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| Subject: Depois das eleições | |
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Author: José Manuel Fernandes |
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Date Posted: 13/01/06 8:54:21 As respostas às questões colocadas pela eventual eleição de Cavaco arriscam-se a ser surpreendentes As eleições presidenciais vão modificar o sistema de partidos? A vitória de Cavaco Silva, se se confirmar, vai obrigar a uma recomposição da direita? E um Cavaco Silva eleito à primeira volta - logo com uma forte legitimidade política - tem peso e condições para alterar o actual equilíbrio entre os diferentes poderes da nossa República? Estas questões, que têm sido pouco discutidas - ou discutidas com pouca seriedade - nesta campanha eleitoral, estarão na ordem do dia dentro de poucas semanas. Mas o mais provável é que nada de muito substancial mude: nem nas instituições, nem nos partidos. Para isso convém recordar alguns traços da personalidade de Cavaco Silva que tendem a ser esquecidos. Primeiro, é pouco ou nada provável que um hipotético Cavaco em Belém se preocupe muito com o seu antigo partido e ainda menos com o destino do CDS. Quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva nunca apreciou a vida partidária - mais depressa a desprezava. Por um lado, não gostava da intriga, faltava-lhe paciência para os profissionais do aparelho e mesmo quando podia ter escolhido o seu sucessor (como Aznar fez em Espanha, por exemplo), preferiu refugiar-se no tabu e assistir calado à memorável luta entre Barroso e Nogueira no Coliseu dos Recreios. Depois de ter deixado de ser primeiro-ministro, teve oportunidade, em diversas ocasiões, de influenciar os destinos do seu antigo partido, mas nunca o fez. Sempre que falava ou escrevia falava sobre o país e a economia e nunca conviveu com Marcelo ou Barroso, muito menos com Santana. Mesmo a Santana, que despreza, só atacou (e sem o citar) quando este conduzia o país e o PSD para o abismo. Ao contrário de Mário Soares, que a partir de Belém tentou influenciar por várias vezes o destino e as opções do seu partido, o PS - recordam-se das palavras de Vítor Constâncio quando se demitiu? Ou do congresso Portugal, que Futuro?, lançado contra os Estados Gerais de Guterres? -, Cavaco Silva pode ter no seu partido amigos que preferiria como líderes a Marques Mendes, mas não manobrará para os impor. Se alguma coisa influenciar será pela acção, pela forma como agir enquanto Presidente, a qual pode entrar em choque com o estilo de muitas lideranças partidárias. Mas isso tanto pode ser válido à direita como à esquerda. Finalmente, convém não esquecer que se os eleitores de direita se preparam para votar em massa em Cavaco Silva - intenção que nem erupções cutâneas como a protagonizada pela aparição de antigos companheiros ressabiados perturbarão sensivelmente -, este não tem um discurso de direita, nem é um liberal, pelo contrário. Por paradoxal que tal possa parecer, a sua presença em Belém talvez permita clarificar discursos políticos nessa área, que, hoje, estão quase sempre condicionados pelo cálculo eleitoral. Essa clarificação far-se-ia por oposição, não por colagem ao discurso do favorito na corrida presidencial. Por fim, ao apresentar-se ao país com base numa plataforma que, mal ou bem (Vasco Pulido Valente, por exemplo, acha que mal), criou a expectativa que algo pode mudar para melhor na área da economia, não restará a um hipotético Cavaco Presidente senão aplicar-se para que os acontecimentos não defraudem as expectativas que criou. A tarefa, conhecidos os seus poderes reais, não é óbvia, já que o seu sucesso depende quer do sucesso das políticas de um governo que não controla, quer da gestão das expectativas do país, isto é, dos volúveis humores nacionais. Se não quiser desiludir, Cavaco não terá alternativa senão a de cooperar com o governo. Resta saber como, mas é tema a que voltaremos mais tarde. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |