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Subject: Um décimo


Author:
Henrique Custódio
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Date Posted: 21/07/05 14:33:46
In reply to: José Neto 's message, "Defendamos a água pública" on 21/07/05 14:31:08

Um décimo

Henrique Custódio, Avante, 21/07/05

No passado domingo, o Presidente da República inaugurou o novo teatro municipal de Almada, encomendado, construído e quase integralmente pago pela município local.

Compreende-se a presença do Chefe de Estado no evento: trata-se de uma obra com dimensões, valências e funções com evidente envergadura nacional e internacional: a boca de cena do auditório principal tem qualquer coisa como 30 metros de altura - apenas superada, nacionalmente, pela boca de cena do palco central do Centro Cultural de Belém -, enquanto o edifício, com cerca de mil metros quadrados de área útil, alberga ainda uma sala experimental, uma sala de ensaios, camarins, uma galeria de exposições, café-concertos, livraria, ludoteca, sala de vídeo, cafetaria e alojamentos.

Trata-se de um imóvel de grande valor arquitectónico, projectado pelos arquitectos Graça Dias e Egas Vieira, construído em quatro anos e tendo custado 10,6 milhões de euros, a maior parte dos quais – mais exactamente 8,1 milhões de euros – pagos pela autarquia, com o Estado a comparticipar com os restantes 2,5 milhões.

A completar esta breve apresentação do novo equipamento almadense, acrescente-se que é propriedade da Câmara Municipal – naturalmente, pois projectou-o, construiu-o e pagou-o quase na totalidade - e vai ser gerido pela Companhia de Teatro de Almada, que ali terá a sua residência permanente e nele promoverá as mais diversas programações culturais, num apoio institucional à actividade dramática e artística neste concelho que não tem paralelo no mundo autárquico português.

Todavia, não é em todo este rol de excelência e excepcionalidade que reside a notória singularidade deste equipamento inaugurado no passado domingo, em Almada.
A grande originalidade do novo Teatro Municipal de Almada resumiu-a, com a naturalidade dos relatos objectivos, um repórter televisivo que noticiou a inauguração.

Disse ele, num noticiário sobre o evento: «O novo Teatro Municipal de Almada tem as mesmas dimensões da Casa da Música, no Porto, com uma única e grande diferença: custou um décimo do que se gastou para construir o equipamento do Porto».

Repita-se o assombro.

No mesmo País, dois equipamentos em tudo semelhantes – seja em dimensão, capacidades, funções ou tempo de construção – apresentam uma única e substantiva diferença: um custou dez vezes mais que o outro.

Ou, se quiserem, um custou um décimo do outro.

Entretanto, ambos são obras construídas com dinheiros públicos.

A que derrapou dez vezes mais – sem que alguém seja responsabilizado ou, sequer, questionado - é da responsabilidade do poder central, tutelada directamente por sucessivos Governos do PS e da coligação de direita PSD/PP.

A que foi construída com tal rigor, que custou dez vezes menos – sem que alguém disso se gabe, embora tivesse toda a legitimidade para o fazer – é da responsabilidade do poder local, mais concretamente da Câmara Municipal de Almada.
Perante isto, calem-se de uma vez com a velha falácia de que as «obras públicas» derrapam sempre nos custos, qual fatalidade que dá muito jeito aos corruptos de todos os calibres.

O novo Teatro Municipal de Almada é, todo ele, também uma obra pública, só que de uma autarquia.

A grande e fundamental diferença é que se trata de uma câmara governada... por comunistas.

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Replies:
Subject Author Date
CDU dá cartas na cultura: Almada tem novo teatroAvante, 21/07/0521/07/05 22:20:53
    Tudo serve para a propaganda dos comunasCalado24/07/05 17:01:06


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