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| Subject: Um relatório pouco secreto | |
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Author: João Mesquita |
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Date Posted: 15/05/06 18:26:22 In reply to: João Mesquita 's message, "50 anos Reflexos do XX Congresso do PCUS no PCP" on 15/05/06 18:24:14 Um relatório pouco secreto Os únicos membros do PCP ainda vivos, que integravam a direcção do PCP há meio século são Sérgio Vilarigues e António Dias Lourenço, ambos à esquerda na foto em baixo, tirada no funeral de Álvaro Cunhal, ao lado de Aida Magro, Sofia Ferreira e José Vitoriano, entretanto falecido O relatório contra Estaline, que produz o segundo grande choque ideológico do XX Congresso do PCUS, não se mantém confidencial durante muito tempo. Pouco mais de três meses depois do conclave dos comunistas soviéticos, é publicado pelos jornais New York Times e Le Monde, ao que tudo indica a partir de fonte da CIA, estabelecida ou com contactos na Polónia. Em Portugal, é posto a circular, ainda durante o ano de 1956, por anarquistas. O chamado relatório secreto foi elaborado por uma comissão criada na direcção do partido soviético, integrando Vorochilov, Molotov, Kaganovich e Pospelov. Coube a este último coordenar os trabalhos. Tratava-se de um antigo membro do secretariado de Estaline, responsável, entre outras tarefas, pela agitação e propaganda partidárias e pela chefia de redacção do jornal Pravda. Foi, ainda, um dos autores da Biografia Resumida da Estaline, que seria criticada no relatório redigido pelo próprio Pospelov. Nas suas Memórias, Kruschov conta que, num intervalo das sessões ordinárias do congresso, perguntou aos restantes membros da direcção: "Camaradas, que vamos fazer com as conclusões do camarada Pospelov?" Vorochilov, Molotov e Kaganovich terão levantado três questões: "Que poderemos dizer do nosso papel sob Estaline?"; "O que é que nos acontecerá?"; "O que é que nos obriga a divulgar o relatório?" Kruschov ameaçou dirigir-se directamente aos congressistas: "Permito-me lembrar-vos que cada membro do Presidium tem o direito de falar ao Congresso e de aí exprimir o seu próprio ponto de vista, mesmo que ele não esteja conforme com o relatório geral." Bulganine, Pervuchkine e Saburov, entre outros, apoiaram o primeiro secretário. A sessão em que se discutiu o relatório foi interditada aos representantes dos partidos estrangeiros. Mas os chefes das respectivas delegações tiveram acesso ao documento, através de emissários enviados aos hotéis onde se encontravam instalados, praticamente ao mesmo tempo em que se iniciava o debate congressual. O historiador francês Philipe Robrieux descreve esses momentos, na sua Histoire Interieure du Parti Communiste: "Foi depois da meia noite que Maurice Thorez recebeu, por um portador especial, uma cópia do documento. O mensageiro soviético fazia saber, ao mesmo tempo, que o texto em questão devia ser considerado confidencial e reservado ao uso exclusivo dos dirigentes e delegados dos partidos irmãos: pedia-se que não tomassem nenhumas notas e precisava-se que o relatório devia ser devolvido algumas horas depois." Cuidados não evitam fuga Certo é que as suas linhas essenciais são rapidamente difundidas no interior dos partidos comunistas, em nome do combate ao "culto da personalidade". E, a 4 de Junho de 56, o grosso do documento é publicado pelo jornal norte-americano New York Times. Dois dias depois, o francês Le Monde começa a fazer o mesmo. Em Julho, o jornal do Partido Comunista Espanhol, Mundo Obrero, dedica um suplemento à questão da luta contra o "culto da personalidade", onde são abertamente discutidos elementos constantes do relatório. E, ainda no ano de 1956, o documento é posto a circular em Portugal, por simpatizantes anarquistas. Estaline, o Tirano, assim se intitula a brochura que contém o libelo contra o dirigente comunista falecido três anos antes, numa tradução de Francisco Quintal para a Livraria Renascença. Duas fontes citadas pela defunta revista Estudos sobre o comunismo sustentam que a fuga de informação teve origem na Polónia. Uma delas, Charles Bohlen, embaixador dos Estados Unidos em Moscovo, confessa: "No fim do mês de Maio recebi de Washington o texto do documento obtido pela CIA em Varsóvia." A outra é o próprio Kruschov: "Na altura do XX Congresso, o secretário do PC polaco, Bierut, morreu. Houve muita agitação após a sua morte e o nosso documento caiu nas mãos de certos camaradas polacos hostis à União Soviética. Utilizaram-no para os seus próprios fins e fizeram várias cópias. Disseram-me que foi vendido a baixo preço." Na Polónia ocorre, então, uma revolta contra a ocupação do país por tropas soviéticas. A 28 de Junho, os operários de Pozman ocupam a sede de várias instituições, por entre gritos de "Viva a liberdade!", "Pão e justiça!", "Abaixo a URSS!" A revolta é esmagada, calculando-se que dos confrontos tenham resultado 54 mortos e cerca de 300 feridos. Em Outubro acontecerá o mesmo na Hungria. No interior do PCUS, as críticas a Estaline tornam-se públicas, em toda a sua extensão, durante o XXII Congresso, realizado em Outubro de 1961. Nessa altura, está já iminente a ruptura com os comunistas chineses e albaneses. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Denúncia de Estaline levanta resistências | João Mesquita | 15/05/06 18:30:29 |