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Subject: Re: Algumas questões que exigem reflexão - A ver se consigo esclarecer


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 16/09/06 21:02:45
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Algumas questões que exigem reflexão" on 14/09/06 16:39:31

As mercadorias não se referem a coisa alguma, os homens sim. A comparação das mercadorias e o estabelecimento de correspondências de valor é um processo que ocorre no cérebro dos homens.
É interessante que FPR refira "no cérebro dos homens".
Já agora, não havendo cérebro colectivo, haverá aqui uma utilização, mesmo que inconsciente, do chamado "individualismo metodológico" (próprio dos funcionalistas em sociologia e dos marginalistas em economia).
O processo de avaliação dos valores das coisas (processo esse que é estudado pelas diversas escolas ou paradigmas em ciências socio-económicas) é um processo eminentemene social. E só por ser eminentemente social é que adquire um caracter "objectivo" (para alguns será apenas "intersubjectivo").

O "tempo de trabalho" será, mesmo admitindo que seja conhecido, quando muito um dos factores que influenciam esse processo.
Para o marxismo, na mensuração do valor das "coisas", a última e definitiva "grandeza" a considerar será sempre o "tempo de trabalho" (reconhecido como socialmente necessário).
Isto não quer dizer - de todo !!! - que não se entre em linha de conta com outros factos intervenientes (e que influenciam a quantidade efectiva de valor produzido).
Desde logo a qualidade de quem trabalh, a sua vontade de fazer, a motivação, a energia física de quem trabalha, o conhecimento técnico-ciêntífico, as técnicas utilizadas, os sistema de organização, os métodos de supervisão e controle, os materiais utilizados...
Marx esboçou (pelo menos e tanto quanto eu tenha estudado...) a análise do processo de trabalho de uma perspectiva justamente de "trabalho simples" e "trabalho complexo". Lembro apenas a sua referência à aparente contradição entre o "tempo de trabalho" de um gajo preguiçoso e o tempo de trabalho de um gajo expedito e cheio de motivação. Aparentemente o "valor" produzido pelo gajo preguiçoso seria maior (demorou mais tempo...) do que o valor produzido pelo gajo expedito e motivado.

x mercadorias A = y mercadorias B (20 braças de tecido = 1 fato).
- Esta formulação induz em erro, na verdade esta equivalência depende do tecido e do fato. Ou seja: (20 ganga = 1 fato da Zara) ou (20 braças de veludo fino = 1 fato Hugo Boss)

A questão que FPR não pode escamotear será, em definitivo ou em última análise, que a diferença (de custo e/ou preço) entre os produtos finais (o fato Zara e o fato Hugo Boss) acabará por se dever ao "tempo de trabalho", reconhecido como socialmente necessário para a sua produção.
Entretanto, uma pessoa especialista na área do vestuário confirma-me que efectivamente "custa mais" "tempo e dinheiro" para produzir veludo do que para produzir "ganga"

"Se assumirmos como dada a qualidade do trabalho, as variações na duração do trabalho são as únicas possíveis diferenças que podem ocorrer".
Por que razão havemos de considerar como "dada a qualidade do trabalho" ?
Talvez reformulando - sem beliscar o conteúdo substantivo do que dizia Marx - se torne mais claro o raciocinio subjacente àquela formulação.
"Para igual qualidade do trabalho, as variações na duração do trabalho são as únicas possíveis diferenças que podem ocorrer."
Julgo que dá para entender.

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