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Subject: As sondagens e a perversão da propaganda


Author:
O Diário, 08/01/86
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Date Posted: 1/02/06 15:13:30
In reply to: João Paulo Guerra 's message, "Uma candidatura pré-fabricada pelas “sondagens de opinião”" on 31/01/06 18:49:39

O Diário, 08/01/86

As sondagens e a perversão da propaganda

Dentro de poucos dias, em obediência à lei eleitoral, será proibida a divulgação dos resultados de sondagens sobre as presidenciais. Entretanto, o País continua a ser bombardeado pela artilharia das sondagens. Os analistas da direita até criaram uma linguagem especial. Equipararam as entrevistas da RTP com os candidatos a jogos de futebol e falam de golos; dizem proceder a inquéritos telefónicos e inventam vitórias e derrotas imaginárias.

As empresas especializadas em sondagens degradam-se tanto como aqueles que lhes encomendam o serviço. Os resultados nesta frenética palhaçada favorecem sistematicamente a direita e colocam sempre em último lugar Salgado Zenha, o candidato democrático melhor situado para a conquista da Presidência.

No próximo dia 26 esta futurologia de feira será corrigida pelo voto popular. Mas nem por isso é menos necessário profligar os jornais – designadamente os quatro semanários que se atolam semana após semana no campeonato das sondagens, instrumento de um jogo político incompatível com o espírito e a prática da democracia.

Seria, porém, uma ingenuidade subestimar as consequências da epidemia desses inquéritos encomendados. Conhecemos casos de democratas que, impressionados pela fachada dessas iniciativas, declaram que só votarão depois de consultarem amigos peritos em sondagens.

O fenómeno das sondagens não é invenção portuguesa. Mas, tal como acontece noutros campos, a aplicação de fórmulas importadas dos EUA produz aqui efeitos agravados. O burlesco chama mais a atenção, mas o recurso frenético a técnicas de propaganda desenvolvidas com fins ilegítimos assume também aspectos que merecem reflexão.

No editorial do seu número de Novembro p.p., a revista “Le jornaliste Democratique”, editada pela Organização Internacional dos Jornalistas, lança precisamente um alerta contra as consequências perigosíssimas da propaganda como arma política antidemocrática.

Recorda o órgão da OIJ que no congresso do Partido Nacional Socialista Alemão, em 1936, foram aprovados, entre outros, três slogans: “A Propaganda permitiu-nos subir ao Poder”, “A Propaganda vai ajudar-nos a conservar o Poder”, “A Propaganda vai ajudar-nos a conquistar o mundo inteiro”.

Esses slogans tornaram-se a base da política oficial da Informação na Alemanha nazi, de acordo com a receita incluída por Hitler no “Mein Kampf”: “Com a ajuda de uma propaganda adequada e persistente é possível convencer omundo de que o paraíso é o inferno e vice-versa, isto é, que a vida mais miserável é o paraíso”.

Após a derrota do III Reich, Goering, dirigindo-se aos juízes do Tribunal de Nurenberg, declarou: “A propaganda tem uma importância enorme e a Alemanha sabe isso melhor do que ninguém pela sua experiência”.

Hitler e os seus colaboradores mais próximos consideraram a propaganda como um factor essencial para enganar o povo alemão e levá-lo a aceitar os planos criminosos do fascismo. Sem a propaganda nazi, cientificamente concebida por Goebbels e os seus colaboradores, um povo culto e civilizado como o alemão não teria permitido a ascensão de Hitler ao Poder, nem as guerras de agressão, nem a chacina dos judeus, nem as monstruosidades dos campos de concentração. Na Alemanha nazi, como na Itália mussoliniana, um aparelho de propaganda enorme, rigidamente centralizado, interligado com um sistema de censura e a um aparelho policial de terror, eliminou em pouco tempo a liberdade de expressão. Em Portugal conhecemos até ao 25 de Abril uma imitação desse sistema.

É evidente que seria descabido qualquer paralelo entre o Portugal de hoje e a Alemanha de Hitler. Mas é também óbvio que as técnicas de propaganda em vários países ocidentais, nomeadamente nos EUA, deixam transparecer uma clara inspiração em métodos e teorias de raiz fascista. Estimulados por esses exemplos, os governos da AD e do sr. Mário Soares esforçaram-se por assumir um controlo hegemónico sobre a Comunicação Social, colocando os media ao serviço dos objectivos da sua política. Essa situação não se alterou. A RTP e a RDP funcionam como instrumentos de propaganda de um projecto político, recorrendo a métodos absolutamente incompatíveis com o pluralismo democrático, que fazem de ambas perigosas armas de desinformação, manipulação e perversão da opinião pública.

É nessa atmosfera de intoxicação ideológica que se insere a multiplicação das sondagens eleitorais encomendadas com o claro objectivo de confundir, perturbar e enganar o povo, condicionando-lhe o voto.

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Subject Author Date
Que trabalheira praqui vai pra dar a volta ao texto...Trabalho prá revolução! (NT)Ex-militante(e já antigament tudo seresumia ajogo eleitoral) 1/02/06 15:23:20


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