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Date Posted: 14:46:13 04/27/09 Mon
Author: Uyara
Subject: RESUMO TEXTO BARCELOS (2001)

BARCELOS, Ana Maria Ferreira. Metodologia de Pesquisa das Crenças sobre Aprendizagem de Línguas: Estado da Arte.

Barcelos (2001) preocupa-se em apresentar ao leitor o fato de as pesquisas sobre crenças de aprendizagem de línguas, até o momento, constituírem-se em descrições não preocupadas em buscar o porquê de os alunos as possuírem, sua origem e o papel que desempenham no processo de aquisição de línguas. Para isso, a autora faz uma revisão (1) do conceito de crenças e da sua relação com a ação; (2) da metodologia de estudos sobre crenças, sob a perspectiva de três abordagens; concluindo (3) com perguntas e sugestões de tópicos para futuras pesquisas.
Definindo as crenças como opiniões e idéias que alunos e professores têm sobre o ensino e aprendizagem de línguas, Barcelos afirma que a importância de sua investigação se dá em função do modo como as crenças influenciam a percepção e interpretação que os alunos têm acerca da aprendizagem, assim como a motivação, as atitudes e as estratégias que estes utilizam. Todavia, a autora enfatiza que “os estudos têm se limitado a investigar o tópico, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre crenças e comportamentos” (p.74), desconsiderando a falta de dados suficientes que possibilitem o endossamento de tal afirmação e o fato de que as crenças devem ser inferidas não somente das afirmações verbais dos alunos/professores, mas também de suas intenções e ações – estas últimas definidas como intencionais, propositais e intrinsecamente relacionadas com o pensamento.
Quanto à metodologia dos estudos sobre crenças, Barcelos detém-se sobre as abordagens (a) normativa; (b) metacognitiva; e (c) contextual. Enquanto a abordagem (a) infere as crenças de um conjunto pré-determinado de afirmações, definindo-as como indicativas dos comportamentos futuros dos alunos e preocupando-se em descrevê-las e classificá-las, a abordagem (b) define crenças como conhecimento metacognitivo, isto é, os aprendizes refletem sobre o processo de aprendizagem de línguas, sendo capazes de exteriorizar algumas de suas crenças, pois as crenças são consideradas como conhecimento, como parte do processo de raciocínio do aluno. Por outro lado, a abordagem (c) busca a compreensão das crenças de alunos e professores em contextos específicos, não se utilizando de questionários (instrumento da abordagem normativa), tampouco definindo as crenças como conhecimento cognitivo (abordagem metacognitiva). Para isso, a abordagem contextual leva em consideração as perspectivas dos participantes e a maneira como as crenças se interrelacionam com as experiências dos alunos, não sendo entidades estáveis, mas mutáveis.
Ao término da apresentação sobre as abordagens, Barcelos resume em uma tabela suas principais características, sendo uma, não discutida no parágrafo anterior, a metodologia utilizada por cada uma, quais sejam (a) abordagem normativa – questionários tipo Linkert-scale; (b) abordagem metacognitiva – entrevistas; (c) abordagem contextual – observações, entrevistas, diários e estudos de caso. Adicionalmente, a autora discute as vantagens e as desvantagens de cada uma, sendo que (a) permite que as crenças sejam investigadas sincrônica e diacronicamente, com vários corpora, apesar de restringir a escolha dos participantes a um conjunto de afirmações pré-determinadas pelo pesquisador; (b) incita a autoexpressão dos alunos, a reflexão sobre suas experiências de aprendizagem, mesmo que as crenças sejam investigadas por meio das afirmações dos alunos, não havendo a preocupação com suas ações; (c) possibilita a investigação das crenças sob a perspectiva tanto da expressão oral quanto do contexto das ações dos alunos, no entanto, não é adequada à pesquisa com muitos participantes.
Por fim, Barcelos conclui que a falta de grounded studies dificulta o entendimento do modo pelo qual os alunos usam as crenças, quando da interpretação de diferentes situações e da tomada de decisões relativas ao processo de aprendizagem próprio. Quanto às abordagens, a autora afirma que, apesar de distintas quanto à definição e à investigação das crenças, todas enfatizam as estratégias de aprendizagem dos alunos – suas ações, estas últimas influenciadas pelas crenças e igualmente influentes no processo de mudança ou de criação de outras crenças. Dessa forma, Barcelos finaliza o artigo ressaltando a necessidade de as investigações em crenças envolverem as experiências e ações dos alunos, suas interpretações sobre tal e o contexto a partir do qual suas crenças são moldadas.

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