VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

8/05/26 9:02:31Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 123[4]5678 ]
Subject: Um 11 de Setembro em 1945: O mundo só soube o que se passara um mês depois da bomba


Author:
MIGUEL GASPAR, 06/05/08
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 6/08/05 9:00:26
In reply to: Rui Namorado Rosa 's message, "6 e 9 de Agosto, 60º aniversário do pior ataque terrorista da história: Hiroshima e Nagazaki hoje" on 3/08/05 11:21:33

Um 11 de Setembro em 1945 - O mundo só soube o que se passara um mês depois da bomba

MIGUEL GASPAR, 06/05/08

Na terça-feira, 7 de Agosto de 1945,o Daily Express titulou a toda a largura da primeira página "A bomba que mudou o mundo." Um título quase igual a muitos dos publicados no dia seguinte ao 11 de Setembro de 2001. Com um intervalo de mais de meio século, a arte jornalística de um acontecimento em meia dúzia de palavras desaguou na mesma fórmula. Num e noutro caso, perante o desconhecido, os jor- nalistas declararam a única certeza possível: a de que nada iria ser como antes.

As semelhanças entre as duas datas acabam aí. O 11 de Setembro entrou em directo nas casas de todo o mundo. A notícia da explosão da bomba atómica em Hiroxima foi cuidadosamente filtrada desde o primeiro dia. As imagens recolhidas no ground zero de 1945 foram mantidas fora do conhecimento do grande público durante duas décadas. Em 1959, quando o realizador francês Alain Resnais filmou Hiroshima Mon Amour na primeira cidade atomizada da história, as imagens captadas por japoneses e americanos no local das explosões continuavam proibidas.

As notícias publicadas na imprensa de todo o mundo no dia seguinte a Hiroxima tinham todas a mesma fonte os 14 press releases enviados pelo Pentágono e escritos por William L. Laurence, o especialista em assuntos científicos do New York Times que trabalhou como relações públicas do Projecto Manhattan. E, ao mesmo tempo, publicava reportagens no Times, que lhe valeram um Pulitzer pela cobertura do... Projecto Manhattan. As notícias oficiais norte-americanas descreviam a explosão como um enorme feito que permitiria "salvar milhares e milhares de vidas americanas". Começou nesses comunicados a construção da legitimação do bombardeamento nuclear. Mas isso implicaria que, nas semanas e meses seguintes, qualquer relato ou imagem do que se passara no terreno fosse censurado.

Mas o mundo não sabia ao certo o que era aquela força terrível que Laurence, o primeiro jornalista a assistir ao vivo a uma deflagração nuclear, descrevia como "um meteoro que parece vir do centro da terra e não do espaço". Os títulos do New York Post e do Diário de Notícias falam apenas numa bomba muito mais poderosa do que as conhecidas. No DN, a notícia é até secundarizada (o grande destaque ia para a morte do poeta francês, Paul Valéry), o que mostra que, num país como Portugal, a consciência do que se passara era remota.

A 'PRAGA ATÓMICA'. No Japão, os jornalistas permaneciam embedded, a bordo do couraçado Missouri. Depois da rendição, um free lancer australiano, Wilfred Burchett, ignorou a proibição de viajar pelo Sul do Japão e chegou a Hiroxima. Escreveu "não parece uma cidade bombardeada. Parece que um rolo compressor a percorreu e destruiu tudo o que lá existe".

A 5 de Setembro de 1945, Burchett publicou a sua história no Daily Express, de Londres. O título era A Praga Atómica. O jornalista descrevia uma cidade onde não existia "um prédio de pé num raio de 30 milhas quadradas". Sobretudo, o jornalista descrevia a agonia pós-nuclear, as pessoas que continuavam a morrer, com a pele e o cabelo a cair. Foi o primeiro a falar nas sombras de pessoas volatilizadas que ficaram nas paredes. Antes de todos, Burchett descreveu o holocausto nuclear em toda a sua extensão e compreendeu a dimensão do terror. O Pentágono reagiu. William Laurence escreveu, no New York Times, que a história de Burchett era falsa e que não havia radiações no sítio do Novo México onde a bomba foram ensaida pela primeira vez.

Morreram muito mais pessoas em Hiroxima e Nagasáqui do que no 11 de Setembro de 2001 mas o mundo demorou muito mais tempo a compreender a extensão da tragédia

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Japão recorda 60 anos do holocausto nuclearAndy Rain, DN, 05/08/05 6/08/05 9:06:51


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.