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Subject: Re: É preciso desenhar uma nova ferramenta para levar a bom termo esta tarefa.


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 26/06/06 19:17:42
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "É preciso desenhar uma nova ferramenta para levar a bom termo esta tarefa." on 22/06/06 12:52:39

Já tive ocasião ("in illo tempore"...) de afirmar (ou melhor opinar !!!...) que no meu entender o Fernando Penim Redondo tinha abandonado a análise marxista e a teoria laboral do valor e tinha antes adoptado a teoria marginalista (aquela dos economistas da chamada "linha principal", como o Cavaco Silva e Cª)...
Se bem me lembro, o FPR ficou um tanto ou quanto abespinhado com a sugestão, mas em qualquer caso, disso não vem grande mal ao mundo (com a adopção do marginalismo por parte do FPR).
Como o FPR volta a falar da necessidade de uma "nova ferramenta" (presumo eu aqui e agora que "analítica"), volto também eu à baila.
E basicamente para dizer que não me parece fácil... Mas mesmo assim atrevo-me a fazer uma sugestão. É mais uma intuição do que propriamente uma proposta formal (de uma nova "ferramenta") até na medida em que não sendo matemático de formação sou capaz de não ter meios formais ao meu dispor para expor correctamente a minha "intuição".
Antes porém algumas considerações.
Até agora - antes da necessidade afirmada pelo FPR - tínhamos (e temos, tanto quanto saiba...) apenas duas "ferramentas" analíticas para discutir estas coisas:
1. A abordagem da teoria laboral do valor, quer na versão ricardiana (considerada incompleta). Quer na versão marxiana (considerada mais abrangente e consistente).
2. Abordagem marginalista. Já tive ocasião de escrever que terá sido como que uma "fuga para a frente" face às consequências lógicas inerentes à "aceitação" da abordagem marxiana).
Por outro lado procuro ater-me – ou levar em linha de conta – (ainda que com algum "sal e pimenta") a velha regra da "lâmina de Ockham":
"Pluralitas non est ponenda sine neccesitate"
Que é como quem diz, entre explicações alternativas é preferível escolher a mais simples...
Aquilo que eu sugiro (sem ironia...) será assim como que uma superação daquela dicotomia.
O bom velho método dialéctico tem destas coisas...
Teríamos então uma "teoria laboral marginalista" do valor.
Então é assim:
De cada vez que se faz uma nova invenção ou se regista um novo progresso tecnológico, está-se a aumentar (na margem...) a totalidade da CPE ou Capacidade Produtiva Existente. Ou seja, a invenção do computador e, em cadeia de desenvolvimentos, do "Digitalismo" (em que "tudo se torna possível de fabricação quase gratuita" (digo eu...) e se tornam irrelevantes as anteriores "categorias" de valor, mais-valia, "sobre-trabalho" e etc...), não é mais do que um exemplo da miríade de invenções tornadas possíveis com o continuado progresso das ciências.
Sendo que essa invenção – e todas as outras - são sempre acréscimos marginais àquilo que já existia e que por vezes (ou alguns casos) se vai qualificando de "conquistas históricas da Humanidade".
Imagine-se num quadrante cartesiano uma curva ascendente que se desloca no sentido SW para NE.
Na horizontal temos o eixo do "tempo histórico", na vertical temos o eixo do "conhecimento empírico, cientifico e tecnológico acumulado".
Sucede que a partir de certa altura parece que a linha começa a aproximar-se (perigosamente?...) da vertical. Cada nova invenção (a digitalização... a descodificação do código genético) parece desproporcionada em relação às anteriores conquistas da Ciência e da Tecnologia, de tal forma parecem abrir oportunidades (de novos métodos de produção e criação de "valor" ou "utilidades") até aí nem sequer suspeitadas.
Sublinho o parece porque na realidade, no "momento seguinte do eixo tempo histórico", aquelas invenções todas deslocam-se para "dentro da capacidade produtiva existente" (ou para o "património comum da Humanidade"), representada no nosso quadrante cartesiano pela área situada "abaixo e à direita" da linha da progressão ciêntífica e tecnológica (a SE...).
Na realidade esse "património comum" está longe de o ser... É (e continua a ser) apropriado por apenas alguns membros da espécie humana, em nome dos sagrados princípios da "propriedade privada" (ou da correlativa "eficiência produtiva"...).
A metáfora ou analogia que me ocorre é a de um "iceberg" (de conhecimento e capacidade produtiva existente) a flutuar num oceano de silêncio ou ignorância ou desconhecimento (relativamente à massa gigantesca de acumulação das gerações anteriores) causado (esse desconhecimento) pela distância crescente que vai do topo (onde nos encontramos) ao fundo (que se "afunda" cada vez mais...) da montanha de gelo (de indiferença...) pelo destino dos que estão (ou estiveram, porque já morreram...) "lá em baixo". Figurativamente (se calhar para alguns é "literalmente") a flutuar (os vivos) abaixo do nível de água.
A cada nova invenção corresponderá um aumento marginal do "volume" ou "massa de conhecimentos e tecnologia materializada" que constitui a nossa "montanha de gelo".
Com o aumento (marginal!...) dessa "massa de conhecimento e tecnologia materializada" aumenta também o seu "peso", do que resultará um "afundamento" (marginal!...) da montanha.
Tal como acontece nas "montanhas de gelo" que flutuam pelos oceanos, nas extremidades Norte e Sul do planeta, a massa submersa é cada vez maior. E parece que cada vez mais invisível...
Voltando à intuição e ao "matematiquês"... (que não domino...)
Imagina uma progressão de "fracções" em que o numerador corresponde às invenções individuais (uma a uma) e o denominador ao somatório das invenções todas e mais algumas, acumuladas aos longo da História, sendo cada "fracção" a proporção entre cada nova invenção e o somatório agregado e acumulado de todas as invenções anteriormente registadas.
A desproporção entre os novos acréscimos ("marginais") e a massa anteriormente acumulada, cresce (e cresce cada vez mais...) dando a partir de certa altura ilusão (digitalista...) de que mudámos de paradigma e é necessário encontrar uma nova ferramenta de análise ou unidade de medida.

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Marx demonstrou que o valor resulta do tempo de trabalho ?Fernando Penim Redondo 6/07/06 11:57:56


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