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| Subject: Políticos profissionais | |
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Author: Henrique Monteiro |
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Date Posted: 5/11/05 20:31:00 MÁRIO Soares não gostou que Cavaco Silva sublinhasse que não é um político profissional. O ex-presidente entende que o ex-primeiro-ministro apenas se quer demarcar do desprestígio em que caiu a classe política. Mas de onde vem esse desprestígio? E um político profissional, hoje, é igual ao que era há 30 ou 40 anos? Em boa verdade, de acordo com os primeiros princípios republicanos, estipulados depois da Revolução Americana, um político é um servidor da comunidade nos cargos para os quais é eleito ou nomeado. Esse cidadão deve ter uma ocupação ou uma profissão que suspende para se colocar ao serviço da coisa pública, a «res publica». Depois, aparece um político profissional ideológico, herdeiro do revolucionário profissional (é o caso de Soares, Alegre ou Sampaio), que desde novo perfilha uma ideologia que há-de salvar o país e o mundo ou pelo menos torná-lo harmonioso (ainda que essa ideologia vá sendo actualizada). Actualmente, o político profissional é o que percorre uma carreira, começando nas «jotas», como assessor, e subindo a deputado, autarca ou secretário de Estado, sendo depois ministro e - quem sabe? - primeiro-ministro ou Presidente da República. Não tem necessariamente outra ideia que não seja a do poder, e nunca tem um emprego na vida que não seja uma comissão estatal ou uma administração pública. PERCEBE-SE assim melhor a ideia de Soares quando se assume como político profissional, bem como a de Cavaco que se assume como não sendo (na verdade ele encaixa na primeira definição, precisamente quando os políticos não eram profissionais). E como ambos percebem bem que a classe política está desprestigiada, Soares, que se assume como profissional, ataca Cavaco que prefere dela afastar-se. No entanto, quem desprestigiou a política não foi nenhum dos candidatos presidenciais. Foi, sim, aquela geração de políticos que não tendo herdado nem o sentido do serviço público nem a largueza de ideais, dá, sem qualquer grandeza, a impressão de apenas pretender fama e poder e dinheiro. É uma geração de políticos que gosta, acima de tudo, de ser amada e compreendida e é incapaz de tomar medidas necessárias, ainda que dolorosas; que tem relações promíscuas com a comunicação social e aceita, muitas vezes, as suas regras, expondo-se a si mesmo, à família, ao cão e ao gato, vendendo-se como produtos; que privilegia as formas em relação aos conteúdos, aceitando agir e falar segundo modelos publicitários, surgindo como oca, vazia. Felizmente, ainda muitos, no Governo e na oposição, resistem a este estereótipo. Mas é fácil reconhecer em diversos gestos e opções, o germe de uma, ou mais, destas maleitas. E se é impossível colocar Soares e Cavaco entre eles, há que dizer que tanto um como outro contribuíram substancialmente para a sua existência. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |