Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your
contribution is not tax-deductible.)
PayPal Acct:
Feedback:
Donate to VoyForums (PayPal):
| 22/05/26 3:48:13 | [ Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, [8] ] |
| Subject: Re: Políticos profissionais: Um exemplo dum que diz que é professor universitário | |
|
Author: João Mesquita |
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 6/11/05 13:45:04 In reply to: Henrique Monteiro 's message, "Políticos profissionais" on 5/11/05 20:31:00 “Um verdadeiro toupeira vermelha” João Mesquita, Grande Reportagem, 05/02/05 (...) Em Novembro de 71, chegara a Lisboa um celebrado activista da revolta estudantil coimbrã de 69, João Cabral Fernandes que vem fazer o chamado ano de prática clínica no Hospital de Santa Maria. Mas vem também procurar estender à capital os Grupos de Acção Comunista (GAC), que se tinham começado a formar em Coimbra e no Porto a partir de leituras e discussões que têm Léon Trotsky sempre no centro. Aos ouvidos de Cabral Fernandes chegam notícias de um grupo de estudantes do Liceu Padre António Vieira (...). Um (...) era Francisco Louçã. O outro, Miguel Teotónio Pereira. Cabral Fernandes não descansa enquanto não descobre como chegar à fala com os rapazes. Ainda por cima (...) lêem Marx, Lenine e Marcuse e frequentam sessões de cinema pouco recomendadas (...), no velho Império ou no cineclube que funciona no salão paroquial da Igreja de S. João de Brito. Só que Miguel (...) não prescinde das suas futeboladas (...) nem de uns longos jantares (...) na Munique ou na Alga (...). Francisco não. Já nessa altura (...) dá mostras de ser “um verdadeiro toupeira vermelha” (...). João Cabral Fernandes também gosta de umas noitadas. Mas não descura a oportunidade de recrutar Francisco Louçã (...). Quando surge nas primeiras reuniões de estudantes trotskistas (...) Francisco dá logo nas vistas (...). Ainda é, porém, um militante muito recente para estar na conferência que funda a LCI, realizada na casa que um estudante trotskista de Medicina possuía em Peniche, no dia 18 de Dezembro de 1973. Mas nesse mesmo ano passa a integrar a direcção de Lisboa da nova organização. E em Julho de 1974, no encontro que consagra a integração da UOR (União Operária Revolucionária) na LCI, é eleito para o Comité Central. Já participa, pois, na primeira polémica interna que abala a LCI após o 25 de Abril, em torno de saber se ela deve, ou não, legalizar-se imediatamente. Francisco Sardo e Ferreira dos Santos, dois históricos (...), sustentam que não (...). Louçã está entre a maioria que defende que sim. E assim chega ao Secretariado do Comité Central, onde tem por camaradas João Cabral Fernandes, Heitor de Sousa, Adelino Fortunato e António Brandão. Mas os resultados nas eleições para a Constituinte, em Abril de 75, não são brilhantes (...). Resultado: o segundo congresso, que se efectua em Agosto, é talvez o mais polémico (...). Defrontam-se quatro tendências. Ganha a liderada por Francisco Vale, futuro jornalista de O Jornal e hoje proprietário da editora Relógio d’Água. Francisco Louçã está na segunda corrente mais votada, ao lado de Cabral Fernandes e José Manuel Boavida. Sai do Secretariado, mas por pouco tempo. Um mês depois do congresso, a maioria afecta a Vale impõe a participação da LCI na FUR. Mas a evolução desta parece dar razão aos que, como Louçã, a viram mais como um instrumento do PCP para alargar a base de apoio à governação de Vasco Gonçalves. Consequência: novo secretariado, com Francisco Louçã a regressar. E quando em Julho de 76 se realiza o terceiro Congresso da LCI, Francisco Vale acaba mesmo por ser expulso, sob a acusação de fraccionismo. Sardo (...) e Ferreira dos Santos (...) afastam-se. Pelo meio dá-se o 25 de Novembro, que interrompe os sonhos revolucionários (...). Louçã nunca mais deixa de integrar o “núcleo duro” do trotskismo português. Pelo contrário: a sua posição reforça-se quase sempre, o que também é facilitado pelo abandono, na década de 80, de históricos como Cabral Fernandes. É o que acontece quando em 78 a LCI se funde com o PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores), dando origem ao PSR. É certo que a unificação – “muito teleguiada” pelo trotskismo internacional, para utilizar a expressão de um dos homens que acompanharam de perto o processo, Heitor de Sousa – não durou muito. No ano seguinte, boa parte dos militantes do ex-PRT, entre eles o sociólogo José Luis Garcia e Sá Leal, hoje director do serviço de Medicina do Trabalho na TAP, estavam a fundar a FER. Mas Louçã (...) começa definitivamente aqui a impor-se (...). Sofre alguns desaires, é certo. É o que se passa quando nas presidenciais de 76, ao abrigo da palavra de ordem “Nem capitalistas nem generais”, a LCI apoia Octávio Pato contra Otelo Saraiva de Carvalho (...). Em 80, quando Otelo volta a candidatar-se à Presidência da República, ainda que com resultados muito piores, já conta com o apoio do PSR. O porta-voz da candidatura é (...) dirigente do partido: José Ferreira Fernandes, hoje jornalista no grupo Cofina. Em 82, com a coligação para as legislativas com a UDP (...) as coisas tornam a não correr muito bem (...). O Xico (...) já então é segundo na lista de Lisboa, atrás de (...) Mário Tomé. (...) Em 85, independentes como Eduarda Dionísio, João Martins Pereira, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Fernando Rosas e José Mário Branco dão a sua colaboração à campanha (...). É também o tempo em que a sede (...) na Rua da Palma, se abre a bandas como os Xutos e Pontapés, os Mão Morta e os Peste & Sida (...) todas as noites de sexta e de sábado centenas de jovens acorrem às Palmeiras, que além do mais, Heitor dixit, vêem como “um sítio livre, onde se pode fumar umas “brocas” sem que se seja incomodado”. Uma madrugada, a coisa deu para o torto. Foi quando um grupo de skinheads feriu de morte (...) o militante do PSR (...) José Carvalho. Mas ainda hoje é possível encontrar nas Palmeiras (...) grupos de jovens (...). Louçã passa por lá às vezes. E se no fim do jantar um “charro” circula de mão em mão, nem sempre se faz rogado a uma “passa”. Na sequência das eleições que marcam a chegada de Cavaco Silva ao poder (...) o órgão central Combate Operário (...) passa a chamar-se, simplesmente, Combate. Jorge Silva reformula completamente o grafismo. Na redacção fixa – dirigida por Louçã (...), os independentes ficam em maioria. Com Eduarda Dionísio, passam a colaborar (...) jornalistas como Jorge Costa (...) João Paulo Cotrim, futuro director da Bedeteca de Lisboa, Ana Sá Lopes, até há pouco editora de política do Público, e Elisabete Caramelo, actualmente assessora de imprensa do Presidente da República. De par com outros (...) como Júlio Pinto (...). Em termos eleitorais, porém, a abertura não produz os resultados desejados. O PSR (...) nunca consegue eleger um deputado que seja (...). O desaire tem consequências. No congresso seguinte, o médico Alfredo Frade derrota as teses defendidas por Louçã, com o apoio de Heitor, preconizando um maior investimento na afirmação e organização do PSR. Pelo seu lado, apesar de se manter no secretariado (...) Francisco investe nos estudos (...) interrompidos desde 1973. (...) No final dos anos 90 tem tudo concluído (...). Louçã começa a leccionar. No (...) ISEG (...). Mas também em universidades da Grã-Bretanha, da Venezuela, do Brasil, do México, da Holanda. (...) Começa também a publicar. Só em livros vai em sete (...). E há ainda as centenas de crónicas em tudo quanto é jornal, rádio e revista. Nessa altura, já Francisco vive há muito (...) com Ana Campos, obstetra e genecologista (...) irmã de (...) Correia de Campos (...). Quando Guterres chega ao Governo, corre o país procurando convencer militantes e ex-militantes (...) no lançamento de um movimento (...) que se contrapusesse à “nova maioria rosa” e aos “Diálogos com o País”, fomentados pelo PCP. Daí resulta a aliança entre o PSR e a Política XXI nas autárquicas de 97. Para a Câmara da capital, onde João Soares é o número um, Nunes da Silva, da Política XXI, é o cabeça da lista para a Assembleia Municipal (...). Mas as eleições não se realizam sem mais uma dor de cabeça para Louçã. João Paulo Cotrim e Júlio Pinto (...) são dois jornalistas que (...) acompanham o percurso de Louçã desde meados dos anos 80. Mas na capital, nas autárquicas de 97, eles estão com João Soares. Não vêem motivos para retirar o apoio à coligação “Por Lisboa” (...). E colaboram num jornal da campanha (...) em que Louçã, numa fotomontagem, aparece vestido de bispo. Francisco não gosta. E inicia uma troca de mensagens (...) com Cotrim, em que termina a acusá-lo: “Serás sempre um social-democrata”. O já então director da Bedeteca (...) ainda lhe responde: “Se for tendência Rosa Luxemburgo, então sim, serei um social-democrata”. Mas a relação entre os dois nunca mais será a mesma. Já anos antes, aliás, tinham entrado em conflito por causa da “Ovelha Negra”, suplemento (...) do Combate, coordenado por João Paulo Cotrim e Júlio Pinto. Cotrim acusa Louçã de os ter impedido de publicar uma banda desenhada (...). O que deu origem a uma acalorada discussão (...) que culminou com a extinção do suplemento. Ainda assim, Cotrim e Pinto continuaram (...) a colaborar com o Combate. Até que (...), o director da Cotovia o informa de que Louçã lhe comunicara que se recusava a publicar mais textos seus na revista Papéis, de que a editora era proprietária, enquanto Cotrim também lá escrevesse. Quando recorda estes episódios, João Paulo Cotrim conclui: “Percebi que a relação dele comigo não estava acima da política. Não sei mesmo se é capaz de se relacionar com alguém, ou com as coisas da vida, para lá da política”. Pelo seu lado, Louçã comenta: “O jornal da campanha era muito agressivo. Cotrim não podia pensar que era como se não se tivesse passado nada”. A dada altura de 98 (...) Fernando Rosas, que (...) colabora com o PST desde há uns quatro ou cinco anos (...) quer saber da disponibilidade (de Louçã) para uma plafaforma comum (...) que lhe fora sugerida por Luís Fazenda (...). Mais: gostaria que ele, Louçã, sondasse (...) Miguel Portas, acerca do mesmo propósito. Francisco Louçã acha que a proposta vai de encontro ao que defende. Só que quer ver o que resulta do congresso do PSR desse mesmo ano. No conclave, Alfredo Frade pede mais calma (...). Mas a grande maioria (...) não lhe dá ouvidos. No encontro Nacional da Política XXI, realizada nas instalações do grupo de Teatro A Barraca, as reservas são ainda menores (...). E na UDP, o problema está igualmente resolvido, com a derrota (...) do primeiro-secretário do PC(R ), Eduardo Pires (...). Louçã, Portas, Fazenda e Rosas, já com outros como Helena Neves e Miguel Vale de Almeida, podem então trabalhar (...) no “Começar de Novo”. E no princípio de 99, após uma assembleia constituinte (...) no Fórum Lisboa, um acordo de integração com o grupo Ruptura (sucedâneo da FER) e uma reunião com o MRPP que dá em águas de bacalhau, o BE está em condições de se apresentar ao país. Em Junho desse mesmo ano já concorre às eleições europeias, com Miguel Portas (...). Às vezes, é claro, as coisas correm manifestamente mal. A primeira vez (...) tanto quanto se reparou, foi quando Francisco Louçã surgiu no Estádio da Luz, em pleno camarote de Vale de Azevedo e ao lado deste. O deputado (...) justificou-se com um convite recebido no grupo parlamentar e com o não saber exactamente ao que ia. Mas os militantes (...) não gostaram de ver Louçã (...) em amena cavaqueira com um homem de quem já se diziam tantas cobras e lagartos que, pouco depois, seria preso e condenado. A segunda (...) prende-se com o “célebre” debate televisivo com Paulo Portas em que (...) acabou a produzir afirmações que mesmo muita gente da sua área interpretou como uma manifestação de autoritarismo ou de moralismo, quando não mesmo como uma intolerável insinuação acerca da vida privada do adversário. (...) Ainda há quem não desculpe. É o caso de João Cabral Fernandes (...). “Aquilo não foi um deslize ou uma infelicidade. Foi um sinal de intolerância. Mas o que mais me chocou foi que o Bloco, enquanto tal, não o tenha dito”, afirma o actual psiquiatra no Hospital Júlio de Matos. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |