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Date Posted: 12:26:55 05/18/09 Mon
Author: Julia Barros
Subject: Texto Madeira

Tópicos Especiais em Linguística Aplicada: Crenças de Ensino e Aprendizagem de Línguas
Profa Dra. Mariney Pereira Conceição
Área: Linguística Aplicada
Aluna: Júlia Maria Antunes Barros

Resumo do texto: MADEIRA, Fábio, Crenças de professores de Português sobre o papel da gramática no ensino de Língua Portuguesa, 2005.

Este trabalho de Madeira apresenta os resultados de uma pesquisa na qual ele investigou as crenças de professores de língua portuguesa sobre o papel do ensino da gramática nas de português.Esses professores eram rede pública de ensino participantes de um programa de formação profissional continuada oferecido por uma grande universidade pública do estado de São Paulo.
Segundo Madeira, surgiu o questionamento de um ensino regido pelas normas impostas pela gramática normativa. Para ele, tal questionamento não foi apenas uma conseqüência da necessidade de se atender à nova clientela da escola pública. E, ainda, questionava-se a inconsistência teórica e a falta de coerência interna do modelo normativo de gramática, já que muitas das definições apresentadas por aquele modelo não dão conta de todos os usos da língua (Possenti, 1996; Perini, 1993; Aparício, 2001; Tavares, 2000).
Madeira ressalta que não se podia mais conceber uma gramática simplesmente como um conjunto
de regras que devem ser seguidas. Nos anos 80 e 90, as discussões acadêmicas tomaram um rumo diferente, na
busca de uma melhor explicação para a mecânica da língua e surgiram outras concepções sobre gramática. Travaglia (2002) cita três tipos de gramática: gramática descritiva, gramática internalizada e gramática normativa. A saber:
 A gramática normativa lida com os fatos da língua padrão, da norma culta da língua. Neste modelo gramatical, a importância maior é dada à língua escrita – na verdade, a variedade oral da norma culta nem é diferenciada da escrita.
 A gramática descritiva, por sua vez, corresponde a um conjunto de regras baseado no uso da língua. “É a que orienta o trabalho dos lingüistas, cuja preocupação é descrever e/ou explicar as línguas tais como elas são faladas.” (Possenti, 1996p.65 – destaque no original) A gramática descritiva trata os “erros” de maneira diferente: utiliza um critério social, não lingüístico, para a correção.
 Uma outra concepção de gramática é a chamada gramática internalizada, também denominada gramática natural, interior, implícita ou intuitiva (Silva, 2003). Sob essa perspectiva, a gramática se define como o conjunto de regras que um falante domina – os conhecimentos que possui para produzir frases compreensíveis e reconhecidas, mesmo que consideradas “erradas” pela gramática normativa (Possenti, 1996). (Madeira 2005, p. 24)
Madeira faz a seguinte observação: a gramática funcional está baseada no significado expresso sob influencia
dos contextos social e cultural. Esse modelo gramatical preocupa-se com o uso funcional da linguagem, que não pode ser determinado simplesmente pelo estudo da estrutura gramatical da sentença (Richards, Platt & Platt, 1992). Ou seja, a discussão sobre a língua na gramática funcional passa pela sociolingüística e pela pragmática.
Para concluir sua redação sobre os diferentes tipos de gramática, Madeira cita Mattos e Silva que afirma que, no campo dos estudos lingüísticos, há lugar para o estudo de todas as “diferentes gramáticas” que, para ela, são diferentes maneiras de se abordar a gramática.
O autor também ressalta que o ensino de língua materna deve colocar o aluno com a variedade padrão da língua, mas fazer isso sem deixar de mostrar que essa é apenas uma das variedades, entre as diversas existentes e que, apesar de ser a de maior prestígio, deve atentar em não subestimar as outras.
No desenvolvimento de seu texto, o autor descreve o estudo que realizou 32 professores de Língua Portuguesa da rede pública. Pediu a eles que respondessem um pequeno questionário. O questionário foi respondido por todos os participantes, mas a entrevista foi aceita por 18 dos 32 participantes. A entrevista foi feita tendo em mãos o questionário respondido.
Sobre a visão dos professores entrevistados, Madeira constatou que:
a. há esforço por parte dos professores em acompanhar as mudanças propostas pelas pesquisas dos campos de estudos lingüísticos;
b. há um período de mudanças de concepções e de transformação de práticas em sala de aula;
c. algumas questões mostraram-se quase consensuais entre os professores. Um total de 91% deles afirmou concordar com a necessidade de escrever como maneira de praticar e de aprimorar a habilidade da escrita;
d. professores afirmaram concordar com a necessidade de se aceitar, de forma natural, erros cometidos pelos alunos no período inicial da aprendizagem;
e. como a maioria dos pesquisadores no campo de estudos lingüísticos, a grande maioria (94%) dos professores criticam o modelo gramatical normativo.
f. há o reconhecimento da necessidade de contextualização do conteúdo gramatical ao qual o aluno é exposto: 96% dos vários professores mencionaram a produção de textos como atividade recomendável;
g. um número considerável de professores não relaciona a aprendizagem da gramática apenas com a produção de texto escrito;
h. os professores creem que o papel da escola é colocar o aluno em contato com a norma culta. O que eles questionam é a maneira como a exposição à norma culta ocorre;
i. há uma preocupação com a discussão em sala de aula sobre as variedades lingüísticas, o que poderia servir como maneira de esclarecer sobre o uso da língua nos diferentes contextos e por diferentes comunidades lingüísticas.
Essa última conclusão, em especial, leva Madeira a sugerir que a discussão em sala de aula cumpriria o que Travaglia (2002) coloca como o objetivo prioritário do ensino de Língua Portuguesa: desenvolver a competência comunicativa dos usuários da língua. O autor ainda acrescenta que isso serviria como opção de tornar o ensino de língua mais atraente e conclui que os professores de língua portuguesa do nível fundamental e médio colocam-se abertos a reconsiderações e a questionamentos de concepções antigas de ensino. Há uma busca por mudanças e uma reconsideração das próprias crenças.

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