VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

19/04/26 7:58:30Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1234[5]678 ]
Subject: A questão da mais-valia e da troca desigual


Author:
Guilherme Statter
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 3/07/06 18:13:37
In reply to: JMC 's message, "Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 30/06/06 23:10:28

Na minha qualidade de aprendiz de marxismo, vou-me atendo àquilo que as minhas limitadas capacidades de permitem apreender da realidade empírica. E a partir dessa realidade (ou melhor, dessa apreensão...) procuro elaborar e entender conceitos mais ou menos abstractos (como a ideia de Infinito, o zero imaginário ou o Teorema de Pitágoras...).
Tudo sto para dizer que as minhas limitações não me permitem entender algumas das afirmações de JMC.
Problema meu, claro.
Mas vejamos então:
Diz a certa altura JMC o seguinte:

O fundamento da exploração capitalista não reside na apropriação de um qualquer valor produzido pela força de trabalho acima do seu próprio valor,
a designada mais-valia,
mas na troca desigual de uma determinada quantidade de valor (tempo de trabalho fornecido pela força de trabalho) por uma quantidade de valor inferior (tempo de trabalho incorporado nas mercadorias que o salário compra).


E continua:

Ao contrário do valor, que resulta do tempo de trabalho consumido e, neste sentido, pode dizer-se que é produzido,
a mais-valia não é qualquer valor suplementar produzido além do valor da força de trabalho;
ao contrário,
ela é uma parte do valor fornecido (tempo de trabalho consumido) que não é retribuída, sendo apropriada pelo comprador da força de trabalho.


E conclui:

Esta constatação evitaria toda uma série de confusões acerca da “produção” da mais-valia, que ainda hoje perdura entre os marxistas, assim como tornaria desnecessárias justificações de ordem moralista com que os comunistas marxistas vieram a ornamentar a sua argumentação acerca da exploração.

Confesso que estive umas horas à volta destas frases a ver se entendia o sentido (oculto?...) ali implícito.
Por um lado diz-se que há uma troca desigual entre
A = "tempo de trabalho fornecido pela força de trabalho" (que tem uma determinada quantidade de valor)
e
B = "tempo de trabalho incorporado nas mercadorias que o salário compra" (que tem uma quantidade de valor inferior)

Presumo aqui que quando JMC diz "trabalho" se refere especificamente a "trabalho vivo" (ou "actual").
Faço esta nota porque alguns autores (designadamente alguns economistas da chamada "linha principal") dizem que a Teoria Laboral do Valor (de Marx) afirma algo como "é o trabalho – e só o Trabalho" – que determina o valor da mercadorias", metendo no mesmo saco "trabalho vivo" (ou capital variável) e "trabalho armazenado" (ou capital constante).


Os marxistas chamam a essa diferença entre A e B, "mais-valia" (ou não será isso?...)
Por exemplo, os trabalhadores X, Y e Z (de uma qualquer actividade industrial) fornecem o valor equivalente ao produzido durante 8 horas de trabalho e recebem o valor equivalente à reprodução da sua própria força-de trabalho e que lhes permite comprar algo que – se não houvesse qualquer exploração em parte alguma do resto do sistema – teria sido produzido durante apenas 4 horas de trabalho social (de produtividade média) de outros trabalhadores X, Y e Z.
Confesso que não estou a ver qual é a diferença entre "isto" (esta "troca desigual") e a "apropriação de um qualquer valor produzido pela força de trabalho acima do seu próprio valor".
Mais adiante diz que
a mais-valia não é qualquer valor suplementar produzido além do valor da força de trabalho;
ao contrário,
ela é uma parte do valor fornecido (tempo de trabalho consumido) que não é retribuída, sendo apropriada pelo comprador da força de trabalho.


Confesso que também não consigo perceber qual é a diferença entre por um lado
"qualquer valor suplementar produzido além do valor da força de trabalho"
e, por outro lado,
"é uma parte do valor fornecido (tempo de trabalho consumido) que não é retribuída, sendo apropriada pelo comprador da força de trabalho".
Para mim (e para a generalidade dos marxistas e mesmo alguns marxianos) são apenas duas manifestações distintas – e em momentos distintos – do mesmo fenómeno.

É caso para dizer que – tal como já sucedeu em mensagens anteriores relativamente às distinções entre "objectos teóricos" e "objectos realmente existentes" - teríamos aqui mais um exemplo ilustrativo daquilo que Bertrand Russell e Wittgenstein queriam dizer quando afirmavam que grande parte dos problemas da filosofia (e das ciências sociais, acrescento eu) resultam do uso imperfeito (ou não estritamente definido) da linguagem corrente.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
A questão dos valores e dos preços de produçãoGuilherme Statter 3/07/06 19:33:48


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.