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Subject: Re: A globalização é um tigre de papel...


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Date Posted: 28/05/06 15:11:18
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "A globalização é um tigre de papel..." on 28/05/06 11:24:11

Confesso ter alguma dificuldade em entender o que diz e onde quer chegar. Vejamos se consigo deslindar o fio da meada.

Começo por desfazer uma confusão patente neste seu comentário, eventualmente resultante de deficiente exposição das ideias constantes dos meus comentários anteriores, e comento depois algumas suas afirmações, que me parecem totalmente erradas.

O capitalismo realmente existente só se expande globalmente, por todo o Mundo geográfico, porque é nele que se encontram dispersas as pessoas (as que se podem empregar na produção e no consumo das mercadorias). Se toda esta gente vivesse no mesmo bairro e a produção capitalista tivesse lugar apenas num dos seus quarteirões, provavelmente, não falaríamos de globalização com um significado geográfico tão amplo quanto o que atribuímos à que ocorre hoje, mas, mesmo nesse caso, a expansão da produção e do consumo a todo o bairro seria de facto uma globalização, porque todo o bairro seria lugar de produção e de consumo das mercadorias capitalistas.

O problema, como deveria ter reparado, não é o lugar para onde o capitalismo se expande (que só é relevante para as coisas que existam num lugar e não noutro, e lá tenham de ser trabalhadas), são as pessoas para quem ele se expande – as pessoas que podem ser empregadas na produção, e ser alvo da exploração, e que consumirão a produção, realizando a acumulação – e essas estão aglomeradas de forma dispersa pelo Mundo geográfico. É por esta razão que o capitalismo se expande para a China, por exemplo, e não se expande para a Lua.

O fim das potencialidades de expansão do mercado não reside no fim das barreiras geográficas, mas na desadequação da produção em relação à procura socialmente necessária, ao invés da sua adequação (e apenas cíclica) à procura solvente. O problema crónico do capitalismo é que ele necessita de maior número de consumidores do que de produtores; expande-se, aumentando o número de consumidores solventes (quer os que integra como seus produtores, quer os pertencentes a outros modos de produção com os quais efectua trocas desiguais); definha, restringindo o número dos consumidores solventes (quer os que dispensa como seus produtores, quer os anteriormente pertencentes a outros modos de produção e que entretanto desapareceram como tal). O seu drama, portanto, é a incapacidade de rentabilizar continuamente a sua crescente capacidade produtiva, porque à medida que ela aumenta diminui a capacidade do seu consumo.

Acho interessante a sua afirmação sobre as duas grandezas com que o capitalismo actual lidaria – a vontade de consumir e a capacidade de produzir – como se elas fossem características do capitalismo actual e não do capitalismo de todos os tempos. O que pode ser característica distintiva é o ritmo mais elevado da produção e do consumo actuais; de resto, o capitalismo sempre produziu, de entre o que era possível, o que era necessário, isto é, ele criou sempre o seu próprio consumo, e até o excedeu, como mostram as crises de sobreprodução. O capitalismo, ontem, como hoje, não pode é criar o que em cada época ainda não é possível.

O que é possível o capitalismo criar, porém, não decorre apenas do que é tecnicamente possível, mas depende fundamentalmente do que é consumível, isto é, do que as pessoas podem pagar, e não do que elas tenham vontade de consumir. Por muita vontade de consumir que as pessoas tenham, o capitalismo não conhece outro tipo de procura que não seja a procura solvente, aquela que lhe permita voltar a produzir, e a produzir de forma ampliada. A dificuldade do capitalismo nunca residiu na produção, mas no consumo. Que lhe interessa a produção se não der azo a mais-valia?

Entender a produção social como um jogo dos empresários “para conseguir que o pessoal gaste o seu dinheiro em determinados produtos e não noutros” é reduzi-la a uma forma tão original quanto redutora e ilusória, na qual os ganhos de uns seriam as perdas dos outros, tal como na especulação bolsista.

Nem comento a sua concepção sobre o valor que a sociedade reconhece aos produtos… uma autêntica pérola!

Por fim, aceito que já é tempo de refazer, em moldes adequados à sociedade de hoje, as discussões que o Marx tão inteligentemente lançou no quadro do seu tempo. Quando conversamos sobre estes assuntos tentamos precisamente fazê-lo; a falta de conclusões coerentes ou de resultados minimamente aceitáveis confirma a forma inadequada e infrutífera com que o fazemos. Deduzo que você, ao contrário dos outros a quem se dirige, tenha refeito as discussões do Marx e chegado a alguma parte. Seria bom que partilhasse connosco as suas conclusões, para que não continuemos, como o cão, a rodar à volta do rabo.

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Subject Author Date
Pelo menos estamos de acordo numa coisaFernando Penim Redondo28/05/06 23:02:53


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