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| Subject: Re: Citação de Marx (Grundrisse) | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 30/01/06 2:57:19 In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Citação de Marx (Grundrisse)" on 29/01/06 21:03:47 É interessante observar o regresso às fontes marxistas do pensamento relativamente à economia política do capital. Seria bom que não houvesse receio em, regressando (de vez em quando) à leitura de Marx, verificar se alguma da sua argumentação é menos adequada para explicar os fenómenos dos tempos em que vivemos. O Redondo, com o seu livro sobre o Digitalismo lançou um desafio relativamente à teria laboral do valor, dizendo algo como (se a memória não me falha) que a teoria marxista do valor já não seria aplicável ao novo mundo digitalizado (da produção em massa de toda a espécie de bens "digitais") em que actualmente vivemos. Se me engano nesta asserção, o Redondo corrige-me e não se fala mais no assunto. Mas para já creio que serão pertinentes algumas reflexões sobre "valor" e "trabalho produtivo" e "trabalho improdutivo". Em primeiro lugar, não me parece adequado que se introduzam na discussão da teoria do valor perspectivas de caracter normativo do estilo "determinada produção é produtiva por que satisfaz uma necessidade útil da sociedade" (ou de alguém que esteja disposto e possa pagar...). Ou, a contrario, determinada produção é improdutiva por que apenas satisfaz um luxo inútil para a sociedade como um todo (mesmo que alguém esteja disposto e possa pagar...). Numa coisa os marginalistas têm razão. Como dizia um dos antecessores do marginalismo, o Arcebispo Richard Whately , "Não é porque dê muito trabalho apanhar as pérolas, que elas custam (ou custavam... digo eu) tanto dinheiro; é porque elas representam tanto valor que os pescadores de pérolas se dão ao trabalho de as ir apanhar". Em todo o caso considero também que é um erro metodológico contrapor a teoria labor (ou positivista) do valor com a teoria marginalista (ou subjectivista). Faz-me lembrar aquela metáfora do Marshall que dizia que era "tão tolo perguntar se era a Oferta ou se era a Procura que determina o preço das coisas, como perguntar qual das lâminas de uma tesoura é que cortava o pano". Num outro contexto defendo a tese de que qualquer discussão do valor (e por conseguinte de trabalho "produtivo" e trabalho "improdutivo") só tem sentido se for perspectivada à escala da economia mundial, de âmbito planetário. Quando eu digo (ainda nesse outro contexto) que a lei da queda tendencial da taxa de lucro está para a economia mundial como a força de gravidade está para o planeta Terra, não estou a usar uma metáfora literária. Estou a ter em linha de conta a efectiva isomorfia que existe entre as duas classes de fenómenos. Se considerarmos que para o Capital "só será produtivo o trabalho que dá origem a um sobre-valor mercantil" (que permite ao capitalista apoderar-se de uma fracção desse sobre-valor) podemos estar certos e de facto para o capitalista só esse trabalho é produtivo. Mas se considerarmos o problema de um ponto de vista da sociedade como um todo, então rapidamente nos damos conta de que vamos por um caminho feito de contradições. A esse respeito - e só neste texto transcrito pelo Redondo – aponto um exemplo de um erro (diria que flagrante ou elementar) de Marx. Quando diz que "e.g. the great mob of porters etc. who render service in seaport cities" está a sugerir que os transportes individuais de coisas pesadas (e que eu não quero transportar eu mesmo, porque estou cansado, doente... sei lá!) é um luxo que alguns burgueses se podem permitir, mas que não acrescentam valor "às coisas". Ou seja, o bife com batatas fritas vai ter à mesa do burguês "por obra e graça do espírito santo"... na medida em que não sejam considerados os custos laborais da sua produção, em contexto doméstico. Já se for num restaurante a coisa parece que mudará de figura na medida em que o preço a pagar pela refeição já há-de incluir TODOS os custos da sua elaboração, mais o sobre-valor de que se apodera o patrão... Por outras palavras, se aquele "transporte das coisas pesadas" (a mala de viagem, por exemplo) for feito por um membro do "mob of porters" não é trabalho produtivo, se for feito por uma empresa de transportes organizada, com um patrão burguês que "extraia mais-valia" dos seus carregadores, então já temos trabalho produtivo. Ou seja, o erro de Marx (se é que o há ao considerarmos a totalidade da sua obra!...) estaria aqui na consideração do caracter subjectivo da relação de trabalho em vez de considerar o caracter estritamente objectivo da totalidade do processo social de produção. E em relação a esse processo total social de produção de bens e serviços considerar mais ou menos "produtivos" (em grau maior ou menor... a dialéctica, sempre a dialéctica...) todas as tarefas e actividades que contribuam (em maior ou menor grau) para aumentar a produtividade social total. Além do mais, e de um ponto de vista do processo histórico de acumulação, se fossemos por aquele caminho facilmente chegaríamos à conclusão que não tinha havido acumulação de capital antes da burguesia ter chegado ao poder nos principais países do mundo. O que é evidentemente um absurdo. Só a concluir, como deverá ser evidente ao falar de mob of porters, Marx está a falar dos milhares de desempregados que então pululavam por muitas cidades portuárias (e não só, claro) em busca de uns tostões... Quando arranjam um serviço qualquer, lá contribuíam com um infinitésimo para a "produtividade social total" (o burguês que lhe pagava chegava mais descansado ao hotel ou a casa e portanto com mais capacidade para "trabalhar" (coisa que como toda a gente sabe, os burgueses, por definição, não fazem), quando esses mob of porters não arranjavam nenhum serviço, não contribuíam com nada para a tal "produtividade social total"... [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| estou apenas a lembrar o que Marx pensava destes assuntos e não a criticá-lo. | Fernando Penim Redondo | 30/01/06 10:20:19 |
| unilateralidade no ceonceito de trabalho produtivo em Marx | Michael Leibowitz | 30/01/06 14:24:46 |
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| E não é que os marmanjos marxistas se engasgam? | Ex-militante(surpreendido c tanta admiração e incompreensão) | 31/01/06 13:53:38 |