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| Subject: “O radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista” | |
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Author: Álvaro Cunhal |
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Date Posted: 9/01/06 22:22:32 In reply to: Filipe Diniz 's message, "Para Alegre pelos vistos vale tudo" on 9/01/06 14:12:14 “(…) Não são apenas os C.M.L. (na sua primeira, segunda, terceira, quarta versão) que anunciam a realização de tal tarefa. Vários outros (E.D.E., Cadernos e caderninhos, trânsfugas, agora também os aventureiros de Argel) propõem-se criar ou “ajudar” a criar a “vanguarda revolucionária”. Imitando os mesmos passos ao entrar em cena dos actores que antes desempenharam o mesmo papel, há quem agora diga, que uma “nova aliança revolucionária” de verbalistas pequeno-burgueses de todos os matizes, será o ponto de partida para “a criação de um partido marxista (?) revolucionário (?) capaz de dirigir e de concluir, sozinho (!) ou com outros partidos revolucionários (?), a revolução socialista em Portugal” (M. Sertório, “Por uma nova aliança””, p.6). Assim se julgam dignos do reconhecimento eterno dos trabalhadores, “incapazes” de definirem a sua estratégia e, mais de 120 anos após o “Manifesto Comunista”, irem além de uma ideologia sindicalista, sem a ajuda da “teoria revolucionária” “introduzida” e “inculcada” no movimento operário do “exterior”, por obra dos intelectuais pequeno-burgueses. Com o seu espírito típico de classe, não consideram a chefia política como um apuramento de quadros e como o reconhecimento de uma situação resultante da acção desenvolvida, mas como uma espécie de “lugar”, para ocupar o qual, basta haver vagas e concorrentes. Começam pois por proclamar que “não há dirigentes”, que “não há chefes”, para depois avançarem: “aqui estamos nós”. “O problema político nacional (escrevem uns) é em grande parte (…) um problema de direcção” (Cadernos de Circunstância”, nº 2, p. 25). “O problema político português (dizem outros) é fundamentalmente o problema duma vontade política e duma determinação revolucionária que tem faltado às forças antifascistas (…) A culpa é dos que têm a direcção do movimento antifascista (…) O que o povo não tem tido é as organizações e os dirigentes revolucionários de que precisa e que merece (Piteira, Alegre & Cª - “Textos da Voz da Liberdade”, p. 20). Até ao momento, claro, em que eles aparecem no tablado. Na sua contestação do PCP e dos quadros de direcção do movimento operário e democrático, procuram mostrar que há um completo vazio de direcção e que entre eles, candidaos à chefia, e o povo “desorganizado” e “espontâneo”, nada de válido existe. Vendo-se a si próprios como guias predestinados, fazem demagogicamente a “guerra aos dirigentes”. Erguem-se contra “a mísica do Partido” (entenda-se do PCP) (Cadernos de Circunstância”, nº 6, p.13). Bradam ao povo para que “deixe de estar à espera de salvadores” e para que se organize “sobre as suas próprias forças” (CMLP, VIII, 1969, p.2). Proclamam: “nem salvadores, nem Messias iluminados, nem chefes perpétuos” (Piteira, Alegre & Cª, “Textos”, pp.2 e 6). Intrigam e caluniam quanto podem. E, julgando ter reduzido a zero a autoridade do PCP, dos seus dirigentes e de outros dirigentes do movimento operário e democrático, põem-se em bicos de pés e afirmam que eles sim vão “criar o que falta” e “dar o exemplo”, que eles sim serão os “agentes históricos” (sic), os dirigentes, os chefes, os salvadores, os Messias! Processo tão velho como o radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista, tão velho como a história dos inimigos do partido do proletariado. (…) Tanta bazófia, senhores meus! Tanta suficiência e “superioridade” de “pessoas instruídas” em relação aos trabalhadores! Como imaginam a classe operária a correr para eles, para os “consultórios” dos Cadernos, para os estrategos da E.D.E. ou do CMLP, para Paris, para a Suiça, para Argel, para que a esclareçam do “conteúdo revolucionário implícito das suas lutas, para que sejam a sua “memória colectiva”, para lhes implorar: Senhores intelectuais pequeno-burgueses! Por piedade! Coordenai-nos, unificai-nos, explicitai-nos, memoriai-nos, pois a nossa “débil saúde política”, a nossa “incapacidade de organização”, a nossa “falta duma estratégia própria”, nos desarma perante o capitalismo e perante os falsos Messias e salvadores! Como dizem sabiamente alguns de vós, estamos à espera que a nossa consciência progrida para sentirmos a necessidade duma organização política. Sois vós, senhores intelectuais pequeno-burgueses, “as minorias historicamente mais conscientes”, sois vós as “minorias depositárias (quem depositou não sabemos, mas acreditamos no que dizeis!) da experiência historicamente acumulada”! Acudi-nos, senhores! Sede os nossos verdadeiros Messias e Salvadores! É assim que os radicais pequeno-burgueses de fachada socialista imaginam o processo de criação do seu futuro partido, da sua “vanguarda revolucionária”. E como, nos seus sonhos de hegemonia, encontram por diante o partido do proletariado, como as suas considerações são desmentidas pelo próprio facto de que o Partido existe, consideram como tarefa primeira, “prioritária” (quase todos o afirmam) o combate ao Partido Comunista. Os estudantes ou ex-estudantes da E.D.E., escreveram um dia que o “anticomunista tornar-se-à o grande denominador comum de uma nova frente política, da direita à esquerda burguesa”. A verdade é que o anticomunismo deixou de ser apanágio da burguesia reaccionária e se está tornando o “denominador comum” de intelectuais esquerdistas, de despeitados, de trânsfugas, ou seja da “nova frente política, da direita à esquerda” do radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista. (…)” (pp 172 a 176, do livro “O radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”, de Álvaro Cunhal, 3ª edição, Edições “Avante!”, 1974) [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
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| Mas felizmente para a "Revolução" Portuguesa veio a liderança revolucionária | Visitante Cínico (e numa de brincadeira...) | 10/01/06 12:19:41 |