Author:
Ruben de Carvalho, DN, 31/07/05
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Date Posted: 31/07/05 9:18:39
In reply to:
Ruben de Carvalho, DN, 30/07/05
's message, "Ota e TGV - a confusão" on 30/07/05 7:36:42
Endividamento e lucros
Ruben de Carvalho, DN, 31/07/05
Não é necessária especialização para saber que os períodos de crise económica e recessão não são incompatíveis com os lucros do capital financeiro. São mesmo clássicas as análises de como a crise de 1929 gerou bruscas acumulações e acabou, ao mesmo tempo que constituiu a tragédia de milhões de famílias, a configurar o essencial dos grupos dominantes do capitalismo contemporâneo.
Nada há assim de contraditório entre o discurso político e mediático cheio de crise e dificuldades orçamentais do Estado e o verificar que, no primeiro semestre deste ano, os lucros dos quatro maiores bancos portugueses atingiram 727 milhões de euros. O que é um número impressionante, mas, apesar de tudo, não tanto quanto o facto de corresponder a um aumento médio de 20 por cento relativamente a 2004.
A divulgação destes dados coincidiu com a revelação de que o endividamento das famílias portuguesas atingiu a inquietante cifra de 117 por cento, "muito elevado em termos internacionais", diz o Banco de Portugal. Significa isto que, neste preciso momento, as famílias portuguesas não estariam em condições de pagar tudo o que devem. Mas o que torna a questão alarmante é a conjugação com a crise a actual situação de insolvência teórica não pode legitimamente contar com um crescimento futuro que lhe permita equilibrá-la.
Entretanto, nas sucintas palavras do JN, "os juros pagos sobre empréstimos contraídos são uma das principais fontes de rendimento da banca e as famílias portuguesas estão cada vez mais endividadas".
Contraditório tecnicamente, não será. Moral e politicamente, é que já é outra coisa.
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