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Date Posted: 08:01:32 10/05/06 Thu
Author: Gisele Loures
Subject: Meu resumo

O resumo que publico tem como objetivo a proposição de uma comunicação coordenada no V Congresso Internacional da Associação Brasileira de Lingüística, para o qual pretendo escrever um artigo. Como sou componente da mesa e não coordenadora, meu resumo deveria contemplar os seguintes padrões: ter título; texto de no mínimo 600 e no máximo 1200 palavras. Fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento entre linhas simples; no máximo 10 referências bibliográficas (disponível em http://www.abralin.org/abralin2007/submissao/coord_a.php)
Segue o texto para apreciação e sujeitões.

RESUMO PARA ABRALIN

TÍTULO
Processos identificatórios na aprendizagem de língua inglesa: representações sobre língua e o querer aprender

Nesta comunicação pretendo apresentar a pesquisa de Mestrado em andamento intitulada “Processos identificatórios na aprendizagem de língua inglesa como L2” (PosLin/FALE/UFMG) sob a orientação da professora doutora Maralice de Souza Neves. A pesquisa tem como objetivo investigar, no discurso, representações em relação à aprendizagem de língua inglesa como língua estrangeira (L2) no espaço discursivo das instituições de ensino superior (IES), em curso de formação de professores desse idioma. O suporte teórico escolhido situa-se interface entre a Análise do Discurso (Pêcheux, 1975, 1983; Coracini, 1995; Authier-Revuz, 1998, 2004), e a Psicanálise lacaniana (Lacan, 1964), problematizados no escopo da Lingüística Aplicada (Serrani-Infante, 1997, 1998; Revuz, 1998). De modo a especificar o objeto de estudos, optei por focalizar graduandos em Letras circunscritos em uma IES do interior de Minas Gerais – situada na região leste do estado, no Vale do Aço – falantes nativos de língua portuguesa brasileira (L1), aprendizes de língua inglesa como L2. Tal recorte se deu porque atuo nessa região como professora da instituição. O cotidiano da prática pedagógica, a relação com os graduandos e a trajetória na aprendizagem da L2 dos mesmos motivaram questionamentos: por que alguns parecem aprender a L2 e outros não? Por que há aprendizes que parecem limítrofes quando o professor percebe um considerável potencial de aprendizagem naquele aluno? Seria por que o aprendiz não deseja aprender aquela língua? O aprendiz de L2 se sente realizador de sua aprendizagem? Tais questionamentos, dentre outros, indiciaram uma inquietação quanto ao ensino/aprendizagem de línguas, especialmente no contexto pesquisado: a da consideração da subjetividade como um dos fatores motrizes da aprendizagem da L2. Já que, acredito que a aprendizagem da L2 se dê pela inscrição discursiva do sujeito na L2 (SERRANI-INFANTE, 1997). Para alguns alunos não há desconforto ao partir em busca da língua estrangeira, um outro estranho a ele. No entanto, a necessidade de deslocar-se em busca daquela, faz surgir no discurso de outrem representações conflitantes no que diz respeito ao encontro com a L2; o que aponta um confronto com esse outro – a língua do outro (REVUZ, 1998) – o que poderia acarretar a inibição da aprendizagem dos alunos, já que, como já mencionado, sua inscrição na L2 depende de um desarranjo subjetivo na L1 e do re-arranjo subjetivo na L2 (SERRANI-INFANTE, 1997). No que diz respeito à subjetividade, em cuja constituição acontecem necessários deslocamentos em decorrência do processo de aprendizagem, tomo-a na perspectiva psicanalítica em que o sujeito é “atravessado pelo inconsciente e, por isso mesmo, impossibilitado de se reconhecer e de reconhecer o outro, já que é fragmentado, esfacelado, emergindo apenas pontualmente pela linguagem lá onde se percebem lapsos e atos falhos” (CORACINI, 1995, p.11). Entendo que o acontecimento discursivo do lapso indicia a inserção de uma voz ou de vozes que, à revelia do ilusório controle da enunciação discursiva que permite ao sujeito ser identificado como eu (ego) (LACAN, 1964), emergem no discurso e desestabilizam as formações imaginárias fundadoras daquele sujeito. Neste momento da quebra da imagem homogeneizada do discurso, posso visualizar, nas negações, contradições, glosas e incisas (AUTHIER-REVUZ, 1998, 2004), as representações opacas e contraditórias da L2 e da sua aprendizagem, da imagem do professor e da imagem de si próprio enquanto aprendiz. Estas representações contraditórias, ao inverso daquelas capturadas a partir das ressonâncias discursivas (SERRANI-INFANTI, 1998) e da construção da cadeia de significantes (PÊCHEUX, 1997), apontam a desestabilização dos sujeitos quando são requisitados a falar sobre a aprendizagem da L2. A meu ver, aqui está uma evidência da não inscrição do sujeito em acontecimentos discursivos da aprendizagem da L2. O corpus da pesquisa é formado por seqüências discursivas recortadas de depoimentos gravados em áudio e transcritos em resposta a um questionário. Após a interpretação e análise das representações capturadas em tais seqüências discursivas, foi possível observar, por exemplo, a imagem de um aluno que não se engaja na aprendizagem da L2, embora busque dizer o contrário. Observei, ainda, que, a representação do professor aponta para uma imagem tradicionalista, que encerra dizeres de domínio, controle e posse do idioma ensinado. Quanto à responsabilidade da aprendizagem, encontrei representações de sua delegação máxima ao professor; o que sinalizou o distanciamento dos sujeitos aprendizes da L2 com a própria aprendizagem da língua.

AUTHIER-REVUZ, J. Entre a transparência e a opacidade: um estudo enunciativo do sentido. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004. 257p. Trad. Marlene Teixeira

__________________. Palavras Incertas: as não coincidências do dizer. Campinas: UNICAMP, 1998. 200p. Col. Repertórios.

CORACINI, M. J. R. F. (org). O jogo discursivo na aula de leitura. Língua materna e língua estrangeira. Campinas:Pontes, 1995.

LACAN, J. (1964) O seminário. Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. 2 ed., Rio de Janeiro:Jorge Zahar, 1998. 269 p.


PÊCHEUX, M. (1975). Semântica e discurso. Uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas:UNICAMP, 1997. p. 317

____________. (1983) O discurso: estrutura ou acontecimento. 2 ed. Campinas: Pontes 1997.

REVUZ, C. (1998) A língua estrangeira entre o desejo de um lugar e o risco do exílio. In: SIGNORINI, I..; (Orgs.) Língua(gem) e identidade. Campinas: Mercado de Letras, 2002. p. 213-230. 2ª reimpressão. Trad. Silvana Serrani-Infante.

SERRANI-INFANTE, S. M. (1998) Identidade e segundas línguas: as identificações no discurso. In: SIGNORINI, I..; (Orgs.) Língua(gem) e identidade. Campinas: Mercado de Letras, 2002. p. 231-261. 2ª reimpressão.

_____________________. Abordagem Transdisciplinar da Enunciação em Segunda Língua: a proposta AREDA. In: SIGNORINI, I..; CAVALCANTI, M.C. (Orgs.) Lingüística aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 143-167.
________________. Formações discursivas e processos identificatórios na aquisição de línguas. D.E.L.T.A., vol. 13, n. 1, 1997p. 63-81.

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