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| Subject: A questão dos valores e dos preços de produção | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 3/07/06 19:33:48 In reply to: JMC 's message, "Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 30/06/06 23:10:28 Esta questão já foi obejcto (também aqui no Dotecome) de polémicas QB. Não vale a pena perder muito tempo com isto, até na medida em que se trata de opções ideológicas (umas assumidas, outras nem tanto) que cada um tem o direito democrático de fazer. Assim sendo, vou no entanto voltar a comentar esta questão para (pela minha parte) encerrar o tema proposto por por JMC. Diz então a certa altura JMC. Marx ainda se esforçou a tentar demonstrar que as mercadorias se venderiam pelo seu valor (o valor do seu custo de produção); perante as dificuldades para justificar a perequação das taxas de lucro de capitais desigualmente compostos, arrepiou caminho e, no terceiro volume de O Capital, publicado postumamente por Engels aproveitando os muitos rascunhos deixados inacabados, lá apareceu a teoria dos preços de produção. Afinal, no capitalismo desenvolvido, no qual os capitais se encontram desigualmente compostos, as mercadorias não se venderiam pelo seu valor, mas pelo seu preço de produção"... A este respeito lembro de novo o esclarecimento explicito (e 'N' vezes repetido) de Marx àcerca da relação entre "preços" e "valores" Os "preços" seriam a mera "actualização" (no sentido filosófico-etimológico ou original desta palavra) dos "valores". Esclarecimento esse que vem canonicamente resumido na Enciclopédia do Marxismo. Peço desculpa mas não tenho pachorra para estar a traduzir: Exchange-value differs from “price” in two ways: firstly, price is the actualisation of exchange-value, differing from one exchange to the next in response to a myriad of factors affecting the activity of exchange; secondly, price is the specific value-form, measuring the value of the commodity against money. Marxist Internet Archive Encyclopedia of Marxism: Glossary of Terms Por outro lado, também já Hilferding – que se reclamava de marxista e há mais de cem anos atrás – entre outros, entendeu mal a teoria do valor de Marx, não percebendo que em Marx, a Teoria Laboral do valor determinava apenas o nível geral dos preços, não cada instância individual de preços. Ou seja, também esta questão é de facto "velha e relha". Qualquer eventual leitor mais atento já terá entendido que está aqui também a ser referido (ainda que de maneira implícita) o famigerado "problema da transformação" (dos valores em preços). Logo na altura da publicação do Volume III do Capital houve quem se apressasse a chamar a atenção para os "erros" de Marx- No caso concreto de Bortkiewicz, para os "corrigir". Mas, a este respeito, convem sempre relembrar uma questão aqui fundamental. As críticas feitas a Marx a este respeito são sempre feitas a partir do pressuposto do "individualismo metodológico" (os preços destas ou daquelas mercadorias ou serviços, os lucros destas ou daquelas empresários, firmas ou sectores). O que implica desde logo uma determinada opção político-ideológica ou mesmo uma "ontologia". Ora acontece que TODA a abordagem de Marx (a filosofia, a economia política, a história...), repito TODA a abordagem de Marx é feita de um pressuposto radicalmente (ou diametralmente oposto), o do "holismo metodológico". Traduzindo para vernáculo: os críticos de Marx referem sempre as instâncias individuais da "exploração" (por exemplo) (ou melhor, no caso dos críticos, devia dizer-se da "não-exploração"), quando Marx sistematicamente refere o caracter relacional ou "de classe" de todos os fenómenos sociais. Cullenberg (em "The Falling Rate of Proft - Recasting the Marxian Debate") exprime essa fundamental distinção lembrando que enquanto Marx utiliza aquilo a que ele chama de "Totalidade Hegeliana", os críticos de Marx utilizam normalmente aquilo a que ele chama de "Totalidade Cartesiana". A outra questão fundamental é a não consideração do vector tempo e da sua unidireccional, assim como do chamado efeito de retroacção, inerente a qualquer sistema dinâmico. É por essas e por outras que este tipo de debate acaba sempre (ou tem uma grande tendência - aqui estou a fazer ironia...) para se tornar num "diálogo de surdos". Assim sendo, fico-me (agora sim) por aqui. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |