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Paulo Baldaia. DN, 17/09/05
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Date Posted: 17/09/05 11:47:38
In reply to:
www.comunistas.info
's message, "Do poder local ao governo local" on 17/09/05 11:16:24
Tachos para os rapazes
Paulo Baldaia. DN, 17/09/05
A crise parece que não toca a todos. O que está a dar, neste país em crise, é ser amigo do engenheiro Sócrates O Executivo desbarata o capital de popularidade que permite avançar com as reformas, como quem troca a credibilidade por um prato de lentilhas O mal é de Soares, que ainda não se livrou da fama de ser o candidato do PS, e que, por isso, poderá ser castigado
Gonçalo Viana
Oengenheiro José Sócrates já deve ter perguntado aos seus colaboradores se há mais alguém para meter. Guterres, autor da célebre frase no jobs for the boys - em tradução livre, não há tachos para os rapazes -, resistiu bastante mais tempo e, mesmo quando claudicou, teve mais vergonha na cara.
Os tempos eram outros, não se pediam sacrifícios aos portugueses, antes se vivia no desengano do dinheiro fácil, e ainda assim o aparelho do PS não teve tudo o que queria. Agora, é só meter. Mete-se o Vara na administração da Caixa, o Gomes na Galp, o Oliveira Martins no Tribunal de Contas, o Rui Cunha na Santa Casa e a Maria Rui em Bruxelas. Há dezenas de outros exemplos.
Mas o Governo não tem só defeitos, também tem virtudes. As guerras com os diferentes lóbis dos funcionários públicos - começando pelos militares, passando pelos médicos, professores e juízes e acabando nos funcionários das repartições - merece um grande aplauso. O Executivo de José Sócrates está a mexer no que nenhum Governo em Portugal teve coragem de tocar. Honra lhe seja feita.
Não há razão nenhuma para os funcionários públicos - os únicos que têm emprego garantido para toda a vida - serem beneficiários de um regime escandalosamente melhor do que o dos restantes trabalhadores, na doença e na aposentação.
As sondagens mostram que os portugueses compreendem e aceitam esta cruzada, mas ficam com pele de galinha ao lerem as notícias sobre os salários dos rapazes que têm acesso aos tachos. A crise parece que não toca a todos. O que está a dar, neste país em crise, é ser amigo do engenheiro Sócrates.
Apetece abrir aqui um parêntesis para perguntar por que razão o Executivo não toca no sistema de saúde privilegiado dos profissionais da comunicação social. A resposta é fácil de dar. Porque a poupança conseguida com o fim da Caixa dos Jornalistas não é signifi- cativa e, acima de tudo, porque o Executivo não quer lidar com o mau feitio da corporação.
Presidenciais. Andamos nisto, com um Executivo a desbaratar o capital de popularidade que permite avançar com as reformas, como quem troca a credibilidade por um prato de lentilhas.
O mal é de Soares, que ainda não se livrou da fama de ser o candidato do PS, e que, por isso, poderá ser castigado. Bastava que Sócrates não andasse a distribuir benesses pelos seus apaniguados e conduzisse bem a campanha - já não favorecia Cavaco Silva. Se os portugueses tivessem apenas de se preocupar com as reformas do Executivo, Cavaco teria de se descair e até poderia parecer que era ele o candidato do PS. A vantagem do ex-primeiro--ministro é que ele aparece como defensor do que os eleitores apoiam - as reformas das políticas - e como opositor do que os eleitores reprovam - as reformas dos políticos.
Se os portugueses esperam que o próximo Presidente seja uma espécie de super-primeiro-ministro, então é mesmo importante que os candidatos presidenciais digam o que pensam sobre a governação. Os mais atentos sabem o que cada um deles defende e não haverá grandes surpresas.
Soares vai ter de descolar rapidamente do PS. O ex-presidente vale mais que o seu partido e não pode deixar-se ficar na posição de refém. As sondagens que mostram os socialistas à frente nas intenções de voto reflectem o apoio dos portugueses às medidas difíceis de que o País precisa, mas os eleitores não deixarão de castigar nas urnas quem quer que se apresente como candidato do PS.
sem vergonha. O debate político consegue descer a um nível "abaixo de cão". A expressão popular reflecte o que se passou no frente-a- -frente entre os dois principais candidatos à presidência da Câmara de Lisboa. Nenhum dos dois soube estar ao mais alto nível, mas a prestação do doutor Carrilho é merecedora de um castigo nas urnas.
A lamentável cena televisiva, com Carmona de mão estendida e Carrilho mal educado a virar-lhe as costas, mostra definitivamente que o intelectual candidato do PS não é merecedor da confiança dos lisboetas. Carrilho inventa e não sabe estar na política. Carrilho é mau de mais para ser verdade.
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