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Subject: PLANOS DE INTERVENÇÃO MILITAR NA ILHA


Author:
PASCUAL SERRANO
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Date Posted: 20/04/06 14:10:43
In reply to: Eskaruma okasional(mente) por aki 's message, "Há que traduzir... Hay que traducir..." on 17/04/06 17:27:18


PLANOS DE INTERVENÇÃO MILITAR NA ILHA
Cuba na mira dos Estados Unidos

POR PASCUAL SERRANO — extraído da Le Monde Diplomatique

A esta altura ninguém dúvida que a nova política exterior da administração Bush alicerça no intervencionismo militar, desrespeitando as instituições internacionais e a opinião pública mundial. O pretexto da luta contra o terrorismo apresenta-se como a justificativa perfeita para substituir a anterior: a ameaça do comunismo durante a guerra fria. Atrás ficam outras que não se mostraram tão eficazes, como a luta contra o narcotráfico. O silêncio das Nações Unidas após a intervenção no Iraque, a submissão da União Européia e o estrito controle que mantém na grande maioria dos países árabes, mediante ditaduras fantoches, garantem total impunidade ao governo norte-americano.

Os Estados Unidos não deixam de enviar sinais de alerta a seus próximos alvos militares. Fundamentalmente a Síria, Coréia, Irã e Cuba. Tal qual fez com o Iraque, a estratégia é começar a plantar nas instituições internacionais, nos governos amigos e na opinião pública internacional a semente da cumplicidade com o terrorismo internacional dos países alvos de intervenção, seu qualificativo de ditadura e a acusação de violação dos direitos humanos.

Sem dúvida, esta campanha teve um desenvolvimento acelerado no tocante a Cuba. Eis alguns exemplos.

Em 30 de abril passado, o governo dos Estados Unidos incluiu Cuba, mais uma vez, na lista de países que patrocinam o terrorismo a nível internacional, no relatório anual Padrões do Terrorismo Mundial, juntamente com o Iraque, Irã, Síria, Sudão, Líbia e a Coréia do Norte. O relatório diz textualmente que... «embora Cuba seja signatária das 12 convenções e protocolos internacionais contra o terrorismo, e o Sudão tenha assinado 11 deles, ambos os países continuam apoiando organizações internacionais qualificadas de terroristas. Tamanha contradição se lembrarmos que em quatro ocasiões Cuba propôs oficialmente aos Estados Unidos subscreverem um Programa Bilateral de Luta contra o Terrorismo, sempre rejeitado por eles.

Também não devemos esquecer as declarações do vice-presidente Dick Cheney no dia da ocupação de Bagdá, afirmando que o acontecido era uma mensagem para todos os países que praticam o terrorismo.

Por seu lado, em maio de 2002, o subsecretário de Estado, John Bolton, acusava Cuba de ter um programa de armas biológicas.

Houve destaque para muitas das declarações de funcionários de alto nível da administração Bush, como a de seu próprio irmão Jeb, governador da Flórida, quem afirmou que após o sucesso no Iraque, Washington devia dar cabo do regime cubano; ou o embaixador norte-americano na República Dominicana, Hans Hertell, quem afirmou que a agressão ao Iraque era um sinal positivo e um bom exemplo para Cuba. Acrescentou que a invasão do país árabe era só o começo de uma cruzada libertadora que abrangeria todos os países do mundo, incluindo Cuba.

As intenções militares dos EUA em Cuba são evidentes em publicações como Military Review, uma revista da Escola do Comando e do Estado-Maior do Exército dos EUA, onde um artigo do tenente-coronel Geoff Demarest, na edição de setembro-outubro de 2002, referiu-se ao papel do exército norte-americano em uma suposta transição em Cuba. Se bem no segundo parágrafo afirma que o papel do exército estadunidense poderia ter como centro operações de estabilidade e apoio, em representação da lei ou em apoio a agências de socorro, mais em diante tem um epígrafe intitulado: Qual o papel do exército dos EUA?

O artigo detalha todas as escusas prévias que serviriam de justificativa para a intervenção militar: a emigração da Ilha; as armas (incluindo milhares de pequenas armas com munições); o centro de espionagem eletrônica em Lourdes; alegações de tráfico de droga envolvendo funcionários do regime de Castro e um suposto programa de pesquisa e desenvolvimento de armas biológicas, entre outros itens a considerar, que possivelmente complicariam a transição. O texto do tenente-coronel conclui afirmando que para o exército dos EUA a mensagem é clara (...) o exército dos EUA poderia ser tão útil tanto por seu potencial de interação com os militares cubanos, quanto pela habilidade de ameaçar os mesmos.

Todas estas afirmações estão alicerçadas em artigos jornalísticos, publicados por agências e pessoas financiadas pelo governo dos Estados Unidos (El Nuevo Herald, The Miami Herald, Hermanos al Rescate, Cubanet/Cubanews, The Washington Times Insight Magazine).

Quando os EUA falam de liberdade de expressão e de jornalistas dissidentes referem-se a agências de imprensa e redatores dirigidos e financiados pelo governo Bush, com o objetivo de criar argumentos que, posteriormente, como temos comprovado no texto deste militar, sejam utilizados para justificar uma intervenção militar.

FINANCIAMENTO DA DISSIDÊNCIA

Quais os mecanismos de financiamento destes supostos jornalistas e agências independentes?

A Repartição de Interesses dos Estados Unidos entregava sistematicamente ajuda material e financeira. Desde rádios e meios técnicos de todo tipo, até somas de US$ 100 mensais para todos os que visitavam o chefe da missão norte-americana James Cason.

Em 2000, a Agência Internacional para o Desenvolvimento dos EUA (Usaid) doou US$ 670 mil a três organizações cubanas para ajudar na publicação, no Exterior, da obra de jornalistas independentes da Ilha... e distribuir seus artigos em Cuba.

As verbas que a Usaid dedica ao financiamento da dissidência cubana são excepcionais. Para ajudar a organizar ONGs independentes em Cuba, são destinados US$ 1,6 milhão; para planejar a transição, US$ 2,1 milhões; para avaliar o programa, US$ 335 mil.

Esse dinheiro é arrecadado por grupos dos Estados Unidos.

Eis alguns exemplos:

Centro para uma Cuba Livre, com a função de arrecadar informação dos grupos de direitos humanos para distribuí-la. Em 2002, recebeu US$ 2,3 milhões.

Grupo de Trabalho da Dissidência Interna, US$ 250 mil; Freedom House, encarregados da questão estratégica para o Programa para a transição de Cuba, US$ 1,3 milhão; Grupo de Apoio à Dissidência, US$ 1,2 milhão.

Também há outros como o Instituto para a Democracia em Cuba ou o Instituto Republicano Internacional. A agência Cubanet recebeu em 2001, US$ 343 mil e em 2002, mais US$ 800 mil; o Centro Americano para o Trabalho Internacional de Solidariedade, que tem como objetivo social declarado convencer os investidores estrangeiros para não investirem em Cuba, US$ 168 575. Ação Democrática Cubana recebeu US$ 400 mil em 2002.

Entre 1997 e 2002, a Usaid destinou para esses fins US$ 22 milhões. Em 2 de março passado, o secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Curtis Struble, afirmou que a Usaid investirá neste ano mais US$ 7 milhões como «apoio econômico» em Cuba e em 26 desse mês Colin Powell anunciou ante o Senado um orçamento de US$ 26,9 milhões para as transmissões da Rádio e Televisão Martí.

A Rádio Martí transmite dos Estados Unidos 1 200 horas semanais, violando as regulamentações da União Internacional das Telecomunicações e o espaço radielétrico cubano, chamando à subversão interna, a cometer ações de sabotagem e estimulando a emigração ilegal.

É evidente que por trás dos denominados dissidentes e jornalistas e agências independentes não há outra coisa que o dinheiro do governo dos Estados Unidos com um propósito claro e específico.

OS LUTADORES PELA LIBERDADE

Também é importante desvendar o perfil de lutadores pela liberdade dos denominados líderes e intelectuais da dissidência.

Dos condenados recentemente, o mais destacado é o ‘poeta’ Raúl Rivero. Ex-membro das associações de jornalistas e escritores de Cuba, teve uma conversão vertiginosa: foi contratado pelo poderoso The Miami Herald, o jornal mais conservador do sul da Flórida e nomeado para a vice-presidência para o Caribe da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP), que reúne os donos dos principais meios dos Estados Unidos e da América Latina. Antigo esconderijo de conspiradores da época da guerra fria a serviço de Washington.

Uma das figuras mais conhecidas é Carlos Alberto Montaner, condenado em Cuba, em 1961, por participar de uma organização terrorista que ocultava explosivos em pacotes de fumo. Fugiu do país quando da Crise dos Mísseis, em 1962, e entrou nas forças especiais cubanas do exército estadunidense. Contratado pela CIA nos anos 60, chegou à Espanha, em 1970, e fundou a Editora Playor e a agência jornalística Firmas Press. Montaner foi o encarregado de facilitar a entrada na França do terrorista Juan Felipe de la Cruz, que morreu ao explodir a bomba que levava.

Montaner é um dos porta-bandeiras da anexação de Cuba aos EUA. Em 1990, constituiu a Plataforma Democrática Cubana e no ano seguinte a Concertação Democrática Cubana (CDC), organização dissidente no interior da Ilha. Entre os membros desta organização estão MS Cruz Varela, Hubert Matos, José Ignacio Rasco e Juan Suarez Rivas. Ainda, Carlos Alberto Montaner foi membro fundador da Fundação Hispano Cubana (FHC).

Outro dissidente de projeção internacional, sobretudo após receber o Prêmio Sakharov por parte do Parlamento Europeu é Oswaldo Payá, que tem conseguido grande apoio popular em Cuba para seu Projeto Varela, assinado por 11 mil cubanos em um país com onze milhões de habitantes e 5 mil europeus entre os cidadãos dos quinze países. Projeto que, segundo consta em documentos assinados pelo também dissidente Carlos Alberto Montaner, foi criado por iniciativa de governos estrangeiros.O responsável pela Repartição de Interesses dos EUA em Havana, James Cason, admitiu que o plano para a transição democrática é consultado em Miami com a Fundação Nacional Cubano-Americana e com o Conselho para a Liberdade de Cuba, responsáveis por vários atentados que mataram algumas pessoas em Cuba e por tentativas de assassinato do presidente cubano.

Entre as genialidades de Payá está a de acusar Fidel Castro de complacência com a violação dos direitos humanos em Guantánamo e declarar em uma entrevista no El País Semanal, de Madri, em 9 de março passado, que durante a ditadura de Batista em Cuba havia uma imprensa incrivelmente livre. Esse intelectual brilhante, sem recursos econômicos conhecidos, esteve viajando durante meses pelo mundo todo. Carlos Fazio o expressa claramente:

«A estratégia para a fabricação de líderes é simples e o exemplo de Oswaldo Payá eloqüente: cria-se um logótipo, uma organização de fachada ou uma ONG ad hoc (neste caso o projeto Varela), e se organizam turnês bem publicitárias e programadas para ser recebido por personalidades importantes (o papa João Paulo II; o chefe do governo espanhol, José María Aznar; o presidente mexicano Vicente Fox, o secretário de Estado Colin Powell), e lhe são concedidos alguns prêmios que vão tornando visível a personagem (Payá recebeu o prêmio Sakharov de direitos humanos do Parlamento Europeu e foi proposto como candidato ao Prêmio Nobel). Dessa forma, vai se formando certo perfil de credibilidade sobre a figura que deve ser potencializada, tarefa que depois os propagandistas se encarregam de amplificar, distribuídos na mídia da América e da Europa.

Outra personagem importante é Hubert Matos. Esteve duas décadas no cárcere por se revoltar com seus homens (era o chefe do regimento do Exército Rebelde em Camagüey ), dez meses após o triunfo da Revolução em Cuba. Quando saiu do cárcere (e de Cuba), em 1979, formou o grupo Cuba Independente e Democrática (CID). O jornalista ex-batistiano, Luis Manuel Martínez, disse que Matos a partir da saída da Ilha «esteve trabalhando para a CIA). Foi diretor da La Voz del CID, uma emissora de onda curta que transmitia para Cuba e que era financiada parcialmente pela CIA, como reconheceu Jeff Whittle, proprietário da Rádio Miami Internacional.

Um exemplo de seu espírito libertador é a resposta que deu ao jornalista Hernando Calvo Ospina quando lhe perguntou acerca do relacionamento da dissidência com donos das empresas que querem investir em Cuba: «não garantimos esses investimentos quando o regime cair; não vamos respeitá-los porque têm sido cúmplices do regime. Ora bem, se nos propõem dar uma boa ajuda econômica, então podemos negociar».

Também têm grande projeção o clã Estefan (Gloria e Emilio). Acionistas da Bacardí e, portanto, financistas de ações terroristas na Nicarágua, Angola e Cuba e cúmplices no roubo de patentes cubanas, Gloria e Emilio Estefan patrocinam outras organizações como «Irmãos para o Resgate», que durante anos têm violado o espaço aéreo cubano com seus aviões.

Nos últimos tempos está muito de moda a escritora Zoe Valdés, absolutamente desconhecida até receber o prêmio Planeta.

Pouco antes do início da guerra no Iraque, escreveu um texto no jornal El Mundo (Madri) onde afirmava que tinha vontade de que deflagrasse a guerra para ver se a deixavam tranqüila com as famosas assinaturas. O jornalista espanhol Javier Ortiz qualifica as opiniões de Zoe, durante uma conversação em 1985, quando era uma escritora desconhecida, esposa dum funcionário da embaixada de Cuba em Paris, e dirigente do Partido Comunista de Cuba de «castrismo verdadeiramente nojento».

Finalmente, duas figuras importantes de origem não cubana, que não podemos esquecer, o francês Robert Menard e o mexicano Jorge Castañeda. Menard é o secretário-geral da ONG Repórteres sem Fronteira, organização que no dia a seguir da morte de dois jornalistas pelo disparo dum tanque norte-americano em Bagdá, dedicava as manchetes da sua página da web à falta de liberdade de expressão em Cuba. Perguntado pelo jornalista Hernando Calvo acerca da prioridade que sua organização dava a Cuba, este respondeu: «é perigoso ser jornalista na Colômbia ou no Peru, mas há liberdade de imprensa. Nestes países, existem jornalistas assassinados e no cárcere, mas os familiares e colegas contentam-se com fazer a denúncia».

Em 20 de maio passado, o Comitê das Nações Unidas encarregado das ONGs sancionou Repórteres sem Fronteiras recomendando a suspensão por um ano de seu estatuto consultivo, por suas ações incompatíveis com os princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas.

Quanto a Jorge Castañeda, ex-ministro das Relações Exteriores mexicano, tem como mérito ter conseguido acabar com a histórica trajetória de boas relações entre o México e Cuba. Seu cessar nas funções de ministro, nos finais do ano passado. foi confirmado pelo porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer antes do que o presidente Fox.

EMIGRAÇÃO E DESESTABILIZAÇÃO

Um dos mecanismos utilizados pelos EUA para provocar o governo cubano e desestabilizar a sociedade cubana é a emigração. A política norte-americana tem como objetivo incentivar e propiciar ações de emigração violentas e espetaculares que projetem para o Exterior uma imagem de desespero. O objetivo não é ter uma política migratória normal, ou nem sequer oferecer possibilidades em território norte-americano aos cubanos dissidentes, o objetivo é desestabilizar mesmo. Uma das leis ao amparo desse projeto é a Lei de Ajuste Cubano, de 1966, criticada fortemente pelo governo da Ilha e que evidencia, mais uma vez, a dúbia moral dos governo dos EUA.

Diferentemente de qualquer emigrante latino-americano, no teor da citada Lei de Ajuste, qualquer cubano que chegar às costas norte-americanas tem visto garantido. Se o emigrante é haitiano é logo devolvido a seu país.

Muitos cubanos aos quais as autoridades norte-americanas não concedem o visto para entrar legalmente, são autorizados, segundo este lei, quando saem em lanchas ou seqüestrando algum avião.

Justamente, Europa aplica uma política contrária para dissuadir a emigração irregular africana e latino-americana. A Europa premia os que utilizam as vias regulares das embaixadas e pune com a repatriação e não admissão durante vários anos os que chegam em jangadas ou por vias ilegais.

O objetivo dos EUA com esta política de descumprimento dos acordos migratórios é aumentar a pressão interna e incentivar os seqüestros de navios e aeronaves. Com certeza, se o governo cubano aplicasse novamente a política de 1994, permitindo a emigração descontrolada, os EUA teriam um novo pretexto de intervenção, alegando a ameaça para sua segurança nacional que significaria a chegada em massa de cubanos ilegais.

Cuba está sofrendo o maior estímulo para a emigração ilegal. Nos sete meses anteriores aos julgamentos, foram seqüestrados sete aviões e embarcações cubanas.

Estes seqüestros, alguns utilizando armas e reféns, são considerados pelas leis internacionais como ações de terrorismo e punidos pelas convenções internacionais. Contudo, em quatro destes casos, os EUA não impetraram nenhum processo penal contra os seqüestradores, que andam à solta no território norte-americano.

Segundo expressou Fidel Castro, esse plano começou a produzir-se no mesmo dia que iniciaram a guerra, aproximadamente duas horas antes de começar a agressão militar ao Iraque, quer dizer, perto das 19h, com o seqüestro dum avião de passageiros na rota Nueva Gerona-Isla de la Juventud—Havana, levado a cabo por seis delinqüentes que utilizaram facas, tal como os seqüestradores dos aviões de passageiros norte-americanos arremessados contra as Torres Gêmeas. O avião cubano de passageiros, desviado da rota com 36 pessoas a bordo, foi obrigado a pousar em Key West. (...) Poucos dias depois, um procurador de Miami pôs em liberdade provisória os seqüestradores. Tal coisa não acontecia nos últimos nove anos, quando foram assinados os acordos migratórios entre os Estados Unidos e Cuba, e agora teve lugar, casualmente, duas horas antes de começar a guerra. Esta impunidade permitiu que se produziram novos seqüestros, envolvendo dezenas de reféns.

A cumplicidade dos EUA no capítulo dos seqüestros é tal que no passado mês de junho confiscou e pôs em leilão, tanto o DC-3 seqüestrado que pousou em Key West, quanto o avião russo Antonov-24, seqüestrado em abril por um homem armado com granadas.

Não só deixam livres os terroristas que seqüestram aviões civis com reféns e armados com granadas, mas também confiscam os aviões ao proprietário, que é o governo cubano.

Esta estratégia obedece a um plano concebido com antecedência, que consiste em provocar, com a onda de seqüestros, uma crise migratória que seria utilizada como pretexto para um bloqueio naval, que inevitavelmente levaria a uma guerra. Com grande cinismo, o chefe do Bureau Cuba, do Departamento de Estado, Kevin Whitaker, advertiu o governo cubano que os seqüestros de aviões e embarcações cubanas são uma ameaça para a segurança dos EUA.

O comportamento dos governos cubano e o norte-americano são totalmente opostos ante as ações de seqüestro de aviões.

Entre 1959 e 2001, mais de 51 aviões cubanos foram seqüestrados e muitos deles foram confiscados pelos Estados Unidos, sem que nenhum seqüestrador fosse punido. Pelo contrário, Cuba condenou 69 responsáveis por 71 casos de aviões seqüestrados nos EUA e desviados a Cuba, e mais dois foram postos à disposição da justiça norte-americana (18).

UMA HISTORIA DE TERRORISMO

A possibilidade de uma intervenção norte-americana em Cuba é tão real como demonstra a trajetória de ações hostis e terroristas, planos de atentado contra o presidente e violações constantes da legislação internacional por parte dos EUA para acabar com o sistema socialista cubano.

A partir da tentativa de invasão pela Baía dos Porcos, em 1961, as ações armadas contam-se às centenas. Uma das ações mais selvagens foi o atentado contra um avião da Cubana de Aviação, em 1976, em Barbados, onde morreram 73 pessoas e a onda de atentados terroristas às instalações turísticas cubanas, na década de 90, organizada e financiada pela Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA) e que provocou a morte dum turista italiano.

Segundo o governo cubano, a política terrorista norte-americana contra Cuba matou 3 478 cidadãos e deixou incapacitados ou afetados 2 099. O governo dos Estados Unidos tolerou, inclusive, centenas de tentativas de atentado contra o presidente Fidel Castro e outros dirigentes da Revolução.

É o responsável pela sabotagem ao navio francês Le Coubre, pelo incêndio e destruição da loja El Encanto; foi quem organizou e apoiou com seu exército a gorada invasão pela Baía dos Porcos; é o responsável por inúmeros ataques piratas aéreos e navais contra povoações cubanas indefesas e contra instalações civis; quem apoiou a queimada de canaviais, os ataques contra humildes pescadores cubanos, e os assassinatos de membros da Polícia Nacional Revolucionária e das Tropas da Guarda Costeira.

O governo dos Estados Unidos é responsável pelas ações terroristas cometidas com bombas e explosivos contra a embaixada de Cuba em Portugal, ante a ONU e noutros países, matando e provocando feridas graves a funcionários e diplomatas cubanos. É responsável pela morte de diplomatas cubanos na Argentina e pelo assassinato de outro diplomata na própria cidade de Nova York.

Essas ações mantêm-se hoje em dia. Em 26 de abril de 2002 foi desarticulado um plano para destruir à bomba o famoso cabaré cubano Tropicana, um atentado que punha em perigo a vida de mais de mil pessoas, segundo revela o agente cubano filtrado no comando, Percy Francisco Alvarado.

Em 6 de abril passado, o jornal The Sun Sentinel, da Flórida, publicou como a organização paramilitar Comandos F-4 treina com armas pesadas para realizar ações armadas contra Cuba e para uma possível invasão armada ao país.

A atitude dos Estados Unidos quanto ao terrorismo é contrária à cubana. Cuba aprovou, em 20 de dezembro de 2001, uma lei contra ações de terrorismo que estabelece sanções para aqueles que utilizarem o território cubano para organizar ações ou financiá-las contra outros países, como os Estados Unidos. Contudo, em território norte-americano continuam treinando grupos paramilitares para atuar contra Cuba.

Outro exemplo do cinismo do governo norte-americano é a detenção de cinco cubanos que cumprem longas penas em prisões norte-americanas, incluindo duas condenações de prisão perpétua, quando tentavam impedir as ações de grupos terroristas da extrema direita exilados em Miami contra Cuba. Conhecedores dessas intenções, os cinco cubanos informaram as autoridades norte-americanas e como resposta foram presos e acusados de espionagem.

MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Enquanto isso, a mídia continua suas campanhas de acusação. Além da publicação de proclamas que condenam a Ilha, são silenciados os que mostram seu apoio, como o documento assinado por mais de 3 mil intelectuais, artistas e profissionais de 69 países, entre eles, quatro Prêmios Nobel, intitulado «À consciência do mundo» (20).

Enquanto são publicadas as críticas de José Saramago, escondem-se as demonstrações de apoio de Adolfo Pérez Esquivel, Noam Chomsky, Ernesto Cardenal, Mario Benedetti, Augusto Roa Bastos, Gabriel García Márquez ou Rigoberta Menchú. A imprensa apresenta como dissidentes os terroristas que colocaram as bombas nos hotéis de Havana, em 1998, e os seqüestradores de aviões e embarcações.

Condenam-se as sentenças judiciais cubanas aos seqüestradores e silenciam-se os massacres de outros governos para resolver seqüestros semelhantes como o do teatro de Moscou, onde houve uma centena de mortos entre reféns e terroristas chechenos ou o assassinato, por ordem de Fujimori, dos seqüestradores da embaixada japonesa em Lima.

UNIÃO EUROPÉIA

A União Européia (UE), tendo José Aznar como líder em sua política contra Cuba, demonstrou sua hipocrisia e dúbia moral para com a Ilha. Aqueles que nada declararam acerca da violação do direito internacional quando da invasão ao Iraque, aqueles que jamais condenaram a pena de morte contra menores de idade, doentes mentais e estrangeiros, aos quais não é permitida nem atenção consular à qual têm direito, até atingir as 71 execuções nos Estados Unidos, no ano passado, agora bradam contra Cuba.

A UE faz um apelo às autoridades cubanas para evitar o sofrimento inútil dos presos e para que não sejam submetidos a tratamentos desumanos, enquanto faz ouvidos moucos dos mais de 600 presos no campo de concentração de Guantánamo, alguns com nacionalidade européia, torturados, sem direito à assistência jurídica e sem visitas de familiares. A UE nada fala acerca dos milhares de presos nos cárceres dos EUA, após os atentados de 11 de setembro pelo delito de serem muçulmanos, sem garantias jurídicas, sem processos e sem que seus nomes tenham sido publicados até agora.

Medidas de punição diplomáticas, suspensão de acordos de comércio e cooperação, suspensão de visitas governamentais bilaterais, redução da participação dos Estados europeus nos acontecimentos culturais, convite aos dissidentes cubanos às embaixadas em Havana, suspensão de programas de cooperação e solidariedade com Cuba. Essas são as respostas da UE contra um país que só exige o respeito à Carta das Nações Unidas, que reconhece o direito de Cuba de se reger por seu próprio sistema político, reconhece o respeito ao princípio de igualdade entre os Estados e o direito à livre determinação dos povos.

O divórcio entre a opinião pública e os governos submissos aos EUA jamais tinha sido tão evidente como no caso de Cuba. Enquanto a maioria dos presidentes aplicam sobre a Ilha as políticas que lhe são ditadas por Bush, as manifestações de apoio e solidariedade surgem espontaneamente onde quer que estejam os governantes cubanos. Todos esses governos e especialmente o norte-americano devem saber que essas ações de agressão contra Cuba não são aprovadas por seus povos, os quais devem denunciar e enfrentar uma campanha internacional que procura sentar as bases que justifiquem uma intervenção militar que, em nome da democracia e dos direitos humanos, só pode trazer morte e saqueio.

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