Author:
Cristina Ferreira
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Date Posted: 27/09/05 16:23:46
In reply to:
Eunice Lourenço
's message, "O que é feito do Plano Tecnológico?" on 26/09/05 19:03:33
Por ter adoptado estratégias erradas, Portugal perde em todas as áreas se comparado com a Irlanda e a Finlândia, que tinham condições semelhantes quando aderiram à União Europeia, e estão entre os 10 mais competitivos do mundo
A falta de qualidade do sistema educativo tem-se revelado o principal problema de competitividade em Portugal, que quando aderiu à União Europeia (UE) enfrentava os mesmos desafios que a Irlanda e a Finlândia. Hoje, o crescimento português é, dos três, o único que se mantém abaixo da média europeia.
A explicação estará na adopção de diferentes modelos de crescimento económico. Depois de se juntar à então Comunidade Económica Europeia, em 1973, a Irlanda optou por medidas de captação de investimento externo e apostou na formação. A partir da sua entrada em 1986, Portugal construiu infra-estruturas. E a Finlândia, que aderiu em 1995, criou incentivos públicos à inovação e investigação.
Os resultados estão à vista: Portugal perde, ficando aquém do seu potencial. Isto apesar da evolução positiva registada nos índices de desenvolvimento humano. Podia ter seguido outro caminho? Podia. E ainda pode. Mas terá sempre de investir na educação e na formação técnica dos seus cidadãos - os únicos activos que nunca se desvalorizam e permitem "enfrentar com mais tranquilidade os momentos de crise".
"Portugal perde na comparação directa com os países ricos, mas também com aqueles que à partida apresentavam condições demográficas, sociais e económicas semelhantes à data das respectivas adesões à União Europeia", conclui o Banco Português de Investimento (BPI) num trabalho denominado "O que têm a Finlândia e a Irlanda, que Portugal não tem?". O estudo da autoria da economista Susana Santos lembra que "o desenvolvimento aumentou nas últimas décadas em Portugal, mas a um ritmo aquém do potencial".
"As razões que explicam que o crescimento de Portugal não tenha acompanhado o da Irlanda e da Finlândia têm sobretudo a ver com o grau de formação da força de trabalho destes dois países e com uma aposta das autoridades nas novas tecnologias, o que permitiu criar um ambiente profícuo para o desenvolvimento de empresas neste sector ", explica Cristina Casalinho, directora do gabinete de estudos do BPI. Ambos os países investiram na educação: a Finlândia começou ainda nos anos 50, enquanto a Irlanda despertou para essa necessidade na década de 60 e "padece ainda de falta de mão-de-obra qualificada".
Os três Estados-membros seguiram vias distintas para promover o seu crescimento económico. Portugal apostou na construção de uma rede de infra-estruturas "moderna e diversificada" (estradas, escolas, unidades de saúde) que fosse "um factor competitivo e atractivo de investimento estrangeiro", uma estratégia que assentou ainda em baixos custos de mão-de-obra. Em 2005, "a nossa rede de auto-estradas em relação à área geográfica é duas vezes superior à finlandesa e nove vezes à irlandesa". A Irlanda ainda hoje tem "uma rede de transportes terrestres pouco sofisticada e os nórdicos preferiram investir na ferrovia e menos em estradas".
A Finlândia, o último dos três a ser recebido pela União, optou por "promover as condições para a captação de investimento directo estrangeiro (IDE)" e orientou o seus recursos financeiros e humanos para os sectores de inovação, "geradores de valor acrescentado, privilegiando as tecnologias de informação", promovendo a iniciativa privada com parceria pública. Os nórdicos basearam o seu crescimento na exportação dirigida para a zona euro. A Irlanda, que aderira em 1973, tivera uma estratégia parecida com a finlandesa, "investindo na captação de IDE, orientado para as novas tecnologias", mas esta com regimes fiscais e laborais favoráveis.
Mesmo assim, entre 1986 e 2003, já incorporando os anos em que divergiu, o PIB per capita português cresceu seis por cento - abaixo dos 8,3 por cento da Irlanda, mas acima da Espanha (5,8 por cento) e da Grécia (4,7 por cento). É só em 2003, quando Portugal entra em recessão, que a tendência de divergência com os parceiros europeus iniciada em 1997 se torna visível, reflectindo erros que impediram que se aproveitasse a queda dos juros para consolidar as finanças públicas, se reduzisse o Estado e a despesa, o que levou à perda de competitividade e de capacidade de afirmação económica.
Por outro lado, "ao contrário da Irlanda e da Finlândia não existe entre as nossas empresas uma cultura de promoção da investigação como suporte do desenvolvimento da actividade, pois a maioria não tem dimensão suficiente para o fazer", diz Casalinho, que evidencia que a Irlanda dispõe a seu favor de trunfos únicos: os seus cidadãos falam inglês e têm custos laborais mais baixos que o vizinho Reino Unido. Isto para além de estar na zona euro e de Londres se manter fora. Um enquadramento que levou empresas inglesas e americanas a deslocalizar as suas sedes para Dublin.
Com um crescimento médio de nove por cento entre 1995 e 2001, a indústria ganhou à agricultura o papel de motor da economia irlandesa, sendo responsável por 38 por do cento do PIB, 80 por cento das exportações e 28 por cento do emprego. E a Irlanda está agora a beneficiar de um aumento nos gastos dos consumidores (o endividamento das famílias disparou) e do investimento na construção e no comércio.
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