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| Subject: Re: Citação dos relatórios do BES saúde | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 5/02/06 20:10:14 In reply to: paulo fidalgo 's message, "Citação dos relatórios do BES saúde" on 5/02/06 11:53:08 É preciso vermos isto de um ponto "macro-social". Ou se preferires "in abstracto". Em rigor a prestação de serviços de saúde, quaisquer serviços de saúde, corresponde "apenas" a uma melhoria das condições de vida dos seres humanos, incluindo-se aí os "proprietários e portadores da ‘força-de-trabalho’". Ou seja, só por si parece que não acrescentam nada ao capital social total (à Capacidade Produtiva Existente). Em regime capitalista o objectivo da actividade produtiva não é o de "melhorar as condições de vida" de quem quer que seja. Em rigor, nem sequer dos proprietários dos meios-de-produção... Por outro lado já há umas décadas que a produção de excedentes é de tal ordem que o sistema voltou a entrar em crise justamente por causa do não-consumo de tudo o que poderia ser produzido. E como o capital financeiro não encontra aplicações reprodutivas (em número suficiente!...) no sector "fabril", ele vira-se para outros sectores em busca de aplicações. Daí a "caça às privatizações" um pouco por todo o mundo. Entretanto e em resultado da grande quantidade de excedentes e sua apropriação MUITO parcial (parcialíssima...) por parte de grande número de participantes do processo de produção (os tais "trabalhadores produtivos"), estes encontram-se na situação de poder adquirir coisas ou serviços que em rigor "já produziram" (e até já pagaram por antecipação...). Ou seja, aquelas "mais-valias" já tinham sido produzidas, já andavam por aí ("à solta" - isso é era bom, tudo registadinho...) e à espera de serem captadas de novo pelos seus proprietários capitalistas. É assim que se assiste a uma continuada "corrida para a frente" e se aprofunda e agrava a chamada "financeirização" do sistema. Aqui há uns 20 anos anos atrás o racio entre o capital financeiro e a massa de bens e serviços disponíveis nos mercados seria de 2 para 1 (é só um número, não tenho os dados aqui à mão até porque não estou em minha casa...). Hoje aquele rácio é da ordem dos 100 para 1 (ou algo nessa ordem de grandeza). Portanto é daí – dessa massa astronómica de "dinheiro", permanentemente a circular à volta do planeta - que vêm as tais "mais-valias". Entretanto, parte dessas "mais-valias" (por sua vez convertidas em capital-dinheiro) já terá sido aplicada na construção dos edificios dos hospitais, na fabricação de camas e mesas operatórias, instrumentos de análise etc... etc... Já no que diz respeito aos esquemas de pagamento e remuneração (assim como em relação à tua questão sobre se continuam ou não a ser "trabalhadores improdutivos", por mim a coisa tem que ser vista quer em termos de evolução e transição de sistemas (sociais), quer em termos da sociedade humana como um todo. Ou seja, em capitalismo e a nível macro-social (in abstracto), os trabalhadores só são produtivos se efectivamente contribuírem para a produção de novo e acrescentado valor (as mais-valias). Mas para a sociedade humana como um todo, também a nível macro-social e à distância da evolução da História (em que o capitalismo é uma espécie de doença infantil do futuro da Humanidade, uma espécie de sarampo a que não podíamos deixar de escapar...), então desse ponto de vista não haja dúvidas que qualquer trabalho que contribua para a melhoria das condições de vida da Humanidade, é obviamente um trabalho produtivo. Acrescento (de passagem) que a noção de trabalho útil não é aqui relevante. Nestas circunstâncias interpreto os esquemas de motivação e remuneração do pessoal do SNS (de qualquer um em qualquer país...) mas que tu referes relativamente à Dra. Maria de Belém, como sendo "passos na direcção certa". A esse respeito, não tenho problema nenhum em recordar a tese de Bernstein àcerca da importância do movimento. Desde que seja sustentado e na direcção certa... Por agora fico-me por aqui. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |