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Date Posted: 17:19:35 05/25/09 Mon
Author: Eduardo Ferreira
Subject: Resumo Sakui e Gaies

RESUMO: Beliefs and Professional Identity: A Case Study of a Japanese Teacher of EFL Writing
Sakui Keiko & Stephen J. Gaies

Os autores começam observando a mudança de foco no campo de estudos sobre ensino e formação de professores, que agora tenta compreender a formação e modificação do pensamento do professor e os seus processos reflexivos, conhecimentos e crenças.
Segundo Clandinin e Connelly, “conhecer algo envolve estados mentais estético, moral e emocional sobre aquilo”. Esta noção se baseia na presunção de que: (a) muito do conhecimento que subjaz a prática do professor se constrói e é modificado em virtude de suas respostas ao contexto de ensino; (b) a cognição do professor deve ser vista como uma teia complexa de vários tipos de conhecimento (subjetivo, pessoal, prático, casual, teórico) envolvendo também suas crenças e valores; e tudo isso influencia seu pensamento e comportamento. (Calderhead, 1996; Richardson, 1996).
Os autores destacam a importância das narrativas de professores para compreendermos o ensino e para que eles compreendam a si mesmos. Ao contar suas histórias de ensino, os professores confrontam sua identidade profissional, e esta se relaciona diretamente com o seu desenvolvimento e uso do conhecimento.
Keiko & Gaies ainda adotam a visão construtivista de identidade do professor, que vê a identidade profissional como algo complexo que transcende as dimensões socioculturais e políticas. Rejeitam a visão estática que coloca o professor como um produto de seu conhecimento prévio e experiencial. A identidade é socialmente construída, através da dinâmica do seu envolvimento no seu contexto de atuação e da sua interação com os outros participantes desse contexto. Além a identidade profissional de um professor emerge das várias identidades que ele assume em sua vida (adulto, pai/mãe, marido/esposa, irmão, membro de uma comunidade, etc). Nessa perspectiva, o estudo de caso em questão procura explorar como as crenças e cognição da professora pesquisadora são relacionadas à sua identidade e como elas são descritas através de suas metáforas.
A pesquisa parte de um auto-estudo sobre escrita e ensino de escrita de EFL, realizado pela professora japonesa Keiko e envolveu 23 alunos universitários em Kansai. O principal instrumento de coleta de dados era um diário escrito pela professora-pesquisadora que era lido e analisado por um professor colaborador (Stephen) que, quando necessário, solicitava esclarecimentos em relação a alguns tópicos ou crenças que não ficaram explícitas, ou compartilhava suas próprias experiências de ensino.
A coleta de dados contou ainda com entrevista com a professora Keiko por Stephen, observação de aulas, notas de campo, trabalhos escritos realizados pelos alunos em sala e extra-classe, questionários respondidos pelos alunos e transcrições de entrevistas com os alunos conduzidas por Keiko. As perguntas de pesquisas eram: (a) Quais as crenças de Keiko sobre ensino, aprendizagem e escrita? (b) Como suas crenças se relacionavam com seu planejamento, ensino e avaliação da sua prática? (c) A que ponto e de que forma suas crenças moldavam as percepções dos alunos em relação à escrita em Inglês? Numa análise inicial dos dados já foi possível descrever muitas crenças de Keiko como professora de escrita e sobre a conexão com suas crenças e suas experiências como aprendiz e usuária do Inglês.
A questão da identidade foi bastante recorrente, por isso foram reexaminados os dados para ver se e até que ponto as crenças de Keiko poderiam ser vistas como a base para sua identidade profissional. Procurou-se descobrir se suas crenças evidenciavam pontos de tensões, e se ela reconhecia e conseguia lidar com essas tensões. Buscou-se determinar se suas habilidades para resolver estas tensões forneceriam uma compreensão da natureza de sua identidade profissional.
A partir das evidências de que a identidade profissional de Keiko estava fortemente ligada ao seu esforço para reconhecer e reconciliar os conflitos de vários grupos de crenças, ou tensões, os autores concluíram: Tensão 1: O senso de competência como professora em conflito com a consciência de suas limitações, indica que sua identidade profissional é uma combinação de múltiplas identidades; Tensão 2: A imagem que a professora quer passar para os alunos reflete na sua identidade profissional, criando uma tensão entre o papel de controlador e ao mesmo tempo de alguém que se importa com os alunos; Tensão 3: Discrepância entre a prática desejada e o que é possível dentro da realidade, sendo o professor o responsável por fazer essa conciliação.
Além das tensões, os autores destacam duas metáforas recorrentes nos dados. A primeira metáfora relaciona o aprendizado com uma jornada tendo os professores como guias. A segunda metáfora, de que ensinar é como plantar sementes, caracteriza as incertezas da professora quanto ao efeito de suas aulas sobre os alunos. As metáforas nos ajudam a compreender as crenças e a identidade do professor, revelando sua orientação pedagógica básica, sua identificação pessoal com o ensino e sua orientação social (Surgrue, 1996).
Esse estudo mostrou como a identidade do professor está interligada com sua cognição. Seu ensino reflete e faz uso de suas várias experiências de vida e profissional, derivadas de suas múltiplas identidades sociais. Em alguns momentos algumas dessas identidades são colocadas em primeiro plano para tomar determinadas decisões em sua prática, e outras vezes, é um conjunto diferente de identidades que moldam seus julgamentos. E nesse jogo, a professora às vezes enfrenta momentos de tensão que ela tenta explicar e contornar por meio de metáforas que, segundo Lakoff e Johnson (1980, p.156), tem a função de emprestar coerência à nossa experiência servindo de guia para ações futuras.
Os autores destacam que estudos como este servem para despertar a consciência da natureza da preparação e desenvolvimento do professor, que tem sua identidade profissional moldada a partir de suas histórias e redes de conhecimento. Mas apontam também suas vulnerabilidades por expor pensamentos, crenças, valores, comportamentos e identidade profissional do professor pesquisador.

Eduardo Ferreira dos Santos

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