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| Subject: Re: O teorema de Okishio - Alguns apontamentos avulsos - 4 | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 1/06/06 11:08:17 In reply to: Visitante 's message, "Re: O teorema de Okishio - Alguns apontamentos avulsos - 4" on 31/05/06 20:44:51 A razão porque tenho dedicado tanta atenção ao problema da QTTL tem a ver com o combate ideológico que tem sido feito por tantos economistas "anti-Marx" que têm procurado demonstrar que aquela "lei tendencial" estava errada (não corresponderia à realidade). E, no caso de Okishio, seria mesmo ilógica. Por outro lado, a argumentação nesse sentido – da falsificação da LQTTL – tem sido utilizada como "arma de arremesso" para desacreditar o trabalho ou ideias de Marx acerca do devir histórico social e económico. "Se aquela que o próprio Marx considerou a lei fundamental do funcionamento do modo de produção capitalista estiver errada, então tudo o que Marx tenha dito sobre o funcionamento do dito cujo modo de produção estará também necessariamente errado". Daí o empenho e interesse em procurar demonstrar a validade daquela LQTTL. Mas de facto – até de um ponto de vista histórico - faz algum sentido pensar ou defender que a LQTTL possa ser tida como menos relevante para a mudança económica e social. Pela minha parte costumo dizer que antes de Newton formular a sua Lei da Gravidade, já o Afonso Domingues tinha projectado e feito construir a abóboda da Casa do Capítulo e os engenheiros e arquitectos do Império Romano tinham feito construir quilómetros de aquedutos... Ainda no que diz respeito à QTTL tenho defendido a tese de que não havendo uma tal tendência, nada garante que o sistema capitalista não possa perdurar de forma indefinida no tempo. Bastaria que conseguisse manter aquilo a que chama de "eficácia social" (externa?...). Nisso é capaz de estar numa via de análise com "pernas para andar". Por outro lado (e ainda no que diz respeito à QTTL), a hipótese contrária (a de que existe mesmo essa tendência...) não quer necessariamente significar que o sistema tenha que ter um fim, no sentido de ter que ter um colapso. Para evitar isso - esse colapso - bastaria que os dirigentes do sistema apreendessem a existência (as causas e as consequências) da LQTTL e em seguida aprendessem a gerir racionalmente o dito cujo sistema. Por outro lado, parece-me que as transformações sociais e económicas que têm ocorrido ao longo da História se devem a múltiplos factores que é capaz de ser razoável "resumir" à expressão de "falta de adequação" (ou "menor adequação") das estruturas políticas actuais (ou melhor, "herdadas do antigamente"), relativamente a novas circunstâncias ambientais (demográficas, económicas...). Por outras palavras, parece-me que aí estaríamos em desacordo quando escreve "e que a sua extinção não está ligada à quebra da sua eficácia interna". Confesso que já não me lembro de qual o pensador do período inicial da revolução bolchevista que terá justificado a revolução na Rússia (ou melhor, o facto de eles – os bolchevistas – terem decidido "avançar sozinhos") com o argumento de que enquanto o desenvolvimento do capitalismo tinha sido tolerado pelo sistema feudal, o sistema capitalista nunca toleraria a emergência "aqui e ali" de "ilhas nacionais ou regionais de socialismo". A emergência e expansão de cidades "vilas francas" ou "vilas reais" teria acontecido à margem ou nos interstícios dos domínios feudais e por via da vontade monárquica de refrear os poderes rivais dos grandes duques, marqueses, condes e barões... Ou seja, a tomada do poder por parte das burguesias nacionais e a sua aparente necessidade de implementar formas de democracia liberal é capaz de autorizar que se pense não só em termos de "mudança económica e social" por via de uma tomada de poder insurreccional, mas também por via de possíveis transformações intermédias. No entanto quando diz que "o modo de produção capitalista emergiu sem que o modo de produção tributário entrasse numa grave crise ou em colapso económico, e sem ser produto da invenção de novas técnicas" confesso o meu relativo ou menor conhecimento da História para ter a esse respeito uma posição firme e "definitiva" (tanto quanto estas coisas podem ser "definitivas"...). No entanto, e a esse respeito, convém lembrar o efeito pernicioso (para o sistema tributário europeu) que teve a chegada à Europa de quantidades crescentes de ouro, primeiro do Golfo da Guiné e depois da América do Sul, ao longo dos séculos XV e XVI. Tal chegada de ouro terá provocado uma enorme "onda inflacionária" desvalorizando de forma "galopante" os rendimentos dos senhores feudais. Ou seja, potenciando as condições materiais para o colapso do sistema tributário. Por outras palavras, terá razão quando diz "sem ser produto da invenção de novas técnicas" mas já não terá razão quando diz "sem que o modo de produção tributário entrasse numa grave crise ou em colapso económico". Mas, a esse respeito (repito), não me sinto inteiramente à vontade para "ditar sentenças" e a sua linha de argumentação não deixa de ser (pelo menos) razoável (no sentido de "poder corresponder à realidade histórica"). Por outro lado (e independentemente de como se processou no passado a "mudança social") a tomada de consciência por parte de alguns (muitos...) seres humanos relativamente aos mecanismos desse tipo de processo (a "mudança social"...) faz com que mudanças futuras não tenham necessariamente que ser "isomórficas" em relação a processos anteriores de "mudança social". Ou seja, as vias que aponta para possível(eis) futura(s) mudança(s) social(is) são cenários que eventualmente importa explorar. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Re: O teorema de Okishio - Alguns apontamentos avulsos - 4 | Visitante | 1/06/06 20:42:07 |