentido.
A 10 de Setembro, durante o Congresso do partido nazi, em Nuremberga, Hitler renova as ameaças de invasão da Checoslováquia, se a questão dos Sudetas não for resolvida segundo as suas exigências.
O discurso de Hitler origina uma revolta nos Sudetas que o governo checo se vê obrigado a sufocar pela força. Heilen, o líder alemão dos Sudetas, foge para a Alemanha e declara que a única solução é a anexação dos Sudetas pela Alemanha.
A Inglaterra e a França “negoceiam” com Hitler
No dia 13 de Setembro, o governo francês reúne para discutir a situação e fica dividido na questão sobre se deveria ou não honrar os seus compromissos para com a Checoslováquia. Daladier apela a Chamberlain para que tente encontrar uma solução com Hitler.
Chamberlain e Hitler encontram-se em Munique a 15 de Setembro e o ditador nazi compromete-se a não tomar nenhuma iniciativa militar até que conferenciem novamente.
Após a partida de Chamberlain, que vai conferenciar com Daladier, Hitler acelera os preparativos militares para invadir a Checoslováquia e pressiona os governos húngaro e polaco para intensificarem as suas reivindicações territoriais em relação àquele país.
Pouco tempo depois, o Exército de Libertação dos Sudetas, com o apoio de unidades SS alemãs, ocupa as cidades fronteiriças de Asch e Eger.
Entretanto os governos francês e inglês conferenciavam e preparavam a traição à Checoslováquia, de quem eram aliados, mas que nem sequer consultaram.
Com completo cinismo, Daladier e Chamberlain chegam a uma posição comum que consistia na obrigação da Checoslováquia em devolver à Alemanha todos os territórios dos Sudetas com mais de 50% de alemães, a fim de assim ficar assegurada “a manutenção de paz e a salvaguarda dos interesses vitais da Checoslováquia”.
A Inglaterra e a França propunham-se como garantia das “novas fronteiras”, funcionando essa garantia como substituição dos tratados que o Estado checo tinha com a França e a URSS.
Posto perante esta posição o governo checo recusou-a, mas os enviados diplomáticos francês e inglês ameaçaram que se desinteressariam do futuro da Checoslováquia se não fosse aceite.
Chamberlain cede às exigências de Hitler
A 21 de Setembro, Litvinov, Comissário dos Negócios estrangeiros da URSS, declarava em Genebra que a URSS honraria os seus compromissos para com a Checoslováquia. Mas, nesse mesmo dia, a Checoslováquia aceitou o plano anglo-francês.
O governo demitiu-se no dia seguinte e sucedeu-lhe um “governo de unidade nacional” chefiado pelo general Jan Sirovy. Chamberlain parte para Godesberg a 22 de Setembro para novo encontro com Hitler. O plano anglo-francês é liminarmente recusado por Hitler, que exige a Chamberlain a evacuação checa dos territórios cedidos até 28 de Setembro. Chamberlain acaba por propor a data de 1 de Outubro e Hitler aceita-a.
No regresso, Chamberlain não consegue convencer o seu gabinete a aceitar o ultimato de Hitler. O governo francês também se opõe e inicia a mobilização geral, que também já fora iniciada na Checoslováquia. Hitler continua a mostrar-se intransigente frente aos enviados diplomáticos britânicos e ameaça com a guerra.
A França mobiliza 65 Divisões ao fim de 6 dias junto da fronteira alemã. A Checoslováquia mobiliza 1 milhão de homens. As forças francesas e checas superavam no dobro as alemãs.
Chamberlain volta a pressionar o presidente Benes para que aceite a ocupação alemã a partir de 1 de Outubro. Contrafeita, a Inglaterra inicia a mobilização geral e Chamberlain faz um discurso ao país no qual mostra o seu interesse pelo futuro da Checoslováquia.
Os malabarismos de Hitler
Face à situação criada, Hitler recua e garante a Chamberlain que não pretende acabar com a existência da Checoslováquia e que se compromete solenemente em respeitar o território remanescente desse país.
Chamberlain agarra com as duas mãos as “garantias” de Hitler e propõe uma Conferência Internacional em que participem a Alemanha, a Itália, a Inglaterra e representantes do governo checo.
Chamberlain e Hitler estão de acordo em mais um ponto: a exclusão da URSS, potência directamente envolvida na situação por via do Tratado Checo-Soviético de Assistência Mútua.
Hitler aceita e propõe um encontro para o dia seguinte (29) em Munique, excluindo no entanto os representantes checos, que assim ficarão privados de assistir à sua sentença de morte.
Curiosamente, a proposta de Chamberlain pode ter salvo Hitler de ser derrubado, pois um grupo de generais da Wehemacht, capitaneado pelo Chefe de Estado-Maior, general Halder, preparava-se para o fazer, visto que discordavam do desencadeamento da guerra por pensarem que a Alemanha não tinha condições para a vencer.
Hitler e Mussolini concertam as suas posições para a Conferência, o que não acontece com Chamberlain e Daladier, tal era o seu demissionismo.
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