Author:
Jerónimo de Sousa
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Date Posted: 8/07/05 14:22:01
In reply to:
www.comunistas.info
's message, "A situação política do país" on 8/07/05 9:31:13
Apresentação dos candidatos da CDU do concelho de Avis
Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP
Avis, 2 de Julho 2005
(...)
Não é preciso justificar mais para percebermos que o PS e o seu governo decidiram em definitivo meter na gaveta as suas “jóias da coroa” eleitorais: o crescimento, o emprego, o solene compromisso de não aumentar os impostos e o sagrada promessa do aumento dos reformados.
Melhoramento das reformas que bem falta fazem para suportar o aumento do custo de vida que as medidas do governo do PS estão a provocar.
Cem dias de governo do PS que são suficientes para constatar quanto justos e verdadeiros eram os nossos alertas em relação ao carácter negativo da existência de uma maioria absoluta em resultado das eleições de 20 de Fevereiro.
Uma governação mais negativa e mais preocupante do que aquela que se esperaria.
Uma governação agravada por comportamentos e atitudes sem precedentes. Com o governo a optar pelo inadmissível caminho da arrogância e prepotência que faz da administração pública, não só o bode expiatório das dificuldades do país.
É inaceitável a campanha que está em curso contra os trabalhadores da administração pública.
Campanha que o governo alimenta opondo trabalhadores contra trabalhadores. Professores contra pais e alunos, polícias contra a população, utentes contra enfermeiros.
Uma campanha que quer fazer crer que a grande contradição da sociedade portuguesa, o grande bloqueio que impede o seu desenvolvimento é o que resulta da existência de uma administração pública pesada e cheia de privilégios em contraponto com o resto do país que vive e trabalha com dificuldades para lhes pagar.
Campanha que leva também Belmiro de Azevedo, a pensar certamente em novas aplicações para os seus capitais a propor uma redução de 200.000 funcionários públicos que deveriam ser colocados no sector privado. Certamente fazendo o mesmo serviço no Hospital ou na Escola, mas agora trabalhando para encher os cofres dos salvadores da pátria.
Uma campanha que visa esconder a verdadeira “casta” de privilegiados e os grandes usufrutuários das vantagens de um sistema e de uma política que apenas serve e engorda com fabulosos lucros uma minoria que tem na mão o comando da economia que é rentável e de lucro seguro e servida por uma elite de dirigentes e administradores que se revezam rotativamente nos cargos ministeriais, na direcção do aparelho de Estado, nas empresas públicas e ao mesmo tempo nas grandes empresas do grande capital económico e financeiro.
Esses mesmos que têm governado à vez o país e que todos os dias os vemos recitar os “salmos” da salvação e que têm, eles sim, decidido para si próprios as maiores mordomias, as maiores vantagens e os maiores privilégios.
Os mesmos que todos os dias vemos armados com o rolo compressor da sua douta opinião a secundar o governo nos ataques aos trabalhadores da função pública como se fossem eles os responsáveis pela situação do país.
Esses mesmos que abundantemente teorizam e justificam nas suas empresas e nos seus negócios acerca das vantagens da diferenciação. Diferenciação nos salários, nas regalias, nos prémios, mas que agora, num gesto igualitário nunca visto, se transformaram nos campeões da igualização e da harmonização.
A mesma hipocrisia que os leva a sugerir que nunca tiveram qualquer responsabilidade pela situação a que o país chegou.
Como se fossem os trabalhadores e não eles quem governou este país nos últimos trinta anos.
A mesma hipocrisia que leva o governo actual a anunciar que iriam acabar as nomeações políticas para cargos da Administração Pública.
Iria ser estabelecido um reduzido universo de cargos de confiança política e para além desses todos os cargos deveriam ser preenchidos por concurso público.
Esta foi a promessa. Mas qual foi a realidade?
A realidade é que antes da proposta do Governo ser discutida, já tinham sido colocados centenas de boys e girls do PS em postos chave da Administração Pública, invocando motivos de urgência. E quando chegou a proposta, viu-se que afinal se abriam tantas excepções à regra do concurso público e se consagravam tantas nomeações por escolha política, que a excepção ficava maior que a regra.
Em conclusão: O Governo mudou, mas o regabofe das nomeações políticas continuou na mesma.
Depois de todos estes últimos anos a pedir sacrifícios aos mesmos de sempre, com a promessa de mais adiante estar garantido um futuro radioso de desenvolvimento económico e de desafogo, afinal, depois de todos estes sacrifícios o que anunciam é que Portugal está pior do que estava antes e aí estão, outra vez, sem qualquer vergonha, a apresentar um novo e mais gravoso caderno de encargos para os portugueses, particularmente para o mundo do trabalho.
É por isso que é justo dizer-lhes: basta de sacrifícios sempre para os mesmos!
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