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Subject: Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo - 1


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 24/06/06 14:10:45
In reply to: JMC 's message, "Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 10/06/06 22:51:08

Relativamente ao tema da queda tendencial da taxa de lucro, aquilo que se me oferece dizer tem mais a ver com o problema epistemológico envolvido, na medida em que a exposição de JMC é bastante clara e – para efeitos práticos – parece-me correctíssima. Até na medida em que refere a praxis corrente da "trapaça e coerção mais grosseiras", já do âmbito daquilo que correctamente designa por "economia política".
No que respeita à relação entre "teoria" e "praxis" não entendo bem a afirmação de JMC de "um objecto teórico, sem existência real concreta". Isto (o meu não entendimento...) porque parto do princípio de que a um qualquer objecto teórico sempre corresponderá alguma fracção ou faceta da realidade concreta e exterior à entidade pensante. Se não fosse assim (e não é crime nenhum pensar-se que não é assim) estaríamos no campo do Idealismo (com a "agravante" de admitirmos a existência de um qualquer "demon" pensante que decide quando "criar" matéria que corresponde à "ideia").
No meu entender, todas as "representações mentais" (objectos teóricos) são sempre uma decantação das observações (múltiplas e diversas) da realidade. A um nível de maior complexidade, as "representações mentais" serão a decantação já não de observações directas sensoriais, mas sim de relações que imaginamos se estabelecem entre as coisas observadas. Ou seja o ser humano e pensante não e um receptáculo passivo de imagens ou outras sensações que irá processando, catalogando e resumindo, é também e sobretudo um processador activo que procura entender o seu mundo exterior.
Será assim o caso da invenção do "zero" ou do "número imaginário", entre outros "objectos teóricos" do campo das matemáticas e que têm sempre uma iniludível correspondência no mundo real.
Neste sentido entendo que ao "objecto teórico" capitalismo corresponde de facto a existência real e concreta de um capitalismo concreto.
Entretanto, pelas observações de JMC parece evidente que tem um entendimento correcto (ou eficaz) do "objecto teórico" e exactamente por isso é que mostra ter uma compreensão abrangente do correspondente objecto concreto ou realmente existente. Infelizmente o mesmo já não posso dizer relativamente a muito boa gente que reclama "perceber perfeitamente" o sistema capitalista, mas que depois acaba por se refugiar em explicações de caracter circunstancial e a antever o fim do sistema com base em voluntarismos não explicados.

Já tive ocasião de referir que a minha perspectiva é também aquela dos estudiosos da chamada "escola do sistema-mundo" (Braudel, Wallerstein, Frank...) e, assim sendo, considero que a expansão global do sistema-mundo (capitalista) tem estado a decorrer desde há uns cinco séculos.
Ou, se quisermos, essa expansão (as "descobertas" e o comércio trans-oceânico) começa por ser "pré-capitalista", sendo aliás uma factor importante na emergência do capitalismo propriamente dito.
A expansão global capitalista propriamente dita, considero eu que terá sido concluída – em termos de expansão geográfica – por volta do princípio do século XX. Mais concretamente com o fim da guerra dos "boers" e a inclusão "manu militari" das repúbicas "boers" (e das minas de ouro do Transvaal (a última "corrida ao ouro"...)) no Império Britânico, já a prenunciar o seu declínio (ou absorção pelo mais eficaz Império Britânico (significativamente a maior empresa mineira do mundo chama-se "Anglo-American Corporation").
Os elementos fundamentais da globalização estavam já aí presentes. Até a forma como foi conduzida essa guerra dos "boers", a lembrar o Vietname e agora o Iraque, no que diz respeito ao embuste ideológico e propagandístico que, tal como agora, foi então montado.

Quanto ao problema da comprovação da tendência decrescente da taxa de lucro, a simples expressão "tendência" deverá já indicar até uma eventual impossibilidade de comprovação prática. Pelo menos se procurarmos essa comprovação ao nível da medida contabilística dos lucros empresariais.
Se utilizarmos uma imagem quase do foro da anedota, o facto de os aviões, as borboletas, os mosquitos e os pássaros voarem não prova que não há força-de-gravidade. Ou seja, basta que o sistema capitalista disponha de "combustível" ou "energia biológica" suficiente para que continue a "voar" por tempo indefinido" (em velocidade de cruzeiro, em expansão, em desaceleração, mas sempre "a voar"...).

A questão que se põe é então outra: Para que serve então demonstrar que de facto existe (ou não) uma "Tendência Decrescente da Taxa de Lucro" ?
Em primeiro lugar é preciso lembrar que tudo isto é do foro da "Economia Política", nome original da disciplina que vem dos tempos do nascimento e expansão inicial do capitalismo. Isto (do nome da disciplina) exactamente porque as medidas, tomadas ao longo dos tempos, por parte dos dirigentes do sistema sempre tiveram que fazer uso ou recorrer a formas de intervenção fora do campo de análise da chamada "Economics" ( ou Física dos fenómenos mercantis). Muito em particular os poderes político, de coerção militar e de coacção ideológica.
Logo aí – nos chamados "clássicos" - aparece a constatação de que há no sistema uma tendência para a estagnação (e eventual queda) das taxas de lucro, então referenciadas ao comportamento (subidas e descidas) da taxa de juro. É assim que a novel ciência económica vem a ser designada também por "ciência sombria" com John Stuart Mill a prognosticar um futuro de resignação ou pobreza remediada para a esmagadora maioria da população.
Assim sendo, as explicações para essa "tendência" (a sempiterna e filosofal busca das causas primárias por parte dos nossos cientistas e pensadores mais curiosos...) começam por ser de caracter empírico. Podem desde logo dividir-se em duas grandes correntes: as explicações externalistas (as causas para a eventual queda da taxa de lucro são exteriores à lógica do funcionamento do sistema capitalista) e as explicações internalistas (as causas para a eventual queda da taxa de lucro são interiores ou ainda melhor intrínsecas à lógica do funcionamento do sistema capitalista).
Por exemplo, uma explicação externalista seria a de que o esgotamento progressivo das terras mais férteis levaria a um progressivo "transferir de riqueza por parte dos industrialistas para os proprietários das terras". Ou a uma queda tendencial dos "lucros" (em sentido restrito), em benefício das "rendas" (do monopólio da posse da terra). Isto como se a posse das terras mais férteis por parte de determinados grupos sociais fosse um dado da Natureza física e não uma consequência de uma determinada "engenharia social".
Ou seja, a busca empírica das "provas da tendência decrescente da taxa de lucro" terá que ser procurada não apenas no comportamento registado em estatísticas de produção e distribuição de riqueza (sob a forma de bens e serviços) mas sobretudo na identificação das consequências visíveis e lógicas (intrínsecas ao funcionamento do sistema) do comportamento postulado (e historicamente observado) do sistema.
Por outro lado, é crucial que se faça a demonstração, até e sobretudo, no plano estritamente teórico ou conceptual da lógica de funcionamento do sistema, na medida em que se não houver nessa lógica intrínseca do sistema nenhuma tendência decrescente da taxa de lucro, então não haverá nenhuma razão lógica, histórica (ou mesmo ética) para superar esse sistema.
O "fim da História" seria de facto o apogeu e triunfo final do capitalismo globalizado.
É assim – e não é coincidência – que a demonstração do sr. Nobuo Okishio é tão crucial para a defesa ideológica do sistema capitalista.
Por agora fico-me por aqui. Mas espero voltar a este tema e abordar também os outros pontos levantados po JMC.

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Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo - 1JMC27/06/06 19:57:02


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