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Os Editores de resistir.info
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Date Posted: 11/07/05 11:27:36
OS ACONTECIMENTOS DE LONDRES
As explosões de Londres e o balanço oficial desses vários atentados simultâneos polarizaram a atenção dos medias em todo o mundo nos últimos dias.
Estamos perante uma acção terrorista que justifica o repúdio e a condenação de todos quantos defendem a civilização contra a barbárie.
resistir.info cumpre um dever ético ao denunciar a hipocrisia do discurso dos dirigentes (e dos seus epígonos) dos EUA, da União Europeia e de outros países que, repetindo o ocorrido no 11 de Setembro de 2002 e em Madrid, em Março pp., tratam de aproveitar politicamente o acontecimento com três objectivos principais:
1- Dramatizar e utilizar a emoção provocada para, em nome da necessidade de combater o terrorismo, facilitar o caminho para ampliar a escalada de violência imperialista contra povos do Terceiro Mundo.
2- Restringir liberdades e direitos constitucionais e justificar a intensificação da repressão contra organizações cívicas e populares, invocando a intenção de reforçar a segurança pública dos estados e dos cidadãos.
3- Desmobilizar e neutralizar, através de interpretações e acusações dirigidas e de intimidação generalizada, as campanhas mundiais pela paz e contra a agressão imperialista, e contra a ocupação do Iraque e do Afeganistão em particular.
A suposta surpresa causada pelos atentados em Londres é farisaica. A política de retaliação maciça – Bush chamou-lhe inicialmente cruzada – iniciada com a agressão ao povo do Afeganistão após o 11 de Setembro, desencadeou um processo que, na prática, incentivou e ampliou o terrorismo. Este recebeu novo impulso com o ataque ao Iraque, a sua posterior ocupação, as farsas legislativas ali montadas e o mal escondido genocídio de populações.
Um sistema mediático hegemónico e perverso engana centenas de milhões de pessoas, mas não tem o poder de mudar a realidade humana e o sentido da história.
Apenas dias antes das explosões de Londres, um B-52 da Força aérea dos EUA bombardeou uma casa de camponeses na Província de Kunar, no nordeste afegão, matando cerca de 20 pessoas que ali se encontravam. O comando militar estadunidense reconheceu "o erro", lamentou as mortes e prometeu uma investigação. A notícia apareceu em meia dúzia de linhas na imprensa, como incidente de menor importância.
No Iraque as forças de ocupação assassinam milhares de pessoas todos os meses. Muitas vezes "por engano".
Os grandes medias quase não noticiam essas mortes, resultantes de "operações de rotina, em defesa da democracia".
Os governantes do mundo capitalista e os seus aparelhos de desinformação assumem critérios antagónicos na apreciação, por um lado, dos efeitos da violência desencadeada pelo imperialismo e, por outro, das consequências dos actos de terrorismo que atingem as suas cidades. A contradição é definidora de uma mudividência que recusamos. Para nós, a vida de um iraquiano ou de um afegão é tão valiosa quanto a de um norte-americano ou de um britânico.
Seria ingenuidade acreditar que aquilo a que Bush, Blair & Cia designam "o reforço do combate ao terrorismo" atingirá objectivos positivos para qualquer povo do mundo. Pelo contrário, receamos que a violência e o sofrimento dos povos continue a agravar-se, porque o que está em jogo não é um combate entre "bons" e "maus" de que uma das partes deverá sair vitoriosa.
As organizações terroristas – não confundir com os movimentos de resistência que lutam pela libertação dos seus povos no Iraque, no Afeganistão e na Colômbia – já demonstraram que são pouco afectadas pelas medidas que as visam. Pelo contrário, o terrorismo tem sido alimentado pela estratégia antiterrorista, e a sua actividade aumentou em vez de diminuir, como um mecanismo de vasos comunicantes.
Em Portugal o discurso sobre os atentados de Londres dos senhores do G-8 ditou directamente o dos dirigentes do PS e do PSD. A declaração do Sr. Sócrates confirmou a sua mediocridade e farisaísmo, ao incentivar o reforço do recurso à violência em nome do combate ao terrorismo e da defesa da democracia. Segundo a imprensa noticiou, o seu governo teria já decidido enviar 115 comandos e pessoal da Força Aérea para o Afeganistão.
Mobilizar o povo português contra iniciativas objectivamente criminosas como essa, incompatíveis com o interesse nacional, é um dever para as forças progressistas.
Os Editores de resistir.info
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