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Date Posted: 11:22:13 04/26/09 Sun
Author: Vinicius Lemos
Subject: texto Metodologia de Pesquisa das Crenças Barcelos

Em seu artigo, Barcelos faz um passeio pelas diferentes abordagens existentes no estudo de crenças, analisando seus fatores positivos e negativos. Para ela, apesar de todos os avanços nos estudos ainda há uma lacuna a ser preenchida. Os diversos estudos existentes somente descrevem as crenças, mas não investigam suas origens, seus impactos no processo de aprendizagem e a razão pela qual essas tais crenças existem.
Independentemente do tipo de abordagem utilizada para tentar compreender melhor as crenças, um fator comum às três é a verificação da crença influenciando o comportamento do aprendiz. É largamente aceita a idéia de que o comportamento do aprendiz em relação a sua aprendizagem está diretamente ligado às crenças que ele carrega consigo. Além disso, há ainda a corrente que acredita que o comportamento(uso de estratégias) também teria influência sobre as crenças, existindo assim uma correlação entre crença e ação.
As três abordagens de investigação de crenças sobre aprendizagem de línguas são: abordagem normativa, abordagem metacognitiva e abordagem contextual. Cada uma, segundo Barcelos tem seu ponto forte e seu ponto fraco.
A abordagem normativa se utiliza de questionários pré-determinados, como o BALLI (Likert-scale) ,onde um grande número de informações é tabulado. O que se consegue através dessa abordagem é uma descrição e classificação detalhada sobre os tipos de crenças apresentados pelos aprendizes. Nessa abordagem, as crenças são vistas como obstáculos ao aprendizado porque são entendidas como concepções errôneas que os alunos carregam consigo. Essas opiniões e idéias pré-concebidas afetariam diretamente a forma com que o aprendiz se comportaria em sala de aula e diante seu aprendizado da língua. Segundo Barcelos, a vantagem da abordagem normativa se daria ao fato dela poder ser feita com um grande número de participantes onde as informações seriam facilmente tabuláveis. Porém, por ser utilizado um questionário fechado, os resultados talvez não sejam tão fiéis à realidade porque ignora opiniões diferentes das que não estão expressadas nos questionários.
A abordagem metacognitiva foi um pouco mais além da abordagem normativa e deu voz aos aprendizes. Essa abordagem define crença como um conhecimento metacognitivo. Ou seja, o que eles pensam afeta diretamente na sua forma de aprender e que esse conhecimento é estável e falível. O grande avanço é a instituição de questionários e entrevistas semi-estruturados e também de auto-relatos. Dessa forma os entrevistados podem refletir e articular sobre seu aprendizado e as crenças que permeiam seus pensamentos. Um dos grandes nomes que representam bem essa abordagem é Wenden, que concluiu em seus estudos que algumas crenças verificadas não apareciam no BALLI (utilizado pela abordagem normativa) e que outras crenças eram bem diferentes daquelas que a primeira abordagem havia relatado. Sendo assim, ele enfatizou a necessidade da criação de questionários mais abrangentes. Neste caso, Barcelos lembra a vantagem dos questionários mais abertos e das entrevistas, porém critica a abordagem metacognitiva por não inferir as crenças através das ações dos entrevistados. Na verdade, essa abordagem analisa somente as opiniões verbais e declarações dadas pelos entrevistados. Em outras palavras, o ponto fraco recai sobre o fato de que às vezes as opiniões dos alunos podem ser diferentes da maneira como eles agem e se comportam no ambiente de aprendizado, tornando assim, por vezes, os resultados inconsistentes.
Já a terceira abordagem, chamada de contextual, utiliza uma perspectiva diferente de estudo. As crenças não são investigadas a partir de questionários nem são vistas como conhecimento cognitivo, mas sim a partir de observações dentro de sala de aula levando em consideração também o contexto no qual o aprendiz está inserido. Este tipo de estudo leva em consideração a experiência anterior do aprendiz assim como suas crenças e ações. Allen foi um dos estudiosos que se destacou dentro dessa abordagem e, em seus estudos, ele concluiu que as crenças não são tão imutáveis, e que os professores foram capazes de influenciar diretamente nas crenças dos alunos, alterando assim a percepção dos mesmos sobre suas expectativas e estratégias de aprendizado. Ele concluiu, portanto, que as crenças,de uma certa forma, estão inter-relacionadas com as experiências dos alunos. Sendo assim, Barcelos acredita que essa abordagem fornece muito mais riqueza de detalhes e trata os alunos como agentes sociais, porém dada a sua complexidade, essa abordagem funciona melhor quando o trabalho é feito com poucos participantes.
No final do artigo, Barcelos conclui sua análise reforçando o fato de que ambas as abordagens normativa e metacognitiva dão um caráter mental para a crença, enquanto a abordagem contextual estabelece a importância que o meio e as experiências têm sobre o aprendiz e o aprendizado. Ao colocar as três abordagens juntas para análise, Barcelos colocou a normativa em um extremo chamado de categoria a priori (pré-determinada) e a contextual em um outro extremo chamado de embasada(permite que o sentido emerja dos dados). A metacognitiva ficaria no meio pendendo mais para o lado da categoria a priori. Apesar de tantas diferenças, todas as três abordagens enfatizam a influência que a crença tem sobre as ações, e alguns pesquisadores, como Riley, vão mais longe e enfatizam a relação de interconectividade entre crença e ação. Para estudos futuros, Barcelos sugere um estudo aprofundado de onde surgem e como se desenvolvem as crenças dos aprendizes. Além disso, ela ressalta a necessidade de se estudar de que forma a crença tem impacto no processo de aprendizado e como esse impacto se dá.
Vinicius Vieira Lemos

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