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Subject: Re: Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 2


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 14/09/06 1:36:29
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 1" on 13/09/06 16:02:42

Deixo aqui, uma vez mais, um desafio para o Guilherme:
- onde e quando é que o Marx demonstrou que o valor resulta do tempo de trabalho ?


Voltemos então à questão da “demonstração” (de que Marx terá ou não demonstrado que “o tempo de trabalho será a forma de medir o valor”).
Mas para isso vamos por partes.

Em primeiro lugar importa assinalar que ao falarmos do problema da medida do valor estamos a falar de um tipo de problema científico genérico geralmente estudado em “Metrologia” ou em “Teoria da Medida”.
Um momento de reflexão bastará para ilustrar o caracter genérico do tipo de problema de que estamos a falar. Nos EUA ainda hoje vendem a gasolina medida em galões a um determinado preço em dólares. Na Eurolândia, a gasolina vende-se aos litros a determinados preços em euros.
Em alguns países medem-se as distâncias em quilómetros enquanto noutros países ainda se medem as mesmas distâncias em milhas. Depois, temos as milhas terrestres e as milhas marítimas, para já não falar dos quilogramas e das onças. Ou dos centímetros e das polegadas...
Em algumas indústrias medem-se densidades de elementos químicos utilizando unidades de medida sem qualquer relação comas unidades de medida de outras actividades industriais.
Segundo a Enciclopédia Britânica, a medição é “o processo de associação de números a fenómenos e quantidades físicas”.
Essa medição começa com a definição do mensurando (a coisa ou quantidade a medir) e envolve sempre uma comparação do mensurando com uma quantidade conhecida do mesmo tipo. No caso de o mensurando não ser acessível para comparação directa, é necessário convertê-lo ou “transduzi-lo” num sinal de medida análogo.
(em Baeza, 1988)
Por outro lado, o processo de medição é sempre o resultado de uma convenção social.
No caso da grandeza física “tempo”, por exemplo, apenas as unidades “ano” e “dia” são dados objectivos impostos pela Natureza. Simplificando uma matéria carregada de mitos e estórias, poderá dizer-se que praticamente todas as outras unidades são convenções sociais herdadas de tempos remotos.

Em segundo lugar importa assinalar a confusão ou sobreposição conceptual entre “causa (ou origem ) do valor” e “medida do valor” que parece resultar da formulação do desafio aqui lançado por FPR.
Já David Ricardo parece ter incorrido no erro de não distinguir claramente entre, por um lado, “causa” (ou “origem”) do valor e, por outro lado, a “medida do valor”.
Por outro lado, ao contrário dos seus antecessores “clássicos” Marx não considerava que o trabalho fosse a medida do valor de troca, mas sim que era o valor de troca que media o trabalho. Ou seja, e por outras palavras, porque todas as mercadorias são comensuráveis é que é possível a existência de dinheiro”

“Não é o dinheiro que torna as mercadorias comensuráveis. Antes pelo contrário. Porque todas as mercadorias, enquanto valores, são trabalho humano objectificado e portanto em si mesmas comensuráveis, os seus valores podem ser medidos de forma comum numa só e mesma mercadoria, e esta mercadoria pode ser convertida na medida comum dos seus valores, ou seja, em dinheiro. O dinheiro como medida do valor é a forma necessária de aparência da medida que está imanente nas mercadorias, designadamente tempo-de-trabalho.
Marx, K. 1979, -. Capital. Vol. I.( página 188) - London: Penguin Books Ltd.

Creio que teríamos aqui um exemplo daquilo de FPR refere quando diz que “Marx mencionou” (por oposição a “ter demonstrado”) que o valor resulta do tempo de trabalho”.

Creio que, em segundo lugar, é preciso assinalar o facto de que – pelos vistos – não seria propriamente intuito ou objectivo primário de Marx pretender “demonstrar” que o tempo de trabalho fosse o critério de medida dos valores de troca produzidos.
Todo o seu discurso, quer em “Contribuição para uma Crítica da Economia Política” quer em “Teorias da Mais-Valia” quer ainda em “O Capital”, sendo também uma análise e discussão crítica das ideias correntes do seu tempo, assume naturalmente o facto de que o tempo de trabalho (ou se se quiser, o esforço dispendido – que vem a dar no mesmo...) era consensualmente considerado como sendo a dimensão ou critério mais simples de utilizar para “medir” o valor das coisas produzidas pelo trabalho humano.
Por outras palavras, Marx não pretende que haja uma nova e radicalmente distinta maneira de “medir o valor”, relativamente às ideias dos seus predecessores em Economia Política. Em particular em relação a Ricardo. O que Marx traz de inovador (e não é pouco... É mesmo fundamental e revolucionário) é a distinção entre, por um lado, “trabalho” (a actividade em si mesma) e, por outro lado, “força-de-trabalho”.
A ideia de que “tempo de trabalho” será a mais adequada maneira de medir o valor das coisas, é uma ideia que vem detrás. E, pelos vistos, essa ideia pareceu ser consensual e Marx ter-se-ia assim limitado a continuar a utilizar esse critério.
Ricardo, por exemplo, diz claramente nos seus “Principles of Political Economy and Taxation”: “possuindo uma utilidade as mercadorias derivam o seu valor de troca de duas fontes; da sua escassez e da quantidade de trabalho requerida para as obter”
Assinale-se de passagem que, em rigor , sendo a escassez uma função inversa da quantidade de trabalho requerida para obter (o que quer que seja, mas em particular quaisquer mercadorias), as duas fontes de valor indicadas por Ricardo acabam por ser só uma: o trabalho...
Prometo continuar...

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Subject Author Date
Uma questão central.Fernando Penim Redondo14/09/06 9:19:19


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