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Date Posted: 08:38:12 06/07/09 Sun
Author: Liberato Santos
Subject: Resumo Guerrero e Villamil (2001)

Universidade de Brasília
PGLA – Programa de Pós-Graduação/Mestrado em Lingüística Aplicada
Disciplina: Tópicos Especiais em Lingüística Aplicada: Crenças de Aprendizagem e
Ensino de Língua
Docente: Profª Drª Mariney Pereira
Discente: Mestrando Liberato Santos
Data: 08 de junho de 2009


Resumo do texto de Maria Guerrero e Olga Villamil, “Metaphor analysis in second/foreign language instruction: a sociocultural perspective” (2001).

As metáforas desempenham um papel importante na teoria de aprendizagem de segunda língua (doravante L2) e na pesquisa em linguística aplicada (doravante LA). [...] Três características importantes da metáfora são reconhecidas na literatura científica: 1) a presença abundante de metáforas na profissão de professor de línguas; 2) a capacidade que as metáforas apresentam de capturar construtos complexos no campo de ensino de línguas; 3) a utilidade das metáforas como veículos de reflexão e conscientização entre os educadores. [...] As pesquisas anteriormente realizadas revelam as metáforas que prevalecem no campo de ensino de L2/LE. O que falta, porém, é um quadro coerente de referência teórica que explique como os professores de L2/LE constroem conceituações metafóricas sobre sua profissão. Acreditamos que a teoria sociocultural de Vygotsky consiga cumprir este objetivo, já que ela trata o cognitivo e o social como dois domínios indissociáveis.

Na visão vygotskyana, há entre os domínios cognitivo e social um relacionamento dialético no qual a mente determina/produz o ambiente social e, ao mesmo tempo, é determinada/produzida por este mesmo ambiente. As conceituações metafóricas que mediam os processos mentais passam pelo mesmo ciclo dialético. De acordo com Lantoff (2000), a atividade mental dos seres humanos nasce da interação com outros seres humanos e com os artefatos produzidos por nossos ancestrais e nossos contemporâneos. O pensamento, portanto, é mediado por artefatos criados culturalmente. A metáfora, por exemplo, é um artefato criado culturalmente e organizado linguisticamente.

As metáforas convencionais são formas congeladas da língua(gem) que emergem em circunstâncias sócio-histórico-culturais específicas e são apropriadas durante uma interação social para serem usadas como ferramentas psicológicas na construção do entendimento pessoal. As metáforas, como outras ferramentas semióticas, funcionam como mediadoras no plano intermental para uso intramental nos processos de conhecimento, significação e orientação do comportamento. O conceito de metáfora como artefato cultural que media o pensamento está embasado em concepções etnográficas recentes sobre a mente que colocam a metáfora como um tipo importante de modelo cultural. Ainda de acordo com o pensamento vygotskyano, as ferramentas psicológicas que o ser humano adquire alteram o funcionamento de sua mente. A metáfora, como ferramenta cognitiva, também tem esse potencial.

A apropriação de metáforas não pode ser vista de forma simplista. Não se trata de simplesmente copiar as metáforas de um grupo social e pô-las em uso. Há sempre um elemento subjetivo de reconstrução pessoal no processo de internalização da metáfora, pois cada indivíduo é afetado por experiências pessoais específicas e é exposto a uma multiplicidade de discursos sociais: é o conceito bakhtiniano das múltiplas vozes embutida na voz de cada indivíduo. Os professores, como seres humanos que são, passam pelos mesmos processos ao se apropriarem de metáforas.

No caso específico dos professores de línguas, as metáforas estão presentes, por exemplo, no jargão aprendido durante o processo de formação. De acordo com Moorman, Blanton e McLaughlin, “aprender a ser um alfabetizador significa aprender, através da leitura, da escrita, da fala e da audição, os significados construídos socialmente sobre a linguagem da instrução alfabetizadora” (1994). Há um aspecto multivocal e reconstrutivo na linguagem metafórica utilizada pelos professores que é revelada no uso que fazem de metáforas diversas, algumas adotadas inadvertidamente dos mais variados paradigmas.

Metáforas de Professores de L2/LE: até que ponto os professores de L2/LE apropriam-se de metáforas para construir seus próprios sistemas de crenças pessoais?
A pesquisa realizada pelas autoras aponta para um uso de metáforas pelos professores que é consistente com os modelos já existentes em sua cultura, o que reforça a visão da teoria sociocultural de que as metáforas constroem e são construídas nas interações com o meio social. A hipótese das autoras é de que o processo utilizado pelos professores para construir suas crenças pessoais envolve, em grande parte, a apropriação do jargão metafórico da cultura em que estão inseridos. As autoras lembram que os professores de L2/LE são expostos a uma carga pesada de linguagem metafórica advinda dos livros didáticos e livros de referência lidos durante o período de formação acadêmica e no trabalho diário, o discurso aprendido de outros professores quando ainda são alunos e estagiários, a linguagem lingüística popular. É na interação com essas fontes culturais, mediada tanto por seres humanos quanto por artefatos, que o discurso da profissão é formado, disseminado, adquirido e perpetuado.

O processo de apropriação envolve transmissão e reconstrução. Metáforas que são compartilhadas culturalmente são internalizadas, reconstruídas e transformadas num processo do qual ainda fazem parte as experiências pessoais do professor e as múltiplas vozes. O resultado é sempre a transformação de uma ferramenta culturalmente disseminada para uma conceituação pessoal no qual fundem-se o cognitivo, o social e o vivenciado. O resultado do processo de reconstrução é às vezes um grande sincretismo produzido pelo fato de o professor se apropriar e combinar construtos advindos de paradigmas totalmente diferentes entre si. É um amálgama altamente personalizado de pressuposições e crenças que apontam influências de vários modelos teóricos. Este “mix” de paradigmas diversos e às vezes conflitantes não é incomum, de acordo com as autoras.

Além dos significados sociais e culturais, as metáforas pesquisadas revelaram os efeitos advindos das trajetórias individuais dos professores de L2/LE. Tais metáforas enfatizaram preferências pessoais, atitudes e frustrações acumuladas durante anos de experiência. Elementos vivenciais e contextuais específicos parecem desempenhar um papel importante na construção metafórica de si mesmos que os professores pesquisados fazem, o que reforça a visão de Tobin (1990) de que “a conceituação de um papel e a metáfora utilizada para significá-lo dependem do contexto no qual o ensino e a aprendizagem acontecem”.

Conclusão 1: a aplicação de uma perspectiva sociocultural para o estudo das metáforas de professores revelou um processo complexo de apropriação e transformação no qual as metáforas convencionais do grupo (no caso, os profissionais de L2/LE) foram adotadas de maneira intacta, mas com variações subjacentes na conceituação, o que revela diferenças no mapeamento individual que é feito dos domínios conceituais. As múltiplas vozes e as experiências/vivências pessoais de ensino também desempenharam um papel importante neste processo.

Conclusão 2: as autoras recomendam o uso de metáforas como ferramenta para aumentar a auto-reflexão entre professores de L2/LE, já que a reflexão é uma atividade mediada e a teoria sociocultural apóia o uso da metáfora como ferramenta de reflexão. É importante, segundo as autoras, que professores formados e em formação conscientizem-se do poder e do alcance que as metáforas têm de dar forma às crenças, práticas e discursos educacionais dos profissionais de ensino. De acordo com Donato (2000), a adoção de uma metáfora e não de outra tem implicações de longo alcance sobre o ensino e a aprendizagem. Assim, os professores precisam examinar criticamente as metáforas que usam em termos de seu alcance e como elas refletem verdadeiramente suas crenças e afetam seus modos de ensinar.

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