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| Subject: O sonho estragado | |
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Author: João Cândido da Silva |
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Date Posted: 26/11/05 22:15:47 Em The Wisdom of Crowds, James Surowiecki explica como a sabedoria colectiva supera a capacidade de previsão individual, quer se trate de adivinhar quem será o vencedor de uma corrida de cavalos ou quem ganhará determinada eleição. Mesmo tendo em conta que o grau de informação de muitas das pessoas que contribuem para um veredicto colectivo pode ser relativamente pobre, os juízos sobre o futuro que resultam da soma de diversos palpites individuais revelam-se, com frequência, acertados. Se o autor daquele livro estiver correcto, as sondagens sobre as próximas eleições presidenciais apontam claramente para que a vitória seja alcançada por Cavaco Silva, o candidato que, mesmo entre quem afirma não lhe conceder o voto, é apontado como o concorrente que chegará à frente. As previsões dos resultados das eleições que foram divulgadas nos últimos dias revelam que o ex-primeiro-ministro é visto como o Presidente da República de que o país necessita no actual momento, independentemente dos julgamentos sobre o seu desempenho e o dos restantes candidatos no passado. É por se concentrar nestes terrenos, persistindo em trazer para a pré-campanha matérias que foram objecto de julgamento em eleições anteriores, que a candidatura de Mário Soares vai surgindo em dificuldades para se impor junto dos eleitores tradicionais do partido que o apoia, não conseguindo, sequer, demarcar-se de Manuel Alegre. O deputado do PS não só colhe uma boa parte dos seus apoios entre os socialistas, como consegue fazer melhor do que o ex-Presidente junto da esquerda. Até agora, a prestação de Soares tem correspondido a pouco mais do que uma sucessão de tiros no pé. A agressividade gratuita e por vezes caricata colocada nos ataques a Cavaco Silva não gera frutos e a moderação de Manuel Alegre prova que, em tempos difíceis, os eleitores preferem a serenidade e a ponderação a um espectáculo de lavar de roupa suja ou à exibição de galões conquistados noutras batalhas políticas. A alegação de que o antigo líder do PSD não leu Os Lusíadas, o que faria de Cavaco um candidato sem qualificações para se tornar inquilino do Palácio de Belém, ilustra a arrogância classista que Mário Soares não consegue reprimir, quando verifica que o país não se lança a seus pés, prestando eterno tributo a uma espécie de dono do regime democrático. Acossado pelas fantasias que o próprio alimenta, Soares entrincheirou-se e tenta inventar em Cavaco o perfil de adversário que o ex-primeiro-ministro não tem. Confessou que, no caso de as sondagens virem a ter confirmação nas urnas de voto, passará a ter insónias, quando aquilo que lhe devia tirar o sono é precisamente o tipo de campanha trauliteira em que decidiu voluntariamente lançar-se, como se o país tivesse parado há trinta anos e as motivações dos eleitores fossem agora as mesmas que o ajudaram a sair por cima noutras contendas. De um aspecto, Soares não pode lamentar-se. Ao contrário do que já chegou a afirmar, a comunicação social não o tem ignorado. Os esforços para arranjar, dia após dia, novas tiradas que consigam conquistar espaço noticioso nas televisões têm sido certeiros. Dados recolhidos pela Marktest referem que, em comparação com os seus concorrentes, o antigo Presidente é o campeão, com larga vantagem, no espaço que tem sido dedicado aos candidatos nas eleições presidenciais. Se a mensagem não está a passar, Mário Soares só tem de queixar-se de si próprio, do facto de protagonizar uma candidatura egocêntrica e de evidenciar um desejo quase infantil de vingança sobre um adversário que está em posição de lhe estragar o sonho de uma nova e derradeira consagração. O segredo está nas empresas fixação de metas ambiciosas, só por si, não transforma um conjunto de boas intenções num plano eficaz de ataque aos problemas estruturais da economia portuguesa. A célebre Agenda de Lisboa, que, há cinco anos, prometia transformar a Europa no bloco económico mais competitivo do mundo no curto período de uma década, é um bom exemplo. Não só os governos europeus deixaram cair o entusiasmo inicial que a propaganda tentou transmitir, tentando agora ressuscitar timidamente o espírito do projecto, como os Estados Unidos continuam a evoluir mais depressa, deixando para trás uma Europa enredada numa rigidez anacrónica, com ritmos de crescimento comparativamente débeis. E isto acontece sem que do outro lado do Atlântico tenha sido necessário desenhar nos gabinetes governamentais qualquer plano específico para colocar os Estados Unidos na liderança da inovação. No papel, o Plano Tecnológico que o Governo apresentou esta semana está recheado de objectivos consensuais. A expansão do acesso às tecnologias mais avançadas de acesso à Internet por parte da população portuguesa, a massificação da utilização de computadores entre os estudantes ou as promessas de aposta na melhoria da qualificação dos recursos humanos e de aumento do investimento em investigação e desenvolvimento não causam, seguramente, qualquer espécie de discordância de fundo. São elementos essenciais para que Portugal tenha a possibilidade, a prazo, de subir degraus essenciais para atingir um novo patamar na cadeia de valor. O desafio é brutal, porque o atraso em relação aos concorrentes se foi acumulando, até se chegar ao estado de esgotamento em que a economia portuguesa se encontra actualmente, perdendo quotas nos mercados internacionais e baseando o seu crescimento no consumo de bens que as empresas nacionais não produzem. Perante um tecido empresarial que se concentrou, nos últimos anos, em sectores como o comércio, o imobiliário ou a construção, áreas que pouco contribuem para melhorar as capacidades competitivas do país no cenário da globalização, o pontapé de saída para a mudança teria, inevitavelmente, que vir do Governo. É do Estado que depende a remoção de uma grande parte dos bloqueios que comprometem um ambiente mais saudável para o investimento do sector privado e o crescimento da economia. O combate ao peso da burocracia ou a mudança da máquina da administração pública para um modelo de flexibilidade e eficácia são factores críticos para o sucesso do Plano Tecnológico. Mas o grande risco de todo o projecto está na ligação entre os esforços do Governo e a vontade das empresas para cumprirem as metas anunciadas. A promessa de que o Estado aumentará os seus investimentos em investigação e desenvolvimento só terá utilidade se esta actividade for dirigida para a aplicação prática em produtos e serviços inovadores. De pouco servirá ter um computador por cada cinco estudantes ou proporcionar o acesso à Internet por banda larga a metade da população portuguesa em 2010, se aquilo que se encontrar na Web for o mesmo que existe hoje em dia, isto é, bens e serviços produzidos por empresas estrangeiras que sabem como aproveitar as potencialidades de plataformas de negócio com crescente importância, como o comércio electrónico. Por mais que o deseje, não será o Governo que conseguirá lançar projectos de sucesso. Se o Estado cumprir a sua parte, ainda assim o segredo sobre o destino do Plano Tecnológico estará nas mãos das empresas, dos gestores e dos empreendedores. E, sobre esta matéria, o que faz sentido no papel não assegura a concretização de efeitos práticos. Jornalista [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Re: O sonho estragado - Ou a argolada na transcrição do texto (NT) | Visitante Cínico (e numa de "revisor de textos") | 26/11/05 22:39:21 |
| Causas perdidas? | João Pinto e Castro | 26/11/05 23:29:02 |