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Nuno C. Costa - Oeiras
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Date Posted: 2/08/05 19:28:51
Os senhores ministros da Economia e das Obras Públicas dizem-se muito preocupados só de pensarem que daqui a dez anos os portugueses possam não dispor de um TGV para viajar até Madrid (ou até ao Porto) e de um novo aeroporto na Ota.
Já agora, creio que todos nós ficaríamos um pouco mais reconfortados se os senhores ministros nos esclarecessem se também os preocupa o facto de os comboios pendulares, ao fim de mais de cinco anos sobre a data prevista, ainda não conseguirem cumprir o tempo previsto de cerca de duas horas para fazerem o percurso Lisboa-Porto.
Para quê tanto dinheiro gasto nesses comboios, se eles não desempenham o serviço para que foram adquiridos?
Depois dos milhões e milhões despendidos com a célebre renovação da linha do Norte para alcançar esse tão almejado objectivo, continuamos a levar as mesmas três horas, como acontecia já há cerca de 20 e tal anos, embora hoje com um pouco mais de conforto.
Porque será que não somos capazes de fazer com que os pendulares "pendulem"? Porque será que só em breves troços dessa linha esses comboios se fiquem, durante poucos quilómetros, pelos 220 km/h?
Perante este tão triste exemplo, não podemos deixar de ficar a tremer com as perspectivas de (normal) funcionamento do tal TGV no nosso país, para além de muitas outras preocupações, sábios avisos e muito duvidosas justificações.
Tenho lido algumas considerações de ordem económica, apresentadas por economistas de reconhecido mérito, em que se demonstra por A+B que a exploração do TGV, em Portugal, mesmo considerando um hipotético (mas irrealista) progresso do nosso país ao nível da UE, é um garantido desastre económico-financeiro.
Porque será que os senhores ministros atrás referidos não divulgam quais os estudos económico-financeiros elaborados que demonstram o contrário? A sensação que se começa a ter é que caminhamos, com determinação e teimosia sócratica, para uma situação ainda mais desastrosa.
Sobre o aeroporto da Ota limito-me a enviar um singelo resumo em que se faz a comparação entre o aeroporto de Lisboa e outro (o de Málaga) de dimensões e movimento equivalentes, mas de muito maior crescimento previsto.
Uma história de dois aeroportos:
Áreas:
Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.
Pistas:
Aeroporto de Málaga: 1 pista;
Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.
Tráfego (2004):
Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8% ao ano.
Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga:
1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros e continua a ter uma só pista. O aeroporto mantém-se a 8km da cidade
Lisboa:
1 novo aeroporto, 3000 a 5000 milhões de euros, solução faraónica a 40km da cidade
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