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Date Posted: 10:43:45 06/07/09 Sun
Author: Eduardo Ferreira dos Santos
Subject: Resumo Kramisch

RESUMO: Metaphor and the Subjective Construction of Beliefs
Claire kramsch (2003)

As crenças sobre o aprendizado de línguas têm sido vistas como atitudes mentais estáveis, opiniões ou idéias que poderiam ser acessadas por meio de instrumentos como questionários. Entretanto, essa visão é contestada pela tradição psicológica discursiva que vê a linguagem como algo que constrói a realidade ao invés de apenas refleti-la. Nesta perspectiva Kramisch, coloca em oposição a metáfora do “espelho”, em que a língua reflete como as coisas são através das descrições, representações e relatos, e a do “canteiro de obras”, segundo a qual as próprias descrições, falas, discussões e relatos das pessoas são construções do mundo ou versões dele.
A autora se propõe a examinar como os aprendizes de línguas estrangeiras constroem suas crenças sobre sua experiência de aprendizagem de línguas e como se processar as metáforas usadas por esses aprendizes nessa construção. Em seguida, ela explora os espaços sociais e subjetivos que os aprendizes de línguas herdadas constroem em suas autobiografias, por meio de uma leitura metafórica e não literal.

A pesquisa sobre crenças tem sido dominada por um paradigma moderno que prevalece na psicologia social e tenta explicitar as pressuposições tácitas que subjazem nas declarações de aprendizes e professores (o produto verbal), sem considerar o processo pelo qual eles atribuem opiniões e visões de mundo a si mesmos e aos outros. Na tentativa de mudar esse paradigma, ao invés de tentar construir um sistema de crenças estável, os antropólogos lingüistas falam agora em “espaços de crenças” ou “espaços mentais contextualmente variáveis” criados pela articulação linguística de opiniões e visões de mundo (Hanks, 2000), com base na psicologia discursiva e construcionista social que reforça a natureza constitutiva e transformacional do discurso na formulação de atitudes e crenças. Potter e Wetherell (1987) mostram que a codificação de crenças na linguagem, não só representa uma realidade psíquica e social como também a constrói, e defendem a produção de pesquisas sobre crenças que considerem suas variabilidades, contingências e inconsistências, não por meio de questionários descontextualizados. Shotter (1993) propõe uma perspectiva relativista para esse foco no discurso, destacando a relatividade semiótica, linguística e discursiva das crenças articuladas. Assim, a atribuição de crenças normalmente reflete a convergência de processos cognitivos e lingüísticos que vê uma coisa em termos de outra, que é a essência da metáfora, e pode ser observado, por exemplo, ao se analisar a afirmativa “aprender uma língua é viajar para novos lugares”.

O papel da metáfora na construção cognitiva da crença
Na tradição psicológica, as metáforas eram vistas como formas de expressar pensamentos inarticulados. Hoje elas são também entendidas como processos lingüísticos e cognitivos que agrupam dois domínios, ou espaços mentais, numa frase. Linguistas cognitivos como Lakoff (1987) demonstram que a metáfora é uma parte intrínseca de nosso aparato conceitual. Ao falar de suas impressões pessoais sobre a experiência de aprender outra língua, percebemos as metáforas do aprendiz em expressões do tipo “Aprender é...”, “Aprender é como...”, sendo que o complemento dessas expressões não representa uma crença permanente ou que seja comum a outras pessoas, podendo então ser criadas inúmeras metáforas para o mesmo conceito. De acordo com Gibbs (1998) a multiplicidade de metáforas para os conceitos devem ser vistas como representações temporárias, dinâmicas e contextuais e não como estruturas estáticas e fixas. Além da forma de figura de estilo a metáfora pode aparecer também como fábula, parábola, alegoria ou mesmo nas formas corriqueiras que as pessoas usam para escrever ou falar sobre suas experiências de aprendizado. Gibbs (1998, 1999) apresenta duas formas de se abordar a metáfora: processando-as sistematicamente ou examinando-a através de uma análise estilística crítica, ou seja, como a sua mensagem age gramaticalmente, lexicalmente e discursivamente.

A articulação metafórica da crença
Com base em pesquisas da Psicologia discursiva e Semântica cognitiva, a autora resume o conceito de formulação metafórica da crença em relação ao pensamento da seguinte forma:
1) a atribuição de crenças cria crenças; 2) a atribuição de crenças não ocorre isoladamente, mas evoca uma série de crenças relacionadas umas às outras; 3) as crenças e suas atribuições são produzidas no contexto de grupos e relações sociais; 4) Os donos de crenças também atribuem crenças a outras pessoas; 5) As pessoas produzem e atribuem crenças a partir de antecedentes sociais de expressão, encenação e concordância ou discordância tácitas da crença. Em suma, a articulação e atribuição de crenças constroem e encenam a realidade social à qual elas se referem.
E seguida, a autora descreve duas abordagens para se estudar as formas que os aprendizes constroem suas crenças através de metáforas. Na primeira, ela processa as metáforas explícitas geradas e na segunda, as crenças são processadas metaforicamente através dos relatos autobiográficos dos alunos.

Processamento de metáforas: busca documentar como os aprendizes constroem discursivamente sua experiência, de que domínios semânticos eles partem e como eles articulam suas crenças em referência às várias línguas estrangeiras nos vários níveis de proficiência. Foi feita uma pesquisa em que 935 alunos de diferentes línguas responderam um questionário completando frases do tipo “Aprender língua é como...”; “Falar esta língua é como...”; “Escrever nesta língua é como...” A partir disto foram geradas 1496 metáforas diferentes que depois foram classificas em 17 categorias. O processamento dessas metáforas pode ser feito por meio de uma abordagem social psicológica que mostra como essas metáforas revelam as concepções subjacentes aos mundos dos alunos; por outro lado, uma abordagem social discursiva focaliza na construção metafórica de um espaço de crença, que é em parte dividido e moldado pelos outros, no qual vários cenários podem ser representados. De acordo com Lakoff (1993) e Steen (1999), podemos analisar as metáforas sob os aspectos conceitual, lingüístico e discursivo.

Processamento metafórico: Kramisch considera que o processamento de metáforas é útil na compreensão de como os aprendizes constroem seus universos de crenças, mas não é suficiente para a compreensão de crenças não articuladas dos aprendizes sobre o valor do aprendizado de línguas, ou suas identidades como aprendizes, as quais podem ser processadas metaforicamente a partir dos textos que eles escrevem. A autora toma como exemplo o caso de uma aluna coreana de 19 anos que fez parte de um estudo etnográfico realizado com alunos novatos de várias turmas de línguas estrangeiras da Universidade de Berkeley, utilizando textos e auto-relatos dos alunos, além de entrevistas. O processamento metafórico desses relatos revelou que textos que parecem recontar crenças estáveis e pessoais sobre o mundo, na verdade constroem espaços de crenças que combinam, em níveis variados, as narrativas dominantes de seus ambientes com seus próprios paradoxos individuais

Concluindo, o texto reforça a mudança do foco nas crenças como reflexões de uma realidade psíquica estável na mente de professores e alunos, para o foco nos donos das crenças e na forma que eles constroem representações deles mesmos e de suas experiências através de metáforas. A metáfora aqui deixa de ser um mero ornamento estilístico e se torna uma ponte entre experiências subjetivas - conflituosas, contextualmente contingentes e em mudança; e sua expressão, comunicação e encenação através da linguagem. A metáfora passa de produto lingüístico a um processo conceitual de mapear dois domínios incompatíveis entre si para expressar realidades complexas e atribuir crenças a si mesmo e aos outros. Estas crenças são vistas como espaços mentais que podem ser pesquisados por meio do processamento explicito de metáforas ou pelo processamento metafórico dos textos dos aprendizes. De uma perspectiva educacional, essa abordagem de pesquisa procura explicitar e incentivar a discussão dos cenários potenciais para o desenvolvimento do aprendiz. Ela reconhece as crenças como mediadas semioticamente, de natureza paradoxal e conflituosa, cuja formulação e atribuição explícitas abrem universos sociais e subjetivos, ou espaços para ações possíveis. Kramsch sugere que o interesse dos pesquisadores deve-se voltar para a exploração e interpretação das crenças dos alunos considerando o dinamismo de suas construções de mundos possíveis.

Eduardo Ferreira dos Santos

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