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Subject: A questão da alegada "profecia idealista"


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 3/07/06 16:57:11
In reply to: JMC 's message, "Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 30/06/06 23:10:28

Vamos por partes porque o texto é longo:

Em primeiro lugar, se houve a aparência de qualquer sarcasmo, tal não era minha intenção. No entanto. perante o comentário a esse respeito de JMC, resolvi reler o texto anteriormente elaborado e, pelo que voltei a ler, só encontrei duas instâncias onde se poderá ler algum esboço de sarcasmo. O esclarecimento acerca da forma de utilização que JMC faz das expressões "modo de produção capitalista" e "economia política realmente existente" e a explicação do meu anterior erro de interpretação por não me ter apercebido dessa forma de utilização.
A outra instância é talvez (?) quando eu utilizo a expressão entre parênteses ("alguma alma caridosa").
Ora a verdade nua e crua é que eu não vejo como se pode classificar uma "proposta de Marx para a acção política com base na sua descoberta de determinada leis do desenvolvimento histórico e as possibilidades de intervenção social que então se perspectivaram" (esta é a forma com eu interpreto Marx), perante isto – repito – não vejo como se possa classificar essa proposta de Marx para se alcançar um determinado futuro para a Humanidade, como uma "profecia idealista".
Pois bem, perante a minha constatação do meu próprio desconhecimento – não tenho a pretensão (estulta) da totalidade do saber - perante isso, repito, fiz um genuíno apelo quer a JMC (quer a alguma alma caridosa – que venha aqui e saiba mais destas coisas -) que me desse uma dica. Foi só isso.
Em todo o caso, repito, não havia intenção de sarcasmos. Que seriam aliás perfeitamente descabidos.
Então, a esse respeito – da "profecia idealista" de Marx - JMC argumenta com algumas passagens do Manifesto.
Parece-me pouco e passo a explicar porquê:

O Manifesto foi publicado em 1848 – tinha então Marx 30 anos – e poderia ser eventualmente (ainda) uma obra influenciada pelo circulo dos "jovens hegelianos".
No entanto já então tinham sido publicados (ou redigidos!...) trabalhos como
"Sobre a Questão Judaica" e a "Contribuição para a Crítica da Filosofia de Hegel" (ambos em 1843), assim como "Os Manuscritos Económicos e Filosóficos" (1844) e - em particular - as "Teses sobre Feuerbach" (1845).

Atenção, temos aqui que ter consciência que é verdade que uma coisa é o que um autor escreve (ou pretende escrever) e outra coisa (possivelmente diferente) será aquilo que os outros lêem ou a forma como eles interpretam aquilo que foi primeiramente escrito pelo nosso autor.
Ou seja, sempre será possível argumentar que, embora Marx pretendesse ou se reclamasse de um "novo materialismo" (o materialismo dialéctico, por oposição ao anterior "materialismo mecanicista"), na realidade o seu posicionamento seria antes a de um "idealismo" subliminar ou inconsciente. Isto, este tipo de asserção, encontra-se com facilidade na literatura crítica sobre o marxismo.
No caso das "Teses sobre Feuerbach", Marx faz logo na primeira "Tese" a crítica explícita do "antigo materialismo" e afirma a sua defesa ou adopção de um novo materialismo (orgânico e/ou evolutivo, sublinho eu agora, na esteira de muitos outros marxistas...).
A Tese nº 10 é particularmente rica de significado.
O ponto de partida do antigo materialismo é a sociedade civil; o ponto de partida do novo (materialismo) é a sociedade humana ou a humanidade social.
Ou seja, no antigo materialismo tínhamos o individualismo metodológico do "contrato social" de cada um, com cada um e com todos... A propriedade privada e a "mão invisível" do mercado.
No "novo materialismo" tínhamos o reconhecimento da natureza eminentemente social da cada um de nós, seres humanos. A impossibilidade material (ontológica) da existência individual isolada.
Curiosamente a filosofia oral dos povos africanos (bantus) baseia-se exactamente na expressão "ubuntu", a qual quer dizer algo como "todos somos membros da mesma espécie biológica".

No "antigo materialismo" tínhamos (e temos...) a regulação da vida social entregue a um "actor social" mítico (uma entidade inimputável) – a "mão invisível" do mercado.
No "novo materialisno" tínhamos (ou teremos...) a regulação da vida social entregue à colectividade.
Acrescento – a este respeito – que este "entregue à colectividade" não é necessariamente – antes pelo contrário (...) o mesmo que colectivismo.
Basta querer significar "Predomínio do Política" (com "P" maiúsculo e como manda aliás a Constituição...)


Ou seja, não concordo com a ideia de que, pelo facto de ter "incitado" os "proletários" a organizarem-se politicamente e a tomar o poder, se possa concluir que Marx estava a fazer uma "profecia idealista".
O que Marx estava a fazer era transpor para o campo das ciências sociais (ou históricas) o método de raciocínio em desenvolvimento no campo das ciências físicas (ou na Natureza).
Atenção: esta dicotomia entre "ciências sociais" (ou históricas) é aqui referida só para efeitos de facilidade de exposição.... Por mim – e à semelhança dos clássicos do Marxismo – defendo a tese de um continuum metodológico desde a Física até à Sociologia (para dar dois nomes e dois exemplos...).
Assim sendo, a previsão de um determinado futuro para a Humanidade era nessa altura (e continua a ser) tão falível quanto é hoje falível a previsão meteorológica ou de eventuais tremores de terra.
Não é por isso que dizemos que os "manda-chuvas" da meteorologia ou os geólogos, são (ou deixam de ser) "profetas".

Por mim acabo por ficar com a ideia de que JMC adopta como princípio analítico, o chamado método dualista (tal como é usualmente definido desde a famigerada questão do "Methodenstreit". Ou seja, um método analítico para as chamadas ciências da Natureza e um método analítico para as chamadas ciências da História.
O que seria estranho, na medida em que JMC se propõe discutir (ou debater) o tema da "superação do Capitalismo" e começa por nos afirmar (e quanto a mim, muito bem...) que "Com o capitalismo e o domínio político da burguesia não será diferente".
Não é uma questão de sarcasmo, mas poderá JMC esclarecer em que é que esta sua afirmação não é uma "profecia idealista" ?
Ou seja, JMC parte do princípio que o capitalismo (como modo de produção) acabará por desaparecer. E tal parece-me uma previsão bastante razoável ou com elevadíssimo grau de probabilidade de que venha a acontecer. Mas por outro lado, afirma que quando Marx propõe aos trabalhadores que se organizem para que isso aconteça (mais depressa?...) tal proposta será já uma "profecia idealista".
Desculpe, mas não consigo entender.

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Replies:
Subject Author Date
A questão da mais-valia e da troca desigualGuilherme Statter 3/07/06 18:13:37


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