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Subject: Denúncia de Estaline levanta resistências


Author:
João Mesquita
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Date Posted: 15/05/06 18:30:29
In reply to: João Mesquita 's message, "50 anos Reflexos do XX Congresso do PCUS no PCP" on 15/05/06 18:24:14

Denúncia de Estaline levanta resistências

No primeiro texto teórico dedicado ao XX Congresso, publicado em Abril de 56,
o Avante! enumera
"os méritos de Estaline", antes de passar a criticá-lo

As revelações do relatório secreto produzem um compreensível impacto, num movimento comunista educado na adoração a Estaline. O PCP não foge à regra. Mas, nem por isso, as teses constantes do documento deixam de ser assumidas pela generalidade dos partidos "irmãos" do PCUS - o português incluído -, levando mesmo a consideráveis reformulações internas.
São notórios, num primeiro momento, os cuidados postos na divulgação das críticas a Estaline, saídas do XX Congresso. Não por acaso, o próprio Pravda, antes de passar a explicar por que é que "o culto da personalidade" é "alheio ao marxismo-leninismo", sente a necessidade de dizer: "É indiscutível que Estaline teve grandes méritos ante o nosso Partido, ante a classe operária e o movimento operário internacional."
Fora da União Soviética, a prudência parece ser ainda maior. Mesmo Palmiro Togliatti, o líder do Partido Comunista Italiano, que adere prontamente às teses do XX Congresso, sustenta no seu informe de Março de 56 à direcção partidária: "Estaline foi um grande pensador marxista. Nas suas obras, está unida à análise profunda uma clareza de exposição que poucos possuem." Embora o relatório falasse em crimes e perversões do sucessor de Lenine contra "a legalidade socialista", a primeira ideia que se pretende inculcar nos militantes, como Togliatti diz claramente, é que o facto de Estaline ter sido "uma grande figura de todo o (...) movimento" não quer dizer que tudo quanto "escreveu e formulou tenha de ser tomado como uma coisa acabada, definitiva e justa em todos os seus aspectos".

"Os méritos"
antes das críticas
O PCP afina pelo mesmo tom. No primeiro texto teórico dedicado ao XX Congresso, publicado em Abril de 56, o Avante! enumera "os méritos de Estaline, que lhe granjearam grande prestígio na União Soviética e em todo o mundo", antes de passar a criticá-lo.
Os dirigentes comunistas têm a noção da imagem que eles próprios criaram do "pai dos povos" junto dos militantes. Alguns destes recusam-se mesmo a aceitar as críticas. Na sua Biografia Política de Álvaro Cunhal, Pacheco Pereira cita o escrito de uma funcionária do PCP, Cesaltina Maria dos Santos, segundo o qual o "saudoso camarada Estaline tinha sido alvo das mais repugnantes calúnias e apelidado de todas as infâmias por parte dos fomentadores da guerra".
A primeira medida, como é notório no comunicado da Comissão Política do PCP de Julho de 56, passa por responsabilizar "a imprensa reaccionária" por uma "sórdida campanha de calúnias em volta do XX Congresso e do culto da personalidade do camarada Estaline". Mas não chega para acalmar os militantes. "Há no nosso Partido e no País camaradas que se deixaram impressionar por essa campanha da imprensa salazarista", queixa-se o mesmo comunicado.
Mesmo nos círculos dirigentes, a confusão é evidente. Na revista Estudos sobre o comunismo, Ramiro da Costa (pseudónimo de José Alexandre Magno) conta uma conversa sua com Rui Perdigão, um colaborador do Secretariado do PCP já falecido, em que este alude a uma discussão com Blanqui Teixeira e Pires Jorge. O primeiro terá encarado as notícias sobre Estaline como "uma calúnia", ainda que talvez com "uma base de verdade". Já o segundo admitiria que "pode haver sal e pimenta, mas no essencial deve ser verdade". Perdigão, ao que garante no livro O PCP Visto Por Dentro e Por Fora, terá, por seu lado, acreditado "imediatamente na autenticidade" das informações, "ao contrário do que sucedeu com muitos militantes".
Certo é que, tal como em relação à estratégia política, as conclusões do congresso do PCUS sobre o "culto da personalidade" são prontamente aplicadas pelo núcleo dirigente do PCP . Em consequência, inicia-se uma crítica interna ao "dogmatismo"; regressam ao CC pessoas que dele haviam sido afastadas, como Cândida Ventura; há uma autocrítica relativamente à expulsão de intelectuais como Mário Dionísio; o debate interno melhora. E é retirada de circulação uma biografia de Álvaro Cunhal, da autoria de Júlio Fogaça, em que o futuro secretário-geral é referido como "um fiel discípulo de Lenine e de Estaline".

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