| Subject: LIBERDADE DE IMPRENSA, VERSÃO IMPERIAL: «O pequeno príncipe», confiscado pelas alfândegas de Bush |
Author:
JEAN-GUY ALLARD
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Date Posted: 11/08/05 23:07:46
In reply to:
José Casanova, Avante, 11/08/05
's message, "O descobridor" on 11/08/05 22:40:55
LIBERDADE DE IMPRENSA, VERSÃO IMPERIAL
«O pequeno príncipe», confiscado pelas alfândegas de Bush
POR JEAN-GUY ALLARD — especial para o Granma Internacional
A administração norte-americana, que despende a cada ano milhões de dólares em caluniar Cuba de obstaculizar a livre circulação de livros, confiscou recentemente na fronteira com o México centenas de textos em inglês destinados à biblioteca da universidade de Havana.
O cúmulo do absurdo! Dentre as obras arrestadas, salientam títulos tão «controversos» como O pequeno príncipe, do francês Antoine de Saint Exupéry e O amante de lady Chatterley, do britânico David Herbert Lawrence.
Os volumes arrestados fazem parte dos objetos tirados aos membros da Caravana da Amizade dos Pastores pela Paz, pelos agentes das Alfândegas dos EUA, no posto fronteiriço de McAllen, no Texas, em 21 de julho, sob as ordens do Departamento do Comércio.
A lista de livros confiscados é extensa. Eis alguns autores cujas obras agora ficam guardadas nos armazéns do Departamento da Segurança da Pátria, em Hidalgo, Texas.
• As memórias de Sir Winston Churchill, cujos conceitos políticos não eram exatamente de esquerda (Closing, the ring, The grand alliance, The finger of fate, entre outras).
• O pequeno príncipe, de Antoine Saint Exupéry, o conto mítico do escritor e aviador francês.
• O romance O grande inquisidor (Os irmãos Karamazov), de Fedor Dostiévski, com seu título premonitório.
• Ernest Hemingway, o mais famoso romancista norte-americano, conhecido por sua paixão pela ilha de Cuba, com The sun also rises.
• O amante de lady Chatterley, do britânico D. H. Lawrence , uma obra clássica da literatura romântica.
• How green was my valley, o best-seller do autor norte-americano, cuja versão cinematográfica fez grande sucesso.
• A Idade da razão, do francês Jean-Paul Sartre, que, por sinal, apareceu no Index Librorum Prohibitorum (no Índex de livros proibidos» da Igreja até 1948.
• O volume maravilhoso Vinte mil léguas submarinas, do francês Jules Verne.
Séculos depois de o frei Tomas de Torquemada incentivar a destruição de livros, o qual abriu caminho à inquisição, a administração de Bush que ordenou neste ano a revisão mais minuciosa das doações transportadas pelos Pastores pela Paz, chegou ao ponto de reter volumes que há mormente em bibliotecas ou são vendidos em Cuba em sua edição original ou em sua versão em espanhol.
A MÃO DA CIA
A medida torna-se ainda mais absurda quando todo mundo sabe que os bibliotecários norte-americanos foram considerados como possíveis «colaboradores» do plano de anexação elaborado pelo Departamento de Estado — o relatório ao presidente da chamada Comissão para a Assistência a uma Cuba Livre —, embora eles se recusassem em várias ocasiões a cooperar com esta manobra suja implementada pelos Estados Unidos contra Cuba.
O representante mais conhecido das operações empreendidas sob as ordens da Casa Banca, para apoiar esta política oficial, é sem dúvida, o nova-iorquino Robert Kent, com codinome de Robert Emmet, o qual fundou em 1999 uma organização denominada Amigos das Bibliotecas Cubanas, a favor das conhecidas bibliotecas «independentes» na Ilha, criadas sob o patrocínio da Repartição de Interesses dos EUA em Havana.
Num texto recém-publicado pelo respeitado site norte-americano counterpunch.com, sob o título The Scheme to Infiltrate Cuba’s Libraries (O plano para filtrar as bibliotecas de Cuba), a jornalista e pesquisadora norte-americana Diana Barahona, de South Beach, Califórnia, contou pormenorizadamente que Kent, numa viagem a Cuba, em maio de 1999, cumpriu uma missão, cujas características o identificam, sem dúvida, com os serviços secretos norte-americanos.
«Kent contatou Aleida Godínez, uma agente dos serviços secretos cubanos que fingia ser dissidente», informou Barahona. «Godínez afirma que Kent se apresentou como Robert Emmet e até levava um passaporte com esse nome e sobrenome. Ele disse que tinha vindo como enviado do ex-agente da CIA, Frank Calzón, atualmente diretor executivo do Centro para uma Cuba Livre. Emmet não levou livros e também não passou tempo estudando nenhuma biblioteca.
Destacou muito o papel da imprensa independente», comentou Godínez. «Ele não disse absolutamente nada a respeito das chamadas bilbiotecas independentes. Mal me falou que era bibliotecário».
Bem mais Kent chegou com aparelhos de espionagem («uma câmara, um rádio onda curta, um transmissor e receptor de 10 faixas e um relógio marca Cassio») e muito dinheiro. Porém, o que mais chamou a atenção da visita do bibliotecário foi que, segundo Godínez, Kent pediu para ela que o ajudasse, com desenhos e fotografias, a descrever as medidas de segurança para a casa do vice-presidente do conselho de Estado, Carlos Lage Dávila. Godínez disse que ele lhe entregou US$ 100 para que comprasse uma fita para isso. Como a gente imaginará, «Emmet» foi detido e expulso por espionagem.
CALZÓN, KENT-EMMET, COLÁS E MÉNARD S.A.
É bom salientar a respeito de Frank Calzón, o qual Kent-Emmet disse que representa, que é de origem cubana e cohecido há muita décadas por sua ligação à CIA, e pertenceu à organização terrorista Abdala. Depois, ocupou o cargo de diretor executivo da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), cujo comitê paramilitar financiou as atividaes do terrorista internacional Luis Posada Carriles.
Um outro é Ramón Humberto Colás, ligado às campanhas norte-americanas sobre as bibliotecas e membro da FNCA. Ele chama-se a si mesmo «fundador» de uma fantasista rede de bibliotecas «independentes» em Cuba.
Colás, quem deixou na cidade de Las Tunas, em Cuba, a lembrança de um playboy mais adepto às boates do que a leitura, descobriu a chave da fortuna, ao convencer seus chefes da USAID e da NED de que lhe outorgassem uma soma vultosa. Outro elemento chave na estratégia propagandista da Casa Branca em relação a Cuba é Robert Ménard, o vitalício secretário da Repórteres Sem Fronteiras, o qual está se introduzindo no mundo das bibliotecas com o mesmo dinamismo que obtém seus lucros ocultos e milionários.
Ménard negou taxativamente em várias ocasiões que conhecia Frank Calzón, ate aparecer em Bruxelas, em março de 2004, numa reunião de deputados europeus. Em 27 de março passado, o pesquisador francês Thierry Meyssan publicou um artigo onde revelou que Ménard combinou um ótimo encontro com Otto Reich e o Center for a Free Cuba de Calzón, em 2001.
Enquanto Kent-Emmet, Colás e Ménard, dirigidos pela CIA e suas filiais, continuam implementando suas campanhas contra Cuba, os livros destinados à biblioteca da universidade de Havana continuam confiscados nos armazéns de Hidalgo. A administração de Bush, ainda mais afeita a prender suspeitos e metê-los nos cárceres de Abu Ghraib e Guantánamo, mostrou no Texas mais outra aberração de sua guerra suja contra a Ilha.
CONGRESSO DA IFLA EM OSLO
As organizações de bibliotecários mais importantes do mundo, dentre elas, a ALA, IFLA e CLA, adotaram acordos que refutam evidentemente as campanhas de desinformação dirigidas por Kent e Colás, por encargo do governo dos Estados Unidos. A IFLA realizará em 14 de agosto próximo, em Oslo, Noruega, seu congresso anual, onde reaparecerão os agentes do império, cujos orçamentos, aumentados espetacularmente pela administração de George W. Bush, são destinados fundamentalmente a custosas turnês internacionais.
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