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Subject: Contra-atacar nos bastiões do PCP é palavra de ordem de Pintasilgo


Author:
Fernando Diogo
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Date Posted: 1/02/06 0:38:00
In reply to: João Paulo Guerra 's message, "Uma candidatura pré-fabricada pelas “sondagens de opinião”" on 31/01/06 18:49:39

Contra-atacar nos bastiões do PCP é palavra de ordem de Pintasilgo

Fernando Diogo, DN, 14/01/86

A candidatura de Lurdes Pintasilgo é ela própria: criativa, enérgica e batalhadora. Para além das conveniências políticas, dos imperativos do marketing e da ditadura do programa de campanha, a sua forte personalidade acaba sempre por se impor. Demonstrou-o nestes três primeiros dias de campanha oficial percorridos nos bastiões do PCP, onde não deixou nenhum eleitor sem esclarecimento, correu mesmo atrás dele quando foi caso disso e improvisou sempre uma resposta pronta para cada situação. “Estou aqui não apenas para a campanha eleitoral, mas porque gosto de olhar olhos nos olhos o povo português”, disse em muitas localidades.

Expressão que é a um tempo um apelo emocional e um justificativo de outro leit-motiv da campanha: conhecer os problemas dos Portugueses para melhor os ajudar a resolver. E se os problemas são quase os mesmos as histórias são diferentes, o desemprego, as pensões de reforma, os salários em atraso, contam-se no singular.

Lurdes Pintasilgo possui a atitude criadora de explorar no plural cada caso particular. Ontem, em Vila Franca de Xira, narrou a história de uma velhota (…) que queria trabalhar porque a sua pensão não lhe permitia viver condignamente (…).

Novas e velhas linguagens

Lurdes Pintasilgo recusa o “camarote da política”, combate por um lugar no elenco dos que “querem contribuir para a resolução dos problemas”. É o que a distingue dos restantes candidatos (segundo diz), todos eles marcados por uma linguagem da I República: “Há quem já nasça velho, com ideias antigas, mesmo que tenha apenas 40 anos”. Com um sorriso irónico arredonda a conclusão: “E andam sempre a falar da modernidade!”

Num concelho de maioria APU a demarcação mais vigorosa tem o nome de Salgado Zenha. Alude às sondagens “que há mais de dois anos garantem ser eu a única candidata capaz de vencer Freitas do Amaral” para combater a tese da direcção política dos comunistas: “Agora vêm as direcções partidárias, talvez iluminadas por um deus estranho, afirmar que é outro o candidato”. Com subtileza assume-se como a candidata do 25 de Abril para recordar a estrofe de “Grândola, Vila Morena” que se transformou na palavra de ordem da Revolução: “O povo é quem mais ordena”. Aplausos vibrantes enchem a praça (…) “Não se deixem amedrontar, deixem o vosso coração falar”. A mensagem da “candidata do coração” que pede o voto em “quem fala com as palavras da verdade” parece ser compreendida.

Mirones…

É a face combativa de Lurdes Pintasilgo, que adjectiva sem disfarces os que pretendem “pressionar as consciências” intoxicadores, mentirosos e malabaristas. Surge até com maior nitidez, quanto mais difícil é a envolvência, gerando uma corrente de comunicação que empolga os seus apoiantes. As “confissões” de militância no PCP e de apoio à sua candidatura não foram caso raro. O que talvez explique a apreensão estampada na face de alguns “mirones” que “controlavam” à distância as presenças.

Alguns houve que vieram à fala com jornalistas para uma eventual “sondagem”. Aqui e ali identificavam-se como na Baixa da Banheira: Alho Mendes, militante do PCP (com muita honra) e…votante em Salgado Zenha. Veio de mansinho para “rectificar” uma informação prestada por Fonseca Ferreira (dirigente pintasilguista) sobre o mandatário distrital da engenheira na Moita: de seu nome Staline de Jesus Rodrigues! Na versão de Alho Mendes o “amigo Staline” havia sido expulso do PCP em 1982 e agora para as autárquicas liderou pelo PRD uma “lista reaccionária com o apoio do PS, PSD e CDS”: “Mas perdeu!”, exclamou com orgulho, antes de embalar para uma “conversinha” sobre as presidenciais: “A senhora engenheira é uma candidata democrática, mas não tem o consenso verificado do apoio dos partidos para vencer as eleições”. Para estimular o diálogo um jornalista contrapôs-lhe os resultados das sondagens, enquanto apontava para a multidão presente bandeiras vermelhas ao vento e punho direito erguido. O homem não se perturbou e retorquiu: “O dr. Salgado Zenha é o candidato mais bem colocado para vencer à primeira volta”. E à segunda ele é o mais mal colocado e Lurdes Pintasilgo aparece como a única capaz de “bater o Freitas” ripostou Fonseca Fernandes, que bebia junto dos jornalistas cada gota do diálogo. “A senhora engenheira veio dividir o eleitorado” prosseguiu inexpressivo, Alho Mendes. Uma oitava acima, Fonseca Fernandes contra-atacou: “Ela já estava no terreno com mais de 30 por cento dos votos, depois de o Salgado Zenha ter aparecido baixou para 20. Afinal quem é que veio dividir o eleitorado?” O grupinho em volta do militante ficou suspenso da resposta que acabou por surgir quase sussurrada: “Ela não tem o apoio dos partidos, por isso devia desistir.” Nesta altura recordámos o riso carregado de ironia de Lurdes Pintasilgo quando de manhã em Sesimbra aludiu aos que querem “que eu desista.”

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Replies:
Subject Author Date
“Estou aqui não apenas para a campanha eleitoral, mas porque gosto de olhar olhos nos olhos o povo”Margarida 1/02/06 13:46:29
Re: Contra-atacar nos bastiões do PCP é palavra de ordem de Pintasilgojovem atento 2/02/06 0:18:56


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