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Date Posted: 04:51:41 04/28/09 Tue
Author: Eduardo Ferreira
Subject: Resumo Barcelos (2001)

RESUMO: Metodologia de Pesquisa das Crenças sobre Aprendizagem de Línguas: Estado da Arte

BARCELOS, Ana Maria Ferreira. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v.1, n.1, 71-92, 2001.

Inicialmente a autora destaca a importância que o estudo das crenças adquiriu na pesquisa em Linguistica Aplicada a partir dos anos 80 e argumenta que, até então, os estudos a respeito das crenças sobre aprendizagem de línguas tem se ocupado apenas em descrevê-las, sem considerar a origem e o papel das crenças no processo aquisitivo. Antes de passar à discussão dos tipos de metodologias utilizadas na investigação das crenças sobre aprendizagem de línguas, a autora faz uma breve revisão do conceito de crenças e da relação entre crenças e ação.

Barcelos fala da indefinição conceitual quanto às crenças e aponta que apesar de prejudicial, a profusão de termos existentes para designá-las indica o potencial deste conceito para a LA. Em termos gerais ela define crenças como opiniões e idéias que os alunos (e professores) têm a respeito dos processos de ensino aprendizagem de línguas; são pessoais, contextuais, episódicas e têm origem nas nossas experiências, na cultura e no folclore, e influenciam no comportamento das pessoas. Neste ponto é dada grande ênfase à relação crença/ação, no sentido de que as crenças sobre aprendizagem de línguas podem influenciar as estratégias de aprendizagem dos alunos e, consequentemente, o seu sucesso.

Diferentemente de Kalaja (1995) que reconhece duas abordagens de investigação das crenças, sendo a primeira a que considera as crenças como algo estável “entidades cognitivas encontradas dentro da mente dos aprendizes de língua”; e a segunda, defendida por ela, que define crenças como construídas socialmente, interativas, sociais e variáveis; Barcelos distingue três abordagens principais de investigações das crenças considerando sua definição, metodologia, e relação entre crenças e ações.

Na primeira abordagem, chamada de normativa, os estudos colocam as crenças como indicadores dos comportamentos futuros dos alunos como bons aprendizes ou como aprendizes autônomos. Utilizam questionários do tipo Likert-scale, visam principalmente descrever e classificar os tipos de crenças que os aprendizes apresentam; normalmente fazem conexões entre as crenças e o ensino autônomo, o que sugere uma visão ideal do aprendiz à qual os alunos reais não correspondem, como concluiu Benson (1995). Alguns estudos utilizam entrevistas para validar os questionários e geralmente apontam discrepâncias entre os resultados. Em alguns casos, as crenças dos alunos são consideradas errôneas, inadequadas ou obstáculos para a autonomia. O estudo é descontextualizado e não é investigada a relação entre crenças e ações.

Na segunda abordagem, metacognitiva, os estudos definem as crenças como conhecimento metacognitivo, estável e falível, segundo o qual os alunos são capazes de refletir sobre seu aprendizado e articular algumas de suas crenças. Utilizam entrevistas semi-estruturadas, auto-relatos e, às vezes, questionários semi-estruturados. Em defesa da abordagem metacognitiva, a partir da comparação entre seus estudos feitos através de entrevistas e outros conduzidos pelo BALLI, Wenden (1987) observou que algumas crenças eram bem diferentes e outras não eram contempladas no questionário, sugerindo assim o desenvolvimento de um questionário mais abrangente e representativo do conjunto de crenças. A abordagem metacognitiva tem como vantagem o fato de dar oportunizar ao aluno elaborar e refletir sobre suas experiências, além de considerar as crenças como parte do processo de raciocínio dos alunos. Entretanto, a relação entre crenças e ações é sugerida e discutida em relação às estratégias de aprendizado, mas não é investigada.

Na abordagem contextual, a mais recente, as crenças são consideradas como dependentes do contexto. Elas são investigadas através de entrevistas, observações de aulas e análise dos contextos específicos onde os alunos atuam. Os estudos consideram a influência da experiência anterior de aprendizagem de línguas dos alunos em suas crenças e em suas ações dentro do seu contexto específico. Esse tipo de estudo é adequado para investigar grupos menores e pode levar muito tempo.

Concluindo, Barcelos apresenta uma outra possibilidade de classificação das três abordagens dentro de um contínuo que tem num de seus pólos a abordagem normativa cuja categoria de análise ela classifica como a-priori (pré-determinada); no outro pólo, a abordagem contextual, chamada de embasada (permite que o sentido emerja dos dados); e a abordagem metacoginitiva seria intermediária com mais proximidade com a categoria a-priori.

Apesar das classificações apresentadas, a autora declara que não existe uma distinção muito clara entre essas abordagens e que a escolha entre elas vai depender do tipo de pergunta de pesquisa, podendo mesmo haver uma combinação de metodologias. Ao concluir, Barcelos sugere investigações futuras sobre como o contexto da sala de aula de línguas interfere nas crenças dos alunos e, inversamente, como estas crenças moldam a interação e as ações que ocorrem neste espaço. Ela enfatiza também a importância de se entender como as crenças interagem com as ações dos alunos e que funções elas exercem em suas experiências de aprendizagem não só na sala de aula.

Eduardo Ferreira dos Santos

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