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| Subject: Re: Citação de Marx (Grundrisse) - IV | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 3/02/06 20:26:46 In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Citação de Marx (Grundrisse)" on 29/01/06 21:03:47 Em jeito de ironia (e a roçar o sarcasmo): Segundo os cânones da vulgata marxista é sabido (ou velho e relho) que – de um ponto de vista de cada capitalista individual (ou melhor, do ponto de vista do "Capital" – ou melhor ainda, do ponto de vista da "economia política burguesa") só é trabalho produtivo aquele que permite a realização (designadamente através da venda) de uma qualquer fracção de "mais-valia" ("estares calado em vez de estar aí a gastar o teu latim", estavam-me ali a dizer uns colegas...). Ou ainda, e para utilizar uma definição clássica, (e vou traduzir ipsis verbis) - "trabalho produtivo é a força-de-trabalho que, dentro da esfera da produção, é trocada por capital e dá directamente origem a mais-valia". "Trabalho improdutivo é a força-de-trabalho que, dentro da esfera da troca ou circulação, é trocada por dinheiro-rendimento (ou seja, salários e lucros) e a qual (força-de-trabalho) não dá origem a mais-valia. O estudioso, aluno ou aprendiz de "Economia Política Marxista" papagueia isto tudo muito direitinho, leva um 20 (ou equivalente) e vai para casa (ou para a célula de trabalho) todo contente. O caso fica encerrado e não há mais nada a discutir. Aliás qualquer investigação ou reflexão sobre isso corre o risco de "ser pecado". Não vá descambar em revisionismo ou, ainda pior, em desviacionismo. De maneira que o Dr. Paulo Fidalgo desculpe lá, mas aquilo que faz enquanto médico a receitar remédios para curar trabalhadores doentes e repôr a sua (deles) condição de produtores de mais-valia, isso não é "trabalho-produtivo" se – como julgo que é ocaso – o médico Paulo Fidalgo fizer isso no âmbito de um Serviço Nacional de Saúde (onde parece que não há "mais-valias" para ninguém). O santíssimo profeta São Carlos de Tiers é muito claro quanto a isso: Nos capítulo sexto e oitavo do Livro I dedicado ao Capital, o santíssimo Profeta refere explicitamente que os custos do trabalho (de médicos e professores) cuja função é fundamental para a produção, manutenção e reprodução da força-de-trabalho faz parte daquilo a que nós agora chamamos "custo-de-vida". Por outra palavras, as despesas com o médico e com a escola são part and parcel do "Capital Variável". Ou seja, quando o nosso vendedor de força-de-trabalho se apresenta perante o capitalista, o custo da sua produção inicial e da sua manutenção, já está incluído no preço de venda da dita cuja "força-de-trabalho". No capítulo oitavo em particular, o santíssimo Profeta São Carlos de Tiers refere explicitamente que o trabalho (e custo) da manutenção das máquinas já é suposto vir incluído no seu custo (ou preço) original. Ou seja, para o santíssimo Profeta, nem a manutenção das máquinas nem a manutenção dos homens dá origem à criação de qualquer "mais-valia". Logo não é trabalho produtivo. Isto é o que dizem as sagradas escrituras. Agora o que também explicam e demonstram (até à exaustão) as ditas cujas sagradas escrituras, é o caracter social do processo global de produção de valores. Mas isso fica para mais tarde. Uma breve referência à questão de "trabalho útil" Agora em jeito de pachorra para explicar coisas óbvias… Marx refere-se à questão do trabalho útil em dois contextos separados e distintos. Em "O Capital", logo no primeiro capítulo fala de trabalho útil no contexto das capacidades ou características pessoais individuais de cada trabalhador para, através de uma extensa discussão chegar à definição da categoria analítica que mais lhe interessa (e a todos nós...) o "trabalho abstrato" (ou o "trabalho in abstracto". Aquele conceito de trabalho que, sem entrar em essencialismos descabidos, nos permite então discutir coisas como "exploração", "produção de mais-valia" e sobretudo e muito em especial a questão central de toda a economia política do capital: "a queda tendencial da taxa de lucro". O outro contexto em que Marx fala de trabalho útil é para desancar na Critica ao Programa de Gotha. Transcrevo para aqui um extracto em Castelhano: ¿Y qué es el trabajo «útil»? No puede ser más que uno: el trabajo que consigue el efecto útil propuesto. Un salvaje -y el hombre es un salvaje desde el momento en que deja de ser mono- que mata a un animal de una pedrada, que amontona frutos, etc., ejecuta un trabajo «útil». Tercero. Conclusión: «Y como el trabajo útil sólo es posible dentro de la sociedad y a través de ella, todos los miembros de la sociedad tienen igual derecho a percibir el fruto íntegro del trabajo». ¡Hermosa conclusión! Si el trabajo útil sólo es posible dentro de la sociedad y a través de ella, el fruto del trabajo pertenecerá a la sociedad, y el trabajador individual sólo percibirá la parte que no sea necesaria para sostener la «condición» del trabajo, que es la sociedad. Trata-se de mais uma categoria analítica de relativo interesse heurístico. E, se não se usa com algum cuidado, pode-se rapidamente entrar pelos caminhos do Utilitarismo e/ou Marginalismo de onde desaparecem os fenómenos da exploração. Para já fico por aqui. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Ora, já viste?Estudar só te faz bem!Continua, que lá chegarás... (NT) | Ex-militante(dizendqueútil étrabalho qsatisfaz necessidades) | 3/02/06 22:05:41 |
| Citação dos relatórios do BES saúde | paulo fidalgo | 5/02/06 11:53:08 |
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