Author:
Henrique Medina Carreira
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Date Posted: 27/09/05 16:25:42
In reply to:
Cristina Ferreira
's message, "O que têm a Finlândia e a Irlanda, que Portugal não tem?" on 27/09/05 16:23:46
Os modelos de crescimento económico adoptados pela Finlândia e pela Irlanda conduziram estes dois países a desenvolvimentos acima da média europeia, mas seriam hoje "dificilmente repetíveis", defende Henrique Medina Carreira. O advogado lembra as circunstâncias muito diferentes que explicam o sucesso das suas estratégias: foram desencadeadas antes da União Europeia ter aberto as suas fronteiras a Leste e antecederam a ascensão das economias asiáticas emergentes. "Provavelmente hoje um investidor já não vai para a Irlanda, mas sim para a Roménia ou para a Ásia", onde vigoram custos de produção imbatíveis, afirma.
Segundo o Índice de Confiança publicado em 2004 pela ATKearney, a China ultrapassou já os Estados Unidos nos fluxos de investimento directo estrangeiro, como primeiro destino dos decisores de todo o mundo, sendo mesmo o terceiro exportador mundial, sobretudo de commodities (mercadorias indiferenciadas). E em 2007 a Índia deverá alcançar a posição de segundo maior empregador mundial, dada a aposta no sector financeiro e nos serviços. Em conjunto com a Rússia, o Brasil e o Japão, a China e a Índia vão obrigar a Europa a reposicionar-se do ponto de vista geo-estratégico e a mudar o eixo do seu modelo de crescimento económico. Os economistas têm proposto a revisão do Estado social, "sorvedor de fundos públicos".
Para além de possuírem recursos naturais e financeiros, as cinco economias praticam custos laborais muito baixos, apostam na educação, no comércio e nos sistemas de informação e, sobretudo, actuam no mercado global segundo novas regras: especializam-se em áreas de actividade. Por isso Medina Carreira defende que Portugal só tem um caminho a seguir para promover o seu desenvolvimento: apostar numa "obra de fundo que fique para sempre". Ou seja, diz, "reduzir o peso do Estado e, em simultâneo, investir na justiça e depois entregar a educação a quem sabe".
A economista do BPI, Susana Santos, autora do estudo "O que têm a Finlândia e a Irlanda, que Portugal não tem?", sublinha que na Irlanda e na Finlândia, "existe um ambiente favorável à criação de novas empresas, com baixa burocracia", mas também "leis laborais e regimes fiscais mais leves", indutores de crescimento económico. A taxa de IRC na Irlanda é de 15 por cento, sendo em Portugal de 27 por cento - o alto nível tributário português é compensado pela concessão de regimes de excepção, que as multinacionais aproveitam durante o período de tempo mínimo contratualizado, mas que "não as motiva a ficar quando aparecem países mais competitivos a nível fiscal". C.F.
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