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Date Posted: 17:38:38 05/25/09 Mon
Author: Liberato Santos
Subject: Resumo Sakui e Gaies - LIBERATO SANTOS

Universidade de Brasília
PGLA – Programa de Pós-Graduação/Mestrado em Lingüística Aplicada
Disciplina: Tópicos Especiais em Lingüística Aplicada: Crenças de Aprendizagem e
Ensino de Língua
Docente: Profª Drª Mariney Pereira
Discente: Mestrando Liberato Santos
Data: 25 de maio de 2009

Resumo do texto de Sakui Keiko e stephen Gaies, “Beliefs and Professional Identity: A Case Study of a Japanese Teacher of EFL Writing” (2002).

O construto conhecimento pessoal prático (personal practical knowledge, no original em inglês) é, de acordo com Clandinin & Connelly (1986), baseado na visão de que conhecer um objeto envolve avaliá-lo dos pontos de vista estético, moral e emocional. A noção de conhecimento pessoal prático está baseada em DUAS PRESSUPOSIÇÕES-CHAVE SOBRE A NATUREZA DO CONHECIMENTO dos professors e do processo de ensino:
A 1ª pressuposição, de acordo com Golombek (1998), é a de que boa parte do conhecimento de um professor tem origem nas experiências construídas pelos próprios professores à medida em que respondem aos contextos de suas salas de aula, num processo dinâmico em que o professor, com seu conhecimento, modifica a sala de aula e é também modificado por ela em função do modo como interpreta os eventos que ocorrem na sala de aula.
A 2ª pressuposição, de acordo com Calderhead (1996) e Richardson (1996), é a de que a cognição dos professores é uma complexa rede composta de vários tipos de conhecimento, incluindo conhecimento subjetivo, prático-pessoal, “artesanal” (craft knowledge, em inglês), conhecimento de caso, conhecimento teórico-pessoal, além de crenças e valores, todos agindo e influenciando padrões mentais e comportamentos.

AS NARRATIVAS são um dos meios mais importantes utilizados no sentido de auxiliar os professores a descobrirem o que sabem e perceberem como seu conhecimento os afeta e afeta seus alunos. No início do século XX, John Dewey (1916, 1934) já defendia a utilização das narrativas como instrumento de (auto)conhecimento de professores. Recentemente, as narrativas têm sido usadas por pesquisadores, formadores e professores para entender o próprio ensino (Clandinin & Connelly, 2000). Ao contar e interpretar histórias de si mesmos e de seu ensino, os professores encaram sua identidade profissional. De acordo com Clandinin (1999), as tentativas dos professores de entender sua prática de ensino geralmente focam-se em questões ligadas à identidade (“quem sou eu?”), muito mais do que se ligam a questões ligadas ao conhecimento (“o que eu sei?”).

Sakui e Gaies, numa tentativa de explicar esta situação, dizem que é possível que A IDENTIDADE PROFISSIONAL SEJA o componente mediador de todos os esforços empreendidos pelos professores ao ativarem seus conhecimentos, operacionalizarem suas crenças e aplicarem sua cognição na formatação que dão ao seu conhecimento prático-pessoal. De acordo com esses autores, são muitos os fatores que moldam a identidade de um professor.

Dada a complexidade do construto identidade profissional do professor, muitos são os pontos de vista adotados para tentar compreedê-lo, desde o sociocultural e o político, passando pela visão construtivista. O ponto comum entre essas visões é a REJEIÇÃO À IDÉIA DE QUE A IDENTIDADE É ESTÁTICA e resultante apenas das variáveis histórico de vida e experiências. Essas visões comungam da idéia de que a identidade é construída socialmente e resulta da interação contínua entre o professor, o contexto no qual trabalha e os demais participantes deste contexto. Além disso, é pacífico o entendimento de que O PROFESSOR NÃO POSSUI UMA IDENTIDADE ÚNICA e sua identidade profissional emerge das interações entre suas diferentes identidades individuais como adulto, pai/mãe, membro de uma comunidade e experiências passadas no papel de aluno, para ficarmos somente nesses papéis.

O estudo de caso produzido por Keiko e Gaies está baseado no trabalho colaborativo entre uma professora pesquisadora japonesa e outro pesquisador, no qual destaca-se o aspecto colaborativo do trabalho como revelador e iluminador das crenças e dos conhecimentos de um professor a partir de um ponto de vista êmico. Os autores buscam investigar como as crenças e conhecimentos de uma professora estã relacionadas com sua identidade e como essas relações são reveladas através das metáforas utilizadas pela professora.

AS PERGUNTAS DE PESQUISA elaboradas na fase inicial do trabalho foram: (a) Quais eram as crenças da professora sobre ensinar, aprender e escrever? (b) Havia relação entre as crenças da professora e suas atividades de planejamento, ensino e avaliação? (c) Em que medida e de que formas suas crenças moldaram as percepções dos alunos quanto à produção escrita em inglês? Embora não tivessem sido elaboradas inicialmente, questões sobre a identidade profissional da professora acabaram sendo incorporadas à pesquisa devido à freqüência com que o assunto identidade emergiu no material coletado para análise. Também passou a ser importante para a pesquisa a averiguação da capacidade da professora analisada de resolver as tensões que emergiam a partir de alternativas e preocupações outras que pudessem entrar em choque com suas crenças e prática. As TENSÕES OBSERVÁVEIS foram:
1)RECONHECIMENTO DA PRÓPRIA COMPETÊNCIA E DAS PRÓPRIAS LIMITAÇÕES: os dados coletados revelaram que a professora convivia com crenças conflitantes sobre a própria competência, que era avalidada ora por seus próprios méritos, ora em comparação com seus colegas professores;
2)A MANUTENÇÃO DO CONTROLE E O CUIDADO COM OS ALUNOS: as anotações da professora analisada revelam um desejo de que os alunos a vejam como alguém que tem controle sobre a sala de aula (embora ela creia que disciplinar os alunos é uma atividade muito desgastante), mas que eles também a vejam como alguém que se importa com os alunos como aprendizes e como pessoas;
3)A DISCREPÂNCIA ENTRE A IDENTIDADE IDEAL E A IDENTIDADE REAL, por exemplo, entre as atividades que ela planeja fazer antes do semestre letivo começar, e o que consegue que os alunos realizem de fato durante o semestre. A professora pesquisada crê que é seu papel achar o ponto de equilíbrio entre o desejado e o possível, começando pelo reconhecimento de seu papel como professora.

METÁFORAS: além das tensões, duas fortes metáforas foram recorrentes no material coletado, reveladoras, segundo Sugrue (1996), da orientaçãoS pedagógica do professor, de sua identificação pessoal com o ensino e de sua orientação social:
a)METÁFORA Nº 1: a aprendizagem é uma jornada e o professor é o guia. O professor é um facilitador e deve manter o aluno motivado a atingir o próximo nível de aprendizado;
b)METÁFORA Nº 2: ensinar é semear e professora, como semeadora, não tem certeza de quando exatamente as sementes irão dar frutos.

CONCLUSÃO: o estudo demonstra a riqueza das narrativas para a análise “pelo lado de dentro” acerca do conhecimento e pensamentos de um professor. Outra evidência é que a prática de ensino da professora analisada reflete suas múltiplas identidades sociais e suas experiências pessoais e profissionais ao longo da vida; algumas dessas identidades têm mais força em certos momentos da prática profissional e perdem o lugar para outras identidades quando o contexto muda. Também é revelado neste estudo que certos valores, objetivos e necessidades competem entre si, criando tensões que precisam ser administradas pela professora. As metáforas utilzadas pela professora, como a do professor como guia de jornada, parecem agir no sentido de conciliar as tensões e dar coerência às experiências e ações da professora, oferecendo um “propósito maior” ao seu trabalho que a faz organizar o caos interno. Estudos dessa natureza aumentam nossa conscientização sobre a natureza da formação e do desenvolvimento de um professor, revelando que há muito mais do que treinamento ou formação no ser e no tornar-se professor.

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