Author:
Cristina Ferreira
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Date Posted: 27/09/05 17:03:44
In reply to:
Cristina Ferreira
's message, "O que têm a Finlândia e a Irlanda, que Portugal não tem?" on 27/09/05 16:23:46
"Estamos perante duas economias (Irlanda e Finlândia) que tinham recursos ao nível da mão-de-obra adequados para dar resposta às necessidades de desenvolvimento das novas tecnologias e o Estado tinha criado as condições favoráveis ao surgimento de novas empresas". Ou seja, diz Cristina Casalinho, há 30 anos, os decisores irlandeses e finlandeses apostaram no modelo do futuro.
Na Finlândia, "o Estado tomou a liderança do processo de criação das empresas", enquanto na Irlanda "actuou no sentido de atrair empresas estrangeiras". Mas é o exemplo finlandês que merece destaque "pois permite um acréscimo sustentado do rendimento nacional, enquanto no irlandês, o produto interno pode aumentar sem que o rendimento nacional cresça em conformidade", observa. Porquê? "Porque as empresas estrangeiras tenderão a repatriar alguns dos lucros obtidos na Irlanda". E adianta que, "para além disso, o know-how tecnológico poderá ficar retido nas empresas-mãe, nunca passando para o país, o que coloca dificuldades em caso de deslocalização para mercados mais atraentes".
No caso finlandês, "o know-how é local, e não se incorre num risco tão significativo de abandono do país". Se, por exemplo, a Nokia sair da Finlândia para se instalar noutro local, "será a sua produção que deslocaliza e não o desenvolvimento, que é o que tem maior valor-acrescentado". É por essa razão que "este caso é mais interessante que o irlandês, porque resulta de uma evolução de dentro para fora e da conjugação de vontades públicas e privadas, em que o Estado funcionou como motor/promotor de inovação".
Entre 1986 e 1990, em plena crise económica, as exportações finlandesas representavam 24 por cento do PIB, passando para 40 por cento entre 1996 e 2000, atirando a Finlândia para líder mundial do desenvolvimento. A Finlândia ficou mais rica, "mas as assimetrias regionais estão a aumentar em função da localização das indústrias".
O modelo irlandês assenta ainda numa política de emigração favorável à expansão económica, contribuindo para uma taxa alta de crescimento da população. A taxa de fertilidade (16 nascimentos por cada mil habitantes) é superior à média europeia (6/1000). Já Portugal e a Finlândia apresentam níveis baixos de aumento da população e seguem estratégias de emigração menos vantajosas: a taxa de crescimento populacional irlandesa é sete vezes superior à portuguesa e à finlandesa. "O milagre económico irlandês é também (ou sobretudo) um milagre da população", considera o estudo do BPI. ■ CRISTINA FERREIRA

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