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Subject: Mais uma ideia peregrina - esta minha, claro...


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 9/11/06 0:05:10
In reply to: Renovação Comunista 's message, "Debate no Aniversário da Revolução de Outubro" on 5/11/06 16:44:52

Tive ocasião de fazer uma brevíssima e improvisada intervenção no debate que se realizou ontem dia 7.
Disse, mais ou menos, o seguinte:

Em primeiro lugar que se tratava apenas uma hipótese de investigação histórico-sociológica sobre o significado da Comunicação de Kruschev ao XX Congresso do PCUS.

Não se tratava, de todo, de condenar ou ilibar Estaline de quaisquer eventuais responsabilidades históricas. Tratava-se apenas de uma (mais uma...) tentativa de compreender o evento (Kruschev e o XX Congresso do PCUS) e o seu eventual significado histórico. Em particular no contexto da situação em princípios do século XXI e tomando como perspectiva o muito longo prazo – secular - do desenrolar da História.
Em pano de fundo teremos que ter presentes os quatro fundamentais pilares da interpretação marxista do devir histórico:
1. O modo de produção (as técnicas, a base material...),
2. O princípio (dialéctico) da dinâmica histórica
3. A luta de classes e
4. A formação das ideias (a partir da realidade objectiva – ou o materialismo).

Como prólogo teremos que considerar a situação na Rússia Czarista e o processo social da sua governação. Primeira premissa a considerar para investigação será a ideia de que a Rússia Czarista era governada ou melhor "administrada" através de um embrião de burocracia onde naturalmente predominava (resquícios do Feudalismo) aquilo a que se convencionou chamar de "patrimonialismo". A esse respeito haverá quem prefira a ideia de "Nepotismo". Os governantes locais e seus delegados eram escolhidos com base em relações de família, amizade e/ou de reciprocidade.
Na sequência da Revolução de 1917, assume o poder uma nova forma de poder político: os sovietes (ou conselhos populares, comissões de trabalhadores...) como expressão de democracia popular de base e o "patrimonialismo" próprio do feudalismo tardio, "vai à vida"
Lembram-se concerteza da expressão de síntese leninista "o socialismo é o poder dos sovietes e a electrificação da Rússia".
O cansaço humano que deriva da natureza das coisas humanas, as necessidades logísticas impostas pela guerra civil e o cerco das potências imperiais dão origem à necessidade social de "formalizar" (organizar de forma sistemática, estruturar, dar caracter de permanência e continuidade) ao sistema de administração das coisas públicas.
Estamos a falar de mais de 100.000.000 de pessoas habitando alguns milhões de quilómetros quadrados de território... Aos sovietes (conselhos populares, de vizinhança ou de local de trabalho) vem a substituir-se uma nova ou uma (re-)emergente (...) burocracia.
Estamos também a falar de uma nova teorização (oposta às ideias de Marx) acerca das origens do Capitalismo: as ideias de Weber, um liberal "de esquerda" (era assim que ele mesmo se definia), republicano e anti-socialista.
De certa forma a ideia de "burocracia" era uma ideia inovadora de organização social e dera mesmo origem a reflexões (nomeadamente em Inglaterra) sobre o seu eventual papel numa transição para o socialismo.
Em todo o caso, com Stalin ter-se-á consolidado uma sistema de governação que alguns autores (nomeadamente trotskistas) designam por "colectivismo burocrático" mas que na sua formulação original na Grã-Bretanha de antes da Primeira Guerra Mundial seria então considerado como uma espécie de possível época de transição entre o capitalismo e o socialismo.

A hipótese a investigar seria então a seguinte:
Estaline ter-se-ia apoderado do aparelho burocrático que ele próprio ajudou a montar ("de todas as peças") com "funcionários públicos" escolhidos "a dedo" e com base na fidelidade ou lealdade pessoal (desde logo uma primeira perversão da ideia de burocracia...)
Face à permanente ameaça externa, a necessidade urgentíssima de acelerar a industrialização da URSS (em regime de "mata cavalos") consolidou certamente o poder do emergente e crescente aparelho burocrático.
As "grandes purgas" eliminaram em grande parte os "velhos bolcheviques" e as suas ideias (para alguns "românticas"...) de poder popular democrático de base (os sovietes...)
O que ficou foi então o já referido "colectivismo burocrático" com a face visível do culto da personalidade do seu mentor e dirigente supremo.

As burocracias tem sido estudadas por N sociólogos designadamente no que diz respeito às suas disfunções, ao caracter de "sistema cibernético fechado" ou à sua maior ou menor eficácia e/ou eficiência, face aos objectivos que lhe são propostos pelo poder político ou, em alternativa, pelos seus próprios dirigentes intrínsecos.
Uma das disfunções identificadas em relação ao "comportamento social emergente" (das e nas burocracias) é uma espécie de segregação de poderes "de facto", de tipo subterrâneo relativamente à fachada visível de legalidade administrativa. Nos tempos que correm há mesmo cursos de formação profissional para ajudar pessoas externas a quaisquer burocracias a melhor identificar esses poderes "de facto" para assim melhor poder influenciar decisões de compra por parte dessas burocracias.
É a estória conhecida de alguns "sargentos" mandarem mais do que "oficiais comandantes"...

Mas enquanto a burocracia na URSS ia segregando uma nova "classe" social (aquilo que veio a ser vulgarmente chamada de "nomenklatura"), a verdade histórica incontornável é que grande parte (se não mesmo a totalidade) da acumulação resultante da sobre-exploração do trabalho durante cerca de duas a três décadas ("a mata cavalos"...), era uma acumulação de caracter colectivo, sem apropriação privada, pessoal ou particular por parte dos membros da nova "classe"...
O que havia era um "apropriar" de alguns privilégios de usufruto – sem acumulação – privada ou pessoal (daí o ser incorrecto falar-se de uma nova classe...) a que correspondia um crescendo de formação de uma "ideologia" de elitismo e privilégio sob a capa de um razoavelmente legítimo princípio de meritocracia.
Esta nova "élite", supostamente meritocrática, manteve-se no entanto comedida, discreta e prudente dada a presença "disciplinadora" de Estaline. Com a morte do ditador era necessário não só "normalizar" a vida política mas também prevenir a re-emergência da sua "ideologia".
Nesta perspectiva, o que ficou do "estalinismo" terão sido "apenas" os tiques exteriores, o "papão", digamos assim.

Se o estalinismo teve como resultado prático por um lado uma acumulação "primitiva" forçada (que transformou a URSS numa potência industrial e que em 1957 lançou o primeiro satélite artificial!...) o estalinismo – ou melhor o seu instrumento de governação, a burocracia - teve também como resultado a emergência de uma "clique" elitista supostamente baseada na ideologia da meritocracia.
Desta ideologia elitista à emergência de uma ideologia restauracionista do regime capitalista vai um "pequeno" (grande) salto que terá sido historicamente possibilitado pela actuação objectiva de Kruschev no XX Congresso.
Nas coisas do processo histórico há momentos de inflexão que depois levam décadas a amadurecer e a chegar às suas naturais consequências.
Se esta hipótese de interpretação destes acontecimentos se pudesse confirmar por análise do comportamento concreto (ou historicamente registado) por parte dos seus principais intervenientes, individuais e colectivos, poderíamos talvez chegar à conclusão que o stalinismo acabou com a morte de Estaline e que aquilo que ficou foi "apenas" a metodologia de controle sistemático e permanente da praxis política.
Em esquema:
1 - Os Sovietes foram substituídos pelo Partido.
2 – O Partido foi substituído pela burocracia
3 - A burocracia veio a ser dominada pela "nomemklatura"
4 – Com a morte (e sobretudo o descrédito) de Estaline, a nomenklatura ficou "à solta".
Terá sido esse o mais profundo significado da actuação de Kruschev no XX Congresso ?
O interesse disto tudo para os dias de hoje é capaz de se "resumir" nesta "coisa simples":
É importante, urgente e necessário que os trabalhadores se constituam de novo em "sovietes".
Nem o Monsieur de La Palice dizia uma coisa tão "profunda".
É a chamada ideia peregrina...

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Replies:
Subject Author Date
Brito denuncia figura de EstalineDiário de Notícias 9/11/06 7:25:39
    Re: Brito denuncia figura de EstalineEstaline13/11/06 17:11:35


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